A cena de terror que o empresário Crispim Terral passou dentro de uma Agência da Caixa Econômica Federal, no Largo do Relógio de São Pedro, em Salvador, chocou muitas pessoas, mas infelizmente para quem é negro, esse tipo de acontecimento,  não foi uma surpresa.

Cenas de racismo, preconceito e humilhação infelizmente são comuns dentro dos estabelecimentos bancários do Brasil. A cor negra é vista como a cor do assaltante, do cliente ruim, do tipo de pessoa que não merece um tratamento de respeito, em um local, onde confiamos nosso dinheiro e ajudamos a economia a circular.  De acordo com o IBGE, mais  60 milhões de pessoas no Brasil não possuem acesso a serviços bancários básicos e não é difícil deduzir a cor dessas pessoas. Negros não são bem-vindos em bancos.

No Instagram do Mundo Negro perguntei aos leitores se ele já sofreram situações de racismo dentro de uma agência bancária. Os nomes não serão revelados, mas uma dos comentários que mais me chamou a atenção, veio de uma mulher negra funcionária de uma agência da Caixa no Rio de Janeiro.

“Trabalho na Caixa e olha é de doer. É colega chamando cliente negro de macaco, é gerente dizendo que o processo perdido estava no meio das tranças da estagiária negra, é gerente dizendo que uma possível fraude, poderia ser explicada pela nacionalidade angolana dos supostos autores, é gerente dizendo que vai mandar para o tronco a funcionárias negra e muito mais. Quando resolvi denunciar, virei a colega chata e encrenqueira que vê racismo em tudo”, disse a leitora que trabalha na Caixa do Rio de Janeiro.

Veja os casos de clientes que sofreram racismo no banco:

“Meu cunhado já sofreu racismo em uma agência quando foi solicitar o financiamento do seu carro. Ele é negro e estava na presença da minha irmã que também é negra. Ambos foram os primeiros a chegar, porém o gerente esperou até que chegasse outra pessoa (branca) e passou ela na frente para o atendimento, fazendo meu cunhado esperar mais ainda. Quando ele notou o que aconteceu foi logo reclamar, até a moça que foi atendida primeiro disse que eles haviam chegado antes e deviam ser atendidos primeiro, porém o gerente se recusou a fazer o atendimento e impediu que a moça branca não saísse do lugar onde estava, alegando que meu cunhado devia esperar caso quisesse ser atendido. Indignado meu cunhado pediu outra pessoa para o atender e disse que ele mesmo se recusava a falar com o gerente.” 

“Fui humilhada por um caixa que me mandou calar a boca e disse que eu só estava lá, graças à Princesa Isabel”. 

“Um vigilantes achou que meu filho, 9 anos, estava roubando meu celular. Ele foi pegar no compartilhamento da porta giratória. Meu filho é negro e eu sou branca”. 

“Eu era a única negra a entrar e fui e única a não ter a porta liberada sem tirar tudo da bolsa”.

“Fui abrir uma conta e para preencher o grau de escolaridade a funcionária nem cogitou o ensino superior”. 

“O segurança ficou me seguindo da hora que entrei, até a hora de sair”.

O Banco Central do Brasil não tem competência legal para atuar sobre o caso individual do cidadão. Em caso de conflitos, ele recomenda que:

  1. O local do atendimento ou o Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) da própria instituição;
  2. A ouvidoria da instituição financeira;
  3. Os órgãos de defesa do consumidor.

Vale ainda lembrar que em casos de racismo explícito, vale recorrer à serviços como SOS Racismo da sua região.

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