Chefe de diversidade dos EUA se choca com a falta de presença negra entre brasileiros mais ricos: “Cadê o resto?”

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Chefe de diversidade dos EUA se choca com a falta de presença negra entre brasileiros mais ricos: “Cadê o resto?”
Gina Abercrombie-Winstanley. Foto de Mandel Ngan/Pool via AP.

Gina Abercrombie-Winstanley (64), atual Chefe de Diversidade e Inclusão do Departamento dos Estados Unidos, realizou visita ao Brasil durante o último mês de Dezembro. Na ocasião, a representante do governo Joe Biden se chocou ao perceber a falta de pessoas negras nos espaços de elite que ela frequentou. Numa entrevista à Folha de São Paulo, Gina comentou:

“Foi uma viagem curta, então posso falar apenas de forma limitada sobre São Paulo. Certamente notei que a maioria das pessoas que vi era branca. Com certeza mais claras do que eu. E sabendo que a população é próxima do 50%-50% [no Brasil, 56,2% se dizem pretos ou pardos], eu me perguntei: “Ok, cadê todo o resto?”. Então terei que voltar para ter um panorama maior”, finalizou a representante norte-americana.

Winstanley também comentou sobre a comparação com os Estados Unidos: “Não sendo os EUA perfeitos, não há uma nação para a qual possamos pregar e dizer ‘você deveria fazer assim ou assado’”.

Foto: Divulgação

O Brasil foi o primeiro país visitado por Gina desde que assumiu a posição de Chefe de Diversidade e Inclusão. “É minha primeira viagem nessa nova posição, e [o país é] minha primeira parada no meu giro pelo mundo. O Brasil era particularmente atraente, porque temos essa ótima parceria. Compartilhamos um compromisso com a democracia. E nós, como uma nação diversa, sabemos que com vocês, também uma nação diversa, compartilhamos desafios”, revelou à Folha.

Ocupando um cargo de liderança dentro do Departamento americano e buscando parcerias com o Brasil, Winstanley revelou estar empolgada para promover iniciativas que garantam oportunidades igualitárias. “Falamos sobre a necessidade de verdadeiramente abraçar e viver os valores [de igualdade]. Todo mundo precisa ter a mesma oportunidade. Todo americano é igual. Fomos criados desde cedo com essa ideia. E ainda assim, como sociedade, não alcançamos o lugar onde alegamos querer estar”, finalizou.

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