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	<title>Arquivos Artigos - Mundo Negro</title>
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	<description>Uma mídia negra diferente!</description>
	<lastBuildDate>Mon, 18 May 2026 14:28:49 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Eventos Pretos e o dinheiro na conta bancária dos brancos</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/eventos-pretos-e-o-dinheiro-na-conta-bancaria-dos-brancos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carolina Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2026 10:04:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Eventos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por: Breno Cruz Produtor cultural e empreendedor preto da cultura, esse texto vai te deixar triste ao final por voc&#234; entender que o problema n&#227;o &#233; voc&#234;. O problema &#233; o sistema que voc&#234; n&#227;o faz parte &#8211; e n&#227;o &#233; por m&#233;rito do seu trabalho e da sua trajet&#243;ria profissional. Voc&#234; n&#227;o faz parte [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Por: Breno Cruz </p>



<p>Produtor cultural e empreendedor preto da cultura, esse texto vai te deixar triste ao final por você entender que o problema não é você. O problema é o sistema que você não faz parte &#8211; e não é por mérito do seu trabalho e da sua trajetória profissional. Você não faz parte talvez por não querer jogar o jogo que se apresenta no tabuleiro do mercado de eventos e captação; ou, pela ausência de relações políticas, pessoais e capitalistas com quem decide e assina patrocínios.&nbsp;</p>



<p>Você pessoa preta que luta para sobreviver da cultura possivelmente não é <em>nepobaby</em> e nunca acompanhou negociações na mesa de jantar enquanto brincava com sua babá preta uniformizada. O foco deste artigo de opinião é refletir como é difícil para gente fazer eventos sérios e que realmente têm em sua gênese, planejamento e execução a realização por pessoas negras. Eu estou no lugar de fala por <strong>sentir literalmente na pele</strong> como é difícil captar recursos para fazer um evento gratuito de cultura negra no Rio de Janeiro &#8211; o Festival Gastronomia Preta.</p>



<p>Alguns de vocês devem saber que historicamente alguns eventos de cultura preta no Brasil não têm pessoas pretas como “donas”. Infelizmente, alguns empresários brancos usam da causa racial para criarem grandes eventos. Parabéns para eles que se apropriam do que é nosso sem que grande parte das pessoas percebam. Assim, o dinheiro fica na conta bancária deles e não das pessoas pretas &#8211; e essa é a grande disfunção. A grande fatia do capital continua a&nbsp; circular nas mãos e nas contas dos brancos.</p>



<p>O Festival de Música Negra que ocorreu em Brasília é um exemplo disso. De acordo com o Portal Metrópoles, a Associação Brasiliense de Promoção à Cultura (ABC-DF) “recebeu R$ 1,6 milhão de emenda parlamentar para a realização da segunda edição do Festival de Música Negra, feita em 2025.” Segundo o mesmo portal, em matéria publicada no dia 30 de abril deste ano, “a chancela foi dada pelo Ministério da Igualdade Racial à época no dia 23 de Dezembro [de 2025] para o Festival de Música Negra.” E foi esse mesmo festival de música negra que não tinha em sua grande maioria artistas negros que foi chancelado financeiramente para acontecer por um ministério que deveria zelar pelo fomento de iniciativas negras, para pessoas negras e idealizadas por elas.&nbsp;</p>



<div class="wp-block-cover"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="768" class="wp-block-cover__image-background wp-image-95638" alt="" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/image-1024x768.png" data-object-fit="cover" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/image-1024x768.png 1024w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/image-300x225.png 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/image-150x113.png 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/image-768x576.png 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/image-560x420.png 560w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/image-80x60.png 80w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/image-696x522.png 696w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/image-265x198.png 265w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/05/image.png 1040w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><span aria-hidden="true" class="wp-block-cover__background has-background-dim"></span><div class="wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-large-font-size">Foto: divulgação</p>
</div></div>



<p>Ora, bolas… Eu faria um festival gastronômico sem comida? Eu faria um festival de cerveja sem cerveja? Eu faria um festival de Axé Music com cantores sertanejos? Mas, sim &#8211; foi feito um festival de música negra sem artistas negros. E o pior: um evento com recurso financeiro destinado pelo Ministério da Igualdade Racial (MIR) por emenda (eis a grande disfunção). Será que ninguém da pasta analisou o projeto de curadoria artística antes? Se a ministra ou os funcionários da pasta aprovaram o repasse, deveriam fazê-lo mediante análise de um projeto técnico que tivesse uma programação prévia dos artistas. Mas no Brasil o tecnicismo dá lugar ao personalismo nas decisões dos ministérios e secretarias.</p>



<p>Por um momento eu fechei os olhos e sonhei por um minuto: imagina se desse a louca no MIR, eles ouvissem meus pedidos de apoio desde 2023 e nos enviasse um PIX de R$ 1,6 milhão de reais na conta bancária para fazer o Festival Gastronomia Preta 2026? Levaríamos Jorge Aragão (nosso sonho master), Xande de Pilares, Iza, Olodum, Bochecha, Alcione, Só Pra Contrariar, Grupo Arruda, Samba da Volta, Terreiro de Crioulo, Mangueira e É o Tchan. Seria música preta, cantada por artistas pretos, para pessoas pretas e com curadoria de pessoas pretas.&nbsp;</p>



