Autor do livro “O Último Negro” fala sobre os possíveis caminhos de ascensão do negro brasileiro

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“Ótimo livro da nova geração de escritores negros”. Foi assim que o ator Lázaro Ramos definiu a obra “O Último Negro” (Editora Vermelho Marinho, 452 páginas, R$ 95) do tradutor e empreendedor Durval Arantes. Apesar de ser a primeira obra do professor de inglês paulistano de 53 anos, o livro tem uma densidade digna de escritor de best-sellers sendo muito bem avaliado também por seus leitores.

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Por Silvia Nascimento

“O livro é uma ficção contemporânea que revisita a Diáspora Africana em diálogos no tempo presente.   Há uma mescla de romance com suspense, drama e ação. A trama ficou bem interessante e as pessoas que leram os cinquenta e tantos capítulos aprovaram a fórmula”, descreve Arantes sobre seu livro de quase 500 páginas.

Por ser um romance contemporâneo, Durval acredita no potencial da sua obra para se transformar em um filme, apesar de ele admitir que essa não é uma prioridade.  “Lázaro Ramos, o Nei Lopes, o Jeferson De, Paulo Lins e o Joel Zito já sabem da existência desta proposta literária e eles são celebridades que tem credibilidade e trânsito no circuito cinematográfico nacional”.

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Durval Arantes: “Nós homens pretos precisamos valorizar nossas mulheres negras”

Filho de uma mineira contadora de histórias, Durval se define como um “escritor por natureza” e já tem trabalha no próximo livro.

Entre suas influências literárias estão nomes brasileiros e estrangeiros, da nova e velha geração.  “No Brasil, aprecio a erudição e trajetória literária de Oswaldo de Camargo e sou fã do lirismo poético de Carlos Assumpção.  Me considero um devoto de Maria Carolina de Jesus, pelos vários paradigmas que ela venceu por ela, e pela nossa comunidade, com a sua obra.  Fora do Brasil, gosto dos trabalhos de Alex Haley, Maya Angelou, Carlos Moore e mais recentemente, Chimamanda Adichie. Confesso que preciso me aprofundar um pouco mais nos trabalhos literários de Frantz Fanon”, reflete o escritor.

Negritude e redes sociais

Para Durval Arantes o progresso da comunidade negra, começa dentro de casa, por meio da valorização da família afro-centrada.  “Entendo que nós homens pretos precisamos valorizar e cuidar melhor de nossas mulheres pretas.  A partir desses núcleos familiares mais estáveis e conscientes, promoveríamos a blindagem e um mínimo de uniformidade identitária, no tocante ao ideário das aspirações de cidadania de primeira classe para negros e negras pelo Brasil afora”, defende Arantes.

O escritor administra 17 grupos e 10 páginas no Facebook, incluindo o grupo “Intelectualidade Afro-brasileira”, citado até pela revista afro-americana Ebony, mas ele acredita que as redes sociais não contribuíram para o aumento da consciência dos afro-brasileiros. “A diferença, talvez, é que, com o advento da internet, a informação chega mais rápida e em maior volume aos olhos e à análise crítica das pessoas.  A geração anterior que fazia a militância ostensiva de rua encontrou na internet um canal facilitador de suas manobras, inclusive para a popularização da ideologia afrocentrada e eventualmente para educação e a adesão de militantes virtuais mais jovens”.

Arantes também defende uma política abrangente e sustentável que preserve as heranças deixadas pelos africanos trazidos para o Brasil.  “ Esse país também é nosso e já passou da hora de nós também desfrutarmos dos benefícios e vantagens que, historicamente, este país só destina e direciona para uma classe de pessoas. Precisamos dar valor e fazer valer a pena toda a luta e todo o sacrifício que os nossos antepassados dedicaram e que permitem que tenhamos este tipo de diálogo, em pleno século 21.  Precisamos honrar e dignificar a cota de sangue e suor que eles ofereceram por nós. Vamos em frente”, finaliza.

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