Autobiografia de Mahommah Baquaqua : um dos raros relatos sobre a escravidão no Brasil escritos por um ex-escravizado

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Texto e Imagens: Divulgação

Em 13 de Maio deste ano, a Editora Uirapuru lançará a única autobiografia de um negro escravizado no Brasil no século XIX, em Recife – PE, a Autobiografia de Mahommah Baquaqua.

Trata-se de uma obra inédita no Brasil, que será publicada depois de 167 anos de sua criação, em edição limitada, para comemorar os 20 anos da fundação da Editora Uirapuru, uma empresa que investe na literatura para o público negro.

Mahommah Gardo Baquaqua nasceu em uma família muçulmana no final dos anos 1820, no reino de Bergoo, (atual Borgoo, no atual Benin), interior da África Ocidental. Quando jovem, foi escravizado na África Ocidental, dias depois foi traficado para o Brasil na década de 1840. Como escravo trabalhou numa embarcação comercial escapando em 1847.

Liberto por abolicionistas na cidade de Nova York, depois seguiu para o Haiti. Ali, permaneceu sob os cuidados de um casal de missionários batistas, retornando aos Estados Unidos em 1849. Logo transferiu-se para o Canadá onde trabalhou com o editor Samuel Moore, responsável pela publicação de seu livro de memórias Biografia de Mahommah G. Baquaqua, um nativo de Zoogoo, no interior da África.

Anos depois, viajou para a Inglaterra na esperança de voltar à sua terra natal, na África. O último registro histórico em sua referência é de 1857, após essa data desapareceu por completo. Nos primeiros sete capítulos de sua narrativa, Moore apresenta uma visão política e cultural da Bergoo, época da mocidade de Baquaqua, acrescidos de seus próprios comentários sobre o seu país, o islamismo e a escravidão.

Autobiografia de Mahommah Baquaqua

Editora: Uirapuru
Autores: Mahommah Gardo Baquaqua
Tradutor e organizador: Lucciani Furtado
Números de página: 80
Ano de edição: 2017 Idioma

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