<p>Sonhar não custa nada, como já dizia a Mocidade Independente de Padre Miguel na década de 1990 &#8211; <strong>porém depende</strong>. Depende de muita coisa, principalmente, de ser um dos deles. E, quando se é <em>persona non grata</em> (como é o meu caso por eu me posicionar em relação ao descaso do MIR com o Festival Gastronomia Preta), o sonho se torna pesadelo. Sou <em>Persona non grata</em> por insistir durante dois anos um patrocínio de R$ 60.000,00 em 2024; por colocar a equipe do MIR contra a parede no Instagram depois de 9 meses de espera de uma promessa de que em 2025 o ministério teria mais tempo para construir um apoio financeiro robusto com o Festival Gastronomia Preta na última edição; e, por em 2026, criticar aquele post de que foi o ministério que mais investiu no povo preto na história do país.</p>



<p>E é por isso, meu povo, que eu digo não importa a qualidade da entrega do seu projeto e os grupos minoritários que você alcança; o impacto verdadeiro na vida de mães solos negras gerando renda a partir da participação no festival; o pilar de qualificação profissional do evento por meio do projeto Pretonomia que acelera a geração de renda por meio do trabalho na gastronomia. O que verdadeiramente importa para os políticos que assinam os contratos são as relações pessoais, os favores e os demais interesses.</p>



<p>A matéria publicada pelo Metrópoles escancara como as decisões parecem deixar de lado a dimensão técnica da proposta. Qualquer servidor público sério e minimamente conhecedor da música brasileira atuando naquele ministério, analisaria o projeto aprovado às vésperas do Natal com as características do evento e as atrações artísticas, questionaria o recorte da curadoria para os artistas escolhidos e vetaria aquela aprovação; ou, aprovaria com restrições de revisão da curadoria artística com asrtistas negros em sua grande maioria.&nbsp;</p>



<p>O problema está aí, produtor cultural e empreendedor da cultura: as decisões não são técnicas quando o assunto é destinação de recursos &#8211; principalmente em ano político. E é por isso que eventos idealizados por nós pessoas pretas nascem, não se reproduzem e morrem. Não é a sua entrega ou qualidade técnica do que você fez que será julgado &#8211; é sobre <strong>quem você não é</strong>: se você não é amigo pessoal, parente, amigo do amigo ou empresário, ESQUECE! Eles nos vêem apenas como quantidade de CPFs na urna eletrônica.&nbsp;</p>



<p>Sua qualidade técnica nunca será analisada se você for acima da média &#8211; sempre terá um “porém” acompanhado de um argumento que não faz sentido. A depender do político, ele vai colocar mensagem temporária no WhatsApp e depois vai sugerir que você mentiu sobre o que foi acordado &#8211; como fez a equipe daquela deputada estadual que diz lutar por nós.</p>



<p></p>
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		<title>Joaquim Barbosa rumo a 2026: as fragilidades por trás de uma pré-candidatura</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/joaquim-barbosa-rumo-a-2026-as-fragilidades-por-tras-da-pre-candidatura-do-unico-nome-negro-a-presidencia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carolina Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 May 2026 09:49:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Ivair Alves dos Santos Joaquim Barbosa se apresenta como uma novidade no cen&#225;rio pol&#237;tico e como algu&#233;m diferente dos candidatos tradicionais. Sua trajet&#243;ria &#233; marcada pelo combate &#224; corrup&#231;&#227;o, especialmente por sua atua&#231;&#227;o no Supremo Tribunal Federal. Al&#233;m disso, ele nunca exerceu mandato pol&#237;tico nem disputou elei&#231;&#245;es, o que refor&#231;a sua imagem de independ&#234;ncia [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Por Ivair Alves dos Santos</p>



<p>Joaquim Barbosa se apresenta como uma novidade no cenário político e como alguém diferente dos candidatos tradicionais. Sua trajetória é marcada pelo combate à corrupção, especialmente por sua atuação no Supremo Tribunal Federal. Além disso, ele nunca exerceu mandato político nem disputou eleições, o que reforça sua imagem de independência em relação à classe política tradicional.</p>



<p>No imaginário de parte da população, Joaquim Barbosa também simboliza a possibilidade de um presidente negro com forte representatividade histórica, já que foi o primeiro ministro negro a ganhar grande projeção nacional no STF.</p>



<p>Entretanto, sua eventual candidatura enfrenta dificuldades importantes. A primeira delas é a questão da saúde, frequentemente apontada como frágil. A segunda é a instabilidade política de sua trajetória: em outras ocasiões, ele já demonstrou interesse em disputar eleições, mas acabou desistindo. Isso gera dúvidas sobre a continuidade de um projeto eleitoral.</p>



<p>Além disso, apesar de sua relevância simbólica, Joaquim Barbosa não conseguiu, ao longo de sua passagem pelo Supremo, construir ou agregar um campo mais amplo de lideranças negras e políticas ao seu redor. Essa limitação levanta questionamentos sobre sua capacidade de articulação e sustentação política.</p>



<p>Por essas razões, permanece a dúvida sobre se sua candidatura conseguirá, de fato, se consolidar e avançar.</p>
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		<title>Maternidade e Carreira: as mães talentosas que o mercado perde</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/maternidade-e-carreira-as-maes-talentosas-que-o-mercado-perde/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carolina Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2026 10:16:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por: M&#225;rcia Silveira Existe uma contradi&#231;&#227;o evidente em muitas empresas. Afirmam buscar profissionais com alta adaptabilidade, intelig&#234;ncia emocional, gest&#227;o de crise, autonomia, organiza&#231;&#227;o e tomada de decis&#227;o. No entanto, raramente reconhecem que essas compet&#234;ncias s&#227;o intensamente desenvolvidas na experi&#234;ncia da maternidade &#8212; especialmente entre m&#227;es solo, at&#237;picas e mulheres que concentram m&#250;ltiplas responsabilidades. Quando essas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Por: Márcia Silveira</p>



