Única goiana na 2ª fase da votação popular, artista soma apoio até domingo (26) para representar o Cerrado na maior premiação de arte contemporânea do país.
A artista visual Òkun, de Goiânia, é a única goiana entre os 17 finalistas da segunda fase do Prêmio PIPA Online 2026, votação popular que decide dois dos nomes mais votados do ano em uma das principais premiações de arte contemporânea do Brasil. A fase começou nesta segunda-feira (20) e segue até domingo (26), com o público podendo votar diretamente no site do prêmio.
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O Prêmio PIPA é uma iniciativa do Instituto PIPA, fundado em 2009 para apoiar e documentar a produção de arte contemporânea brasileira, e é considerado a principal janela do país para revelar novos nomes das artes visuais. Podem concorrer artistas com até 15 anos de carreira, indicados por um comitê de curadores e pesquisadores. Nesta edição, foram 67 indicados ao todo. Um conselho curatorial seleciona 4 artistas premiados, que recebem uma exposição no Rio de Janeiro, enquanto o PIPA Online funciona como uma categoria paralela, decidida por votação aberta ao público, que elege o primeiro e o segundo colocados entre os nomes que avançam de fase.
Criado em 2010, o Prêmio já reconheceu 32 artistas ao longo de suas edições, entre os quais 12 se autodeclaram negros, 5 indígenas e 3 pretos, além de 14 mulheres, 4 pessoas trans e um coletivo. O prêmio também busca mapear talentos nas cinco regiões do país, descentralizando um circuito de arte historicamente concentrado no eixo Rio-São Paulo, o que reforça a relevância da presença de artistas de estados como Goiás entre os indicados.
Entre os quatro Artistas Premiados escolhidos pelo conselho curatorial do PIPA 2026 está Jane Batista, fotógrafa performática e poeta de origem afro-indígena nascida no Piauí e radicada no território do Titanzinho, em Fortaleza. Autodidata desde 2020, ela constrói autorretratos com o próprio celular para investigar ancestralidade, identidade e os atravessamentos de corpos negros e periféricos, tema que dialoga diretamente com a pesquisa de Òkun sobre religiosidade de matriz africana.
Na votação popular, Òkun também vem se destacando. Na primeira fase do PIPA Online, que reuniu mais de 60 artistas, ela liderou a contagem de votos nos últimos dias antes do encerramento, à frente de nomes como João Vitor Araújo e Bárbara Banida, garantindo vaga entre os 17 selecionados para a segunda fase que começou nesta segunda-feira.
Nascida em 2000, Òkun é bacharel em Artes Visuais pela Universidade Federal de Goiás, artista residente no Ateliê/Escola de Arte Sertão Negro e assistente de arte do artista Dalton Paula. Sua pesquisa investiga as relações entre pintura, espiritualidade, memória e ancestralidade, intersecionando visualidades de sua vivência em terreiro de Umbanda e de Kimbanda de Lei. A artista desenvolve o conceito de Pintura de Encruzilhadas, prática que invoca Exu e transforma o não-lugar em território de escuta, transformação e presença.
O trabalho de Òkun já passou por exposições como Dos Brasis: Arte e Pensamento Negro, no SESC Belenzinho, em 2023, Crônicas Cariocas, no Museu de Arte do Rio, em 2021, e Mulheres que Mudaram 200 Anos, na Caixa Cultural de Brasília, em 2023. Em 2025, a artista integrou a exposição internacional Sertão Negro: Território Vivo, no Storefront for Art and Architecture, em Nova York, e participou da instalação coletiva Sertões, do núcleo Sertão Negro, na 36ª Bienal de São Paulo. Sua produção também integra acervos como os do Museu de Arte do Rio, da Caixa Cultural de Brasília e do Instituto Ibirapitanga, além de ter ilustrado livros da escritora moçambicana Lilia Momplé e da pesquisadora Cidinha da Silva.
“Ser indicada a um prêmio de relevância nacional já é uma conquista imensa”, afirma Òkun, em depoimento ao Mundo Negro sobre a indicação. A artista diz que as oportunidades ainda são escassas para quem cria fora dos grandes circuitos, e que levar a pintura produzida no Cerrado ao Prêmio PIPA é uma forma de afirmar a potência e a relevância dessa produção. Para ela, a indicação também reforça que a afro-religiosidade existe e resiste no coração do Brasil.
Construir carreira como artista em Goiás, unindo o tema à afro-brasilidade e à ancestralidade, segue sendo um desafio para quem produz fora do eixo Rio-São Paulo, historicamente mais concentrado no circuito nacional de arte contemporânea. A presença de Òkun na fase de votação popular do PIPA amplia a visibilidade de uma produção que parte do terreiro e do Cerrado para dialogar com o restante do país.
A votação do PIPA Online 2026 segue até domingo (26), no site do Prêmio PIPA. Quem alcançar o maior número de votos entre os 17 finalistas da fase leva o primeiro lugar, com o segundo colocado também sendo definido pela contagem de votos ao fim do período.
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