Canetas para emagrecer: como cuidar da alimentação durante o tratamento

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Canetas para emagrecer: como cuidar da alimentação durante o tratamento
Foto: gerada por IA

Por Rafa Bastos

Um novo consenso internacional, publicado em julho de 2026 no The Lancet Diabetes & Endocrinology, reuniu recomendações para adultos em tratamento com medicamentos baseados em incretinas, como semaglutida e tirzepatida, as canetas emagrecedoras.

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O documento reforça que não existe uma dieta única para quem utiliza essas medicações. Como elas reduzem significativamente o apetite, é fundamental garantir que a menor ingestão de alimentos não resulte em perda de massa muscular, deficiências nutricionais, fadiga ou piora da qualidade de vida. O sucesso do tratamento deve ser avaliado não apenas pela perda de peso, mas também pela preservação da força, da funcionalidade e do bem-estar.

Proteína: prioridade, mas não exclusividade

O consenso recomenda individualizar a ingestão entre 1 e 1,5 g de proteína por quilo de peso ajustado por dia, com uma referência mínima geral de 60 g diárias, distribuídas ao longo das refeições.

Além de carnes, ovos e peixes, também podem contribuir para essa meta alimentos como leite, iogurte, queijos, feijão, lentilha, grão-de-bico e tofu. E não é necessário ficar refém de whey protein.

Ao mesmo tempo, o documento alerta que a proteína não deve ocupar todo o prato. Carboidratos como arroz, cuscuz, aveia, batata-doce, inhame, aipim e frutas continuam importantes para fornecer energia e devem ser mantidos conforme a realidade, a cultura alimentar e a tolerância de cada pessoa.

Fibras, hidratação e manejo dos sintomas

A orientação é consumir pelo menos 25 g de fibras por dia, priorizando frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais e sementes. O aumento das fibras deve ser gradual e sempre acompanhado de boa hidratação, já que pouca ingestão de líquidos pode agravar gases e constipação.

Para sintomas como náuseas e sensação de estômago cheio, refeições menores, menos gordurosas e preparações simples costumam ser mais bem toleradas. Em casos de refluxo, recomenda-se evitar grandes refeições, principalmente à noite, e não se deitar logo após comer. Já a constipação deve ser manejada com fibras, hidratação adequada e atividade física, respeitando as condições individuais.

Atenção aos sinais de alerta

Vômitos persistentes, incapacidade de se alimentar, sinais de desidratação ou perda importante de força não devem ser considerados efeitos esperados do tratamento. Nesses casos, é essencial procurar a equipe de saúde para reavaliar a dose e a estratégia terapêutica.

O consenso reforça que a alimentação continua sendo parte fundamental do tratamento. Portanto, é crucial acompanhamento do nutricionista que irá individualizar e conduzir dentro da realidade de cada paciente. Nesse sentido, Mais do que incentivar o consumo de proteínas, o objetivo é preservar massa muscular, energia, saúde intestinal, funcionalidade e qualidade de vida durante o uso das medicações.

Referência científica

Dobbie LJ et al. Nutritional, functional, and psychological considerations for incretin-based therapies in adults: an EASO, EFAD, and ECPO Consensus Statement. The Lancet Diabetes & Endocrinology. Publicado on-line em 8 de julho de 2026. DOI: 10.1016/S2213-8587(26)00122-1.

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