<p>Existe uma contradição evidente em muitas empresas. Afirmam buscar profissionais com alta adaptabilidade, inteligência emocional, gestão de crise, autonomia, organização e tomada de decisão. No entanto, raramente reconhecem que essas competências são intensamente desenvolvidas na experiência da maternidade — especialmente entre mães solo, atípicas e mulheres que concentram múltiplas responsabilidades.</p>



<p>Quando essas habilidades são adquiridas fora dos ambientes corporativos tradicionais, raramente são reconhecidas como competências estratégicas. Deixam de ser diferencial e passam a ser obrigação implícita. Falar sobre isso é uma questão de inteligência empresarial.</p>



<p>A discussão sobre maternidade e carreira ainda é, em grande parte, conduzida sob uma lógica de conciliação. Entretanto, isso parte de um pressuposto de que as estruturas já estão adequadas e que cabe às mulheres apenas equilibrar. Creio que o ponto central não seja este, mas sim: por que insistimos em um modelo que não contempla a realidade de quem sustenta múltiplas jornadas?</p>



<p>O mercado de trabalho foi estruturado por uma lógica linear de disponibilidade, previsibilidade e dedicação contínua. Na maternidade solo, a situação se agrava. Ela não representa apenas a ausência de um parceiro na criação dos filhos…Implica centralizar responsabilidades financeiras, emocionais, operacionais e decisórias.</p>



<p>Outro ponto é a tendência de associar rede de apoio exclusivamente à família. A carreira e o financeiro organizados também viabilizam acesso a profissionais qualificados, suporte técnico e soluções que ampliam a segurança e o bem-estar da criança. Uma rede de apoio mais estável e imune às instabilidades que por vezes assolam as relações.</p>



<p>Nos últimos anos, vimos avanços na discussão sobre maternidade e carreira, mas essas iniciativas ainda são pontuais frente à complexidade do desafio. Além disso, é essencial desenvolver líderes capazes de aprimorarem o reconhecimento de competências, realidades diversas e de superarem a premissa de que todos partem de condições iguais.</p>



<p>Enquanto essa transformação não ocorre, o mercado perde talentos no pós-maternidade ou deixa as mães longe do potencial de contribuição empresarial que poderiam gerar. A reflexão hoje é: precisamos com urgência investir em caminhos práticos como a flexibilização das formas de trabalho, o diálogo integrado com as redes de apoio e o alinhamento de execução das atividades em cada fase.</p>



<p>Empresas que compreenderem a maternidade como potência de liderança, e não como limitação operacional, estarão mais preparadas para reter talentos, ampliar inovação e construir culturas verdadeiramente sustentáveis.</p>
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		<item>
		<title>Negócios negros no Brasil: quando o consumo não sustenta quem produz</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/negocios-negros-no-brasil-quando-o-consumo-nao-sustenta-quem-produz/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carolina Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2026 09:20:39 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Carreira e Crescimento]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por: Rachel Maia Os resqu&#237;cios da Aboli&#231;&#227;o da Escravatura &#8212; sem a devida repara&#231;&#227;o &#8212;, que perduram h&#225; mais de um s&#233;culo, afetam empres&#225;rios negros e a popula&#231;&#227;o negra, al&#233;m de impedirem o avan&#231;o econ&#244;mico do Brasil O consumo negro no Brasil movimenta R$ 1,9 trilh&#227;o por ano de acordo com o estudo &#8220;O Consumo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Por: Rachel Maia</p>



<p><em>Os resquícios da Abolição da Escravatura — sem a devida reparação —, que perduram há mais de um século, afetam empresários negros e a população negra, além de impedirem o avanço econômico do Brasil</em></p>



<p>O consumo negro no Brasil movimenta R$ 1,9 trilhão por ano de acordo com o estudo “O Consumo Invisível da Maioria”, realizado em 2025 pelos institutos Akatu e DataRaça. No entanto, segundo dados do portal Sebrae existe um déficit de 59% no faturamento de empresárias negras em comparação ao de empresários brancos.</p>



<p>Isso explica por que esse fluxo não se converte, na mesma proporção, na sustentação de negócios negros. Não porque falte intenção, mas porque o sistema foi desenhado para que o dinheiro circule e se concentre fora dessas iniciativas. Esse descompasso revela uma engrenagem histórica que organiza quem consome, quem produz e, principalmente, quem acumula.</p>



<p>Ao longo das últimas décadas, a população negra ampliou seu poder de consumo, fruto de avanços sociais, maior acesso à educação e inserção no mercado de trabalho. No entanto, esse crescimento não foi acompanhado por um fortalecimento equivalente ao empreendedorismo negro em escalada. O resultado é um fluxo constante de riqueza que sai das mãos de quem consome, mas raramente permanece com quem compartilha das mesmas origens, referências e territórios.</p>



<p>Esse fenômeno não é acidental, ele está diretamente ligado às barreiras estruturais que limitam o crescimento dos negócios negros. Trata-se de concorrência em condições historicamente desiguais, falta de acesso a crédito, menor capital inicial, redes de contato mais restritas e dificuldades de inserção em grandes cadeias de distribuição.&nbsp;</p>



<p>Liana Santos, empresária e estilista à frente da Liana d’Áfrika, no Rio de Janeiro, é uma referência quando o assunto é moda, mas, infelizmente, também integra as estatísticas de negócios que enfrentam grandes desafios para manter a saúde financeira da empresa e escalar novas oportunidades. Mesmo entregando figurinos autênticos e de qualidade para pessoas influentes, ela ainda não se encontra entre as empresas de alto poder aquisitivo.</p>



<p>“O cenário contemporâneo revela uma contradição latente: embora o poder de compra da população negra movimente cifras bilionárias, o fluxo desse capital raramente se cristaliza na manutenção e no florescimento de empresas de propriedade negra. No segmento da moda afro atemporal, exemplificado pelo rigor estético e cultural da Lianad’Áfrika, o desafio transcende a criação artística; ele reside no enfrentamento de gargalos econômicos e de uma desigualdade social historicamente estratificada”, afirma a empresária.</p>



<p>Há uma dinâmica sofisticada de apropriação cultural: grandes marcas utilizam elementos de estética, de linguagem e de comportamento negro e transformam identidade em produto sem, necessariamente, redistribuir valor para as comunidades que originam essas expressões. O consumo acontece, a influência é reconhecida, mas a estrutura de retorno permanece concentrada.</p>



<p>“Enquanto grandes corporações absorvem a estética afrodescendente como tendência sazonal, marcas autorais enfrentam déficit de aportes e créditos, logística e insumos e invisibilidade seletiva. Para a Lianad’Áfrika, posicionar-se no nicho da moda afro atemporal não é apenas uma escolha estilística, é um ato de insurgência econômica. A atemporalidade propõe um consumo consciente, oposto ao descarte desenfreado, exigindo que o consumidor compreenda o valor intrínseco de cada peça”, contextualiza Liana.</p>



<p>Outro ponto central é a fragmentação. O consumo negro, apesar de expressivo, ainda não opera de forma articulada como estratégia econômica coletiva. Diferentemente de outros grupos que historicamente estruturaram redes de apoio, financiamento e circulação interna de capital, no Brasil essa lógica ainda está em construção. O resultado é um mercado potente, porém disperso, que não consegue, sozinho, sustentar cadeias produtivas robustas.</p>



<p>“O mercado consumidor muitas vezes celebra a cultura, mas negligência o CNPJ negro, optando por alternativas de fast fashion que mimetizam a identidade africana sem o devido lastro de pertencimento. Apoiar marcas que, sobretudo, têm como propósito a conscientização da importância da sustentabilidade em suas produções e comercialização é reconhecer que a moda afro não é um adereço momentâneo, mas uma expressão de continuidade histórica que demanda, acima de tudo, viabilidade econômica e justiça social”, ressalta a estilista.</p>



<p>Reduzir essa questão a uma escolha individual — “consumir de negócios negros” — também é insuficiente. A responsabilidade não pode recair apenas sobre o consumidor. Sem políticas públicas consistentes, acesso ampliado ao crédito, incentivo à formalização e inclusão em grandes mercados, o esforço individual tende a esbarrar em limites estruturais.</p>



<p>O consumo já existe e é relevante. O grande desafio é construir um ecossistema capaz de reter valor. Isso implica repensar cadeias produtivas, fomentar redes de negócios, ampliar o acesso ao capital e, sobretudo, reconhecer que o desenvolvimento econômico passa, necessariamente, pela redistribuição de oportunidades.</p>



<p>Transformar consumo em poder econômico exige intencionalidade, estratégia e estrutura. Não se trata apenas de onde o dinheiro é gasto, mas de como ele circula, onde ele permanece e quem ele fortalece ao longo do caminho. Enquanto essa engrenagem não for redesenhada, o paradoxo persiste: um mercado expressivo desenhado por empresários negros, que movimenta riqueza, mas ainda luta para convertê-la em base sólida de autonomia econômica.</p>



<p>Somos muito mais que consumidores, produzimos intelectualidade, cultura e produtos, e compartilhamos saberes em grande escala. Para que os negócios negros se tornem um pilar de prosperidade coletiva, é necessário valorizar a cultura e seus criadores.</p>
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		<item>
		<title>O futuro da construção civil sem os herdeiros de quem ergueu o país</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/o-futuro-da-construcao-civil-sem-os-herdeiros-de-quem-ergueu-o-pais/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Halitane Rocha]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Mar 2026 17:30:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por: Rosimeire Cruz Sempre que me deparo com uma constru&#231;&#227;o, um espa&#231;o ou pr&#233;dio imponente em expans&#227;o, n&#227;o penso primeiro nos nomes que assinam o projeto. Penso em quem, de fato, colocou a m&#227;o na massa. Em quem carregou o peso, ergueu paredes, moldou estruturas e permaneceu invis&#237;vel. Por tr&#225;s de cada empreendimento, existe uma [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em><strong>Por: Rosimeire Cruz</strong></em></p>



<p>Sempre que me deparo com uma construção, um espaço ou prédio imponente em expansão, não penso primeiro nos nomes que assinam o projeto. Penso em quem, de fato, colocou a mão na massa. Em quem carregou o peso, ergueu paredes, moldou estruturas e permaneceu invisível. Por trás de cada empreendimento, existe uma história que raramente é contada, e é essa que quero contar.</p>



<p>Recentemente, a fala do CEO Luciano Amaral, do setor da construção civil — ao afirmar que “filho de pedreiro não quer mais ser pedreiro” — ecoou como crítica. Mas talvez ela diga mais sobre o próprio setor do que sobre os filhos dos trabalhadores. A questão não é a recusa ao trabalho, mas a recusa à desigualdade histórica que o acompanha, e, infelizmente, a sociedade ainda não está aberta para essa conversa.</p>



<p>A construção civil brasileira sempre foi um retrato fiel das contradições sociais do país: um setor que movimenta bilhões, e que, de acordo com o IBGE, teve alta significativa em 2025 — 5,63% um aumento de 1,65 comparado a 2024 —, mas que, historicamente, sustenta sua base em mão de obra desvalorizada. Durante décadas, naturalizou-se que aqueles que constroem não ocupassem os espaços de decisão. Não por falta de capacidade, mas por ausência de oportunidade — e, sobretudo, por um sistema que condicionou valor à posse de um diploma, o “canudo” que hierarquiza saberes e define quem manda e quem executa.</p>



<p>Nesse contexto, não surpreende que pedreiros, garis, empregadas domésticas e trabalhadores da limpeza tenham sonhado e lutado para que seus filhos trilhassem caminhos diferentes. Tornar-se “doutor” não era apenas uma ambição individual, mas um projeto coletivo de mobilidade social. Era, sobretudo, uma tentativa de romper com um ciclo de invisibilidade e subalternização.</p>



<h2 class="wp-block-heading"><strong>O que eles temem?</strong></h2>



<p>Desde a implementação da Lei de Cotas&nbsp; nº 12.711/2012, o perfil do ensino superior brasileiro se transformou de forma consistente. Hoje, estudantes oriundos da escola pública — muitos deles filhos da classe trabalhadora — já representam a maioria nas universidades federais, ultrapassando 50% das matrículas. Entre esses, há um crescimento significativo de jovens negros, de baixa renda e de primeira geração no ensino superior.&nbsp;</p>



<p>É justamente esse novo horizonte, em que os filhos de pedreiros podem ser engenheiros, arquitetos, gestores ou o que desejarem, que tensiona a lógica histórica do setor. A crítica do CEO, por tanto, está mais relacionada a uma estrutura social que deseja que o rio siga pelo mesmo curso. Pois, só assim, eles seguirão lucrando enquanto a sociedade empobrece e é impedida de acessar os espaços que construiu.</p>



<p>O que está em curso agora não é um desinteresse pelo trabalho na construção civil, mas uma transformação estrutural. O jogo, de fato, mudou, e até posso afirmar que está mudando em velocidade máxima. E isso não acontece por acaso. Há uma reconfiguração das expectativas sociais, impulsionada por políticas públicas de acesso à educação, pela ampliação do debate sobre desigualdade e pela crescente consciência de direitos.</p>



<p>Mas essa mudança revela uma tensão: o setor que sempre dependeu dessa força de trabalho começa a sentir os efeitos de décadas de desvalorização. Quando os filhos daqueles que construíram o país passam a buscar outros caminhos, o que se evidencia não uma crise de interesse, mas uma crise de reconhecimento.</p>



<p>Há, ainda, um elemento que raramente é discutido: a desclassificação simbólica de profissões essenciais. Uma mistura de preconceito estrutural, herança histórica e ignorância social fez com que trabalhos fundamentais fossem tratados como menores. E, ao fazer isso, o mercado não apenas precarizou essas funções, como também afastou novas gerações delas.</p>



<p>Ao olhar para esse cenário, não vejo apenas uma defasagem de mão de obra. Vejo um sistema que, por muito tempo, se apropriou de trabalhadores altamente qualificados — mestres do ofício — enquanto os convencia de que seu saber valia menos do que o saber formal, e, com isso, alimentaram nessas camadas o desejo de que seus filhos olhassem para o topo.</p>



<p>Mas é preciso dizer, também, de onde viemos. Este texto é, antes de tudo, uma homenagem a milhões de brasileiros que ergueram este país com as próprias mãos, e, de forma especial, ao meu pai, Ercio Cruz. Mesmo sem acesso pleno à educação formal, sem ter tido a oportunidade de aprender a ler e escrever como deveria, ele se tornou uma referência na construção a seco/s<em>tell frame</em>. Lê uma planta com precisão, domina a técnica como poucos e sempre se orgulha de nunca ter feito concessões que colocassem vidas em risco.</p>



<p>Conhecido como o “Rei do Gesso”, aos 73 anos, ele ainda trabalha. Não apenas por amor ao ofício, mas por necessidade. Depois de quase seis décadas dedicadas à profissão, ajudando a erguer shoppings e empreendimentos de alto padrão, foi aposentado com apenas um salário mínimo.</p>



<p>Sua trajetória revela o descompasso que sustenta esse modelo: quem domina o fazer permanece distante do reconhecimento e da remuneração que esse saber produz. O que está em jogo agora é a ruptura dessa lógica, quando o conhecimento que sempre construiu passa, finalmente, a disputar também o direito de decidir, de ascender e de ser valorizado em todas as dimensões.</p>
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		<title>O impacto de Pecadores no audiovisual, na cultura e na economia do povo negro</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/o-impacto-de-pecadores-no-audiovisual-na-cultura-e-na-economia-do-povo-negro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carolina Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Mar 2026 19:13:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema Negro]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Rachel Maia O lan&#231;amento do filme Pecadores n&#227;o provocou apenas rea&#231;&#245;es est&#233;ticas ou narrativas. Especialmente ap&#243;s sua indica&#231;&#227;o ao Oscar 2026, que ampliou sua visibilidade internacional, o longa escancarou as estruturas da ind&#250;stria cinematogr&#225;fica &#8212; e, mais do que isso, revelou como o audiovisual pode impactar diretamente a cultura e a economia do povo [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Por Rachel Maia</p>



<p>O lançamento do filme <em>Pecadores</em> não provocou apenas reações estéticas ou narrativas. Especialmente após sua indicação ao Oscar 2026, que ampliou sua visibilidade internacional, o longa escancarou as estruturas da indústria cinematográfica — e, mais do que isso, revelou como o audiovisual pode impactar diretamente a cultura e a economia do povo negro.&nbsp;</p>



<p>Não se trata apenas da história contada na tela, mas daquilo que aconteceu fora dela: Ryan Coogler, o diretor, garantiu o corte final do filme e uma porcentagem dos lucros das exibições nos cinemas desde o início — diferentemente do modelo tradicional de Hollywood, no qual os diretores recebem parte dos ganhos após a comprovação do sucesso financeiro do filme.</p>



<p>Ao mesmo tempo em que o filme se propõe a discutir exploração, poder e desigualdade racial, os bastidores de sua produção ecoam essas questões, transformando a obra em um marco que vai além da tela e tensiona as estruturas do próprio mercado.</p>



<p>Em um setor historicamente marcado por assimetrias, sobretudo quando se trata de profissionais negros, essa iniciativa foi vista como uma ameaça ao modelo vigente. E isso é mais um fator que torna <em>Pecadores</em> tão relevante: o filme não apenas denuncia desigualdades, mas exige, na prática, medidas mais equitativas capazes de reestruturar a indústria. Afinal, se um projeto demonstra que é possível valorizar adequadamente roteiristas, diretores e equipes —&nbsp; o que nos faz vislumbrar um mundo mais justo para todos —, vale a ousadia.&nbsp;</p>



<div class="wp-block-cover"><img decoding="async" width="1008" height="567" class="wp-block-cover__image-background wp-image-95412" alt="" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2.png" data-object-fit="cover" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2.png 1008w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2-300x169.png 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2-150x84.png 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2-768x432.png 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2-747x420.png 747w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/03/image-2-696x392.png 696w" sizes="(max-width: 1008px) 100vw, 1008px" /><span aria-hidden="true" class="wp-block-cover__background has-background-dim"></span><div class="wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-large-font-size">Foto: divulgação</p>
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<p>Para Letícia Castor, jornalista e crítica de cinema, que atua no mundo corporativo como comunicadora especializada em Diversidade, Equidade e Inclusão (DE&amp;I), o filme vai na contramão do que os estúdios estão dispostos a investir.</p>



<p>“Ryan Coogler, diretor de obras como <em>Pantera Negra</em> e <em>Creed: Nascido para Lutar,</em> conseguiu trazer em um filme de horror, <em>Pecadores</em>, uma analogia sobre como aqueles com mais poder sugam a vida e os direitos dos subjugados no Mississippi da década de 1930, na era Jim Crow”, destaca Letícia, reforçando que a escolha do gênero não é acidental — é estratégica. O horror, aqui, não está apenas nas criaturas da tela. Essa escolha estética amplia a discussão e reforça que o audiovisual movimenta todo um ecossistema, já que é por meio da cultura que construímos contextualizações de inclusão e conexão com a sociedade.</p>



<p><em>Pecadores </em>opera em duas camadas. Na superfície, apresenta uma narrativa que denuncia a exploração de pessoas negras por estruturas de poder. Em um plano mais profundo, porém, o filme se torna um espelho da própria indústria que o produziu. A ficção e a realidade se cruzam de forma quase inevitável: o que é denunciado na trama se manifesta, de maneira concreta, nas reações do mercado.</p>



<p>“Ryan protegeu o trabalho de pessoas historicamente excluídas e se recusou a jogar o jogo de Hollywood, assegurando que todo lucro (cinemas, streamings, merchandising) vá diretamente para o seu bolso, e não para o dos estúdios e distribuidoras. Mais do que isso, ele protegeu a propriedade intelectual de sua criação e o legado de sua obra ao conseguir em seu acordo com a distribuidora que os direitos autorais retornassem a ele após 25 anos. E que obra! <em>Pecadores </em>bateu o recorde de indicações ao Oscar, com 16 nomeações. O filme levou para casa as estatuetas de Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora, Melhor Roteiro Original e Melhor Ator Principal para Michael B. Jordan. Aqui, temos uma vitória agridoce, já que Michael é o sexto homem negro na história do Oscar a vencer na categoria. É motivo de celebração? Com certeza. Mas é também de reflexão sobre os vieses da Academia (e de toda indústria), afinal, estamos falando da 98ª edição da cerimônia”, enfatiza a jornalista.&nbsp;</p>



<p>A resistência a mudanças estruturais não é novidade. Ao longo da história do cinema e do meio corporativo, avanços em DE&amp;I e impacto social frequentemente enfrentam barreiras — muitas vezes veladas, outras explícitas. O que diferencia o momento atual é a crescente visibilidade dessas tensões. O público está mais atento, os profissionais mais organizados e as narrativas mais conscientes de seu papel político.</p>



<p>O filme cumpre uma função que vai além do entretenimento. Ele gera discussão, provoca e, sobretudo, evidencia que oportunidade, ética e reconhecimento — quando aplicados de fato — redistribuem o poder, principalmente o econômico.</p>
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		<title>Morte da médica negra retrata perfilamento racial endêmico da PM e exige aprovação imediata do PL sobre homicídio racial</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/morte-da-medica-negra-retrata-perfilamento-racial-endemico-da-pm-e-exige-aprovacao-imediata-do-pl-sobre-homicidio-racial/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carolina Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Mar 2026 19:31:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 1948 o lend&#225;rio Abdias do Nascimento enviou uma Carta aberta ao Chefe de Pol&#237;cia do Rio de Janeiro, na qual denunciava que: &#8221;Basta um negro ser detido por qualquer coisa insignificante &#8211; assim como n&#227;o ter uma simples carteira de identidade &#8211; para ser logo tratado como se j&#225; fosse um criminoso. Dir-se-ia que [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em 1948 o lendário Abdias do Nascimento enviou uma Carta aberta ao Chefe de Polícia do Rio de Janeiro, na qual denunciava que: ”<em>Basta um negro ser detido por qualquer coisa insignificante &#8211; assim como não ter uma simples carteira de identidade &#8211; para ser logo tratado como se já fosse um criminoso. Dir-se-ia que a polícia considera o homem de cor um delinquente nato, e está criando o delito de ser negro</em>”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mais de meio século depois o Supremo Tribunal Federal reproduzia, com outras palavras, o pungente postulado de Mestre Abdias, agora revestido de força própria de sentença proferida por nossa mais alta Corte. Disse o STF no julgamento do denominado HC do Perfilamento Racial:</p>



<p>“<em>Os policiais não podem decidir abordar pessoas apenas com base em sua raça, sexo, orientação sexual, cor da pele ou aparência física. Essa conduta discriminatória desrespeita a dignidade humana e viola outros direitos fundamentais previstos na Constituição. A revista só pode ser realizada quando a pessoa estiver em posse de arma de uso proibido ou com objetos que indiquem a prática de crime</em>.”(STF – Pleno, HC 208.240, j. 11.04.2024)&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Transcorridos poucos dias deste julgamento paradigmático, a questão do racismo intencional voltou a ser tratada pelo pleno de nossa Suprema Corte, com reconhecimento explícito de discriminação racial praticada diariamente por todo o sistema de persecução penal:</p>



<p><em>“</em>(&#8230;)<strong><em>O branco, para ser considerado traficante, tem de ter 80% a mais que o preto ou pardo</em></strong><em>. (&#8230;) Isso realmente vem gerando uma discricionariedade exagerada, insisto, no início da <strong>autoridade policial, passando pelo Ministério Público e chegando ao Poder Judiciário. Todo sistema de persecução penal vem gerando discriminação, porque as medianas quantitativas são muito diferentes nos critérios de grau de instrução, idade e cor da pele</strong>. Não há razoabilidade para isso. O estudo demonstra que não há razoabilidade para isso</em>. (&#8230;)<strong><em>Por exemplo, um analfabeto negro e jovem leva desvantagem em relação a um branco maior de 30 anos, com curso superior, que pode ter, às vezes, até 136% a mais de droga. Não há razoabilidade nisso</em></strong><em>. </em>(STF – RE 635.659 – Rel. Gilmar Mendes, j. 26.6.24 – extratos do voto vista do Ministro Alexandre de Moraes)</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Analisando o fuzilamento perpetrado no último domingo, a sangue frio, que destroçou a trajetória luminosa da médica negra Dra. Andréa Marins Dias caberia perguntar, à luz destes julgados, qual seria a arma ou objetos de crime que ela levava consigo? Teria esboçado alguma reação? Teria pronunciado algo inconveniente aos ouvidos sensíveis do agente de autoridade policial que insiste em ser tratado como autoridade?</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A resposta, como sabemos, é terminanente negativa! Bastou que ela fosse negra para que o agente se sentisse autorizado – com aval de boa parte da sociedade, diga-se – a alvejá-la, ciente de que logo surgiriam as teses do “engano”, do “fato isolado”, a velhacaria dos “afastamentos temporários” e no fim da linha uma provável sentença de um tribunal militar decretandoque 257 disparos efetuados na direção de um veículo não demonstram intenção de matar – como no caso do músico Evaldo dos Santos Rosa.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Como diz a famosa canção de Caetano e Gil, “Haiti”, “todos sabem como se tratam os pretos”!!!</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Há décadas o Brasil é signatário de uma Convenção para Prevenção e Repressão ao Crime de Genocídio e adotou uma lei federal que pune este tipo de crime, ambas dormitando em berço esplêndido num país em que milhões de pessoas tratam a temática racial como “mimimi”.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Assombrado com a naturalização do genocídio da juventude negra no Brasil, em 2020 o Senador Paulo Paim apresentou o projeto de lei n. 5404/2020 criando uma circunstância qualificadora (espécie de agravante) do homicídio motivado por clivagem racial – exatamente como no caso da Dra. Andréa Dias e de milhares de indivíduos mortos diariamente pelo fato de serem negros.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mais do que uma qualificadora racial do homicídio, ja passa da hora de o Congresso Nacional criar um tipo autônomo de genocídio no Código Penal – a exemplo do feminicídio – com causas de aumento de pena (na hipótese de vítima criança, gestante ou idoso/a por exemplo), aplicando-lhe a Lei dos Crimes Hediondos, agravando a lei de execução penal e assegurando prioridade de tramitação.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Dra. Andréa Dias foi morta pela violência racial, por desprezo ou discriminação à sua condição racial – fosse uma loira pobre muito provavelmente estaria viva – porquanto a resposta punitiva deve ser condizente com a gravidade da conduta.</p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Não é aceitável que a imolação da Dra. Andréa Dias tenha sido em vão ou seja empurrada, com a passagem do tempo, para a galeria do naturalização e da impunidade – já alertava Abdias nos anos cinquenta do século passado.</p>



<p><strong>Hédio Silva Jr</strong>., Advogado, Mestre e Doutor em Direito pela PUC-SP, escritor e conferencista, é fundador do IDAFRO – Instituto de Defesa dos Direitos das Religiões Afro-brasileiras e do Jusracial @drhediosilva</p>



<div class="wp-block-cover"><img decoding="async" width="768" height="507" class="wp-block-cover__image-background wp-image-95369" alt="" src="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/03/image.png" data-object-fit="cover" srcset="https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/03/image.png 768w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/03/image-300x198.png 300w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/03/image-150x99.png 150w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/03/image-636x420.png 636w, https://mundonegro.inf.br/wp-content/uploads/2026/03/image-696x459.png 696w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><span aria-hidden="true" class="wp-block-cover__background has-background-dim"></span><div class="wp-block-cover__inner-container is-layout-flow wp-block-cover-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-large-font-size">Foto: OAB Campinas</p>



<p></p>
</div></div>



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		<title>O que fica depois do Dia da Consciência Negra?</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/o-que-fica-depois-do-dia-da-consciencia-negra/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Silvia Nascimento]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Nov 2025 15:47:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Let&#237;cia Castor e Rosimeire Cruz As reflex&#245;es acerca do Dia da Consci&#234;ncia Negra e de Zumbi dos Palmares &#8212; uma data que potencializa a luta do povo negro por seu lugar de direito &#8212; s&#227;o tamb&#233;m um dia de balan&#231;o e de revela&#231;&#227;o. Para onde estamos caminhando? E a quem a narrativa do racismo [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Por <a href="https://www.instagram.com/betweentwolungs_">Letícia Castor</a> e <a href="https://www.instagram.com/rosimeireecruz/">Rosimeire Cruz</a></p>



<p>As reflexões acerca do Dia da Consciência Negra e de Zumbi dos Palmares — uma data que potencializa a luta do povo negro por seu lugar de direito — são também um dia de balanço e de revelação. Para onde estamos caminhando? E a quem a narrativa do racismo importa?</p>



<p>Muitas dessas respostas estão nos nossos discursos repetidos insistentemente e exaustivamente — não por nosso desejo — uma vez que ainda somos apenas 8% nos cargos de lideranças, ainda somos apenas 11% nas universidades, ainda não chegamos ao Supremo Tribunal Federal (STF), ainda somos nós que, mesmo sendo protagonistas de tantas narrativas, seguimos sendo invisibilizados pela sociedade e pelos algoritmos.</p>



<p>Quando chegamos “lá”, todo e qualquer movimento nos coloca à prova e nos questiona se de fato aquele lugar nos pertence. O que só acontece quando a cor da pele antecede o saber. Não somos parte do seleto grupo dos 1% mais ricos do Brasil. Mas ainda somos nós que fazemos a economia girar desde os primórdios.&nbsp;</p>



<p>O Dia da Consciência Negra, que esse ano pela primeira vez engloba todo o território brasileiro, move milhões de posts, comentários, campanhas, palestras e por aí vai — o que é ótimo! Informação e ações antirracistas são sempre bem-vindas. Mas, e após o dia 20, como fica este cenário?&nbsp;</p>



<p>Para além dos discursos inspiradores e das campanhas institucionais, seguimos convivendo com estruturas que insistem em manter as mesmas hierarquias de sempre. E é aqui que números importam. Segundo o IBGE, pessoas negras representam mais de 56% da população brasileira, mas continuam sendo minoria nos espaços de decisão: ocupam menos de 30% dos cargos de liderança no país, e apenas 5% chegam aos altos postos executivos.</p>



<p>Esses dados não são apenas estatísticas; são sobre um cenário desigual que ainda trata diversidade como pauta de marketing, e não como estratégia de sustentabilidade social e econômica. Uma pesquisa da McKinsey mostra que organizações com maior diversidade racial em posições de liderança têm até 33% mais chance de superar a concorrência. Já provamos nossa capacidade, já trouxemos resultados, e o que fica evidente é que essa luta não deve ser do povo negro, e sim da sociedade brasileira.</p>



<p>O racismo não precisa de grandes acontecimentos para existir: ele opera no cotidiano, silenciosamente, moldando oportunidades, expectativas e até a forma como pessoas negras são percebidas antes mesmo de abrirem a boca. São questionadas, interrompidas e abordadas independentemente de sua classe social. Há um comportamento que impera na sociedade e que é naturalizado: o de que uma pessoa preta, não importa seu grau de conhecimento ou lugar hierárquico, está sempre a serviço. Portanto, tudo bem importuná-la com perguntas descabidas sobre sua aparência, profissão e, consequentemente, pautas racistas.</p>



<p>Podemos observar essa dinâmica em programas de debate. No <em>Saia Justa</em>, por exemplo, a vivência de raça e classe molda fortemente o discurso. É um estudo de caso que diz muito sobre a nossa sociedade: temos ali uma diversidade de mulheres e temas, e a reação de cada uma delas evidencia como suas diferentes realidades as impactam, com maior ou menor intensidade.&nbsp;</p>



<p>Quando a pauta é raça e classe social, percebemos a dor sobressaltando em Érika Januza, mulher negra retinta de origem periférica. Já Bela Gil, mulher negra nascida em uma família miscigenada, intelectual, de posses e com traços que não são identificados de imediato como características da negritude, compreende o discurso, participa ativamente, mas não transmite o sofrimento que recai sobre o tema, pois não foi afetada diretamente por ele, dado que sua pele mais clara e classe social a colocaram em uma posição mais privilegiada e protegida, como dita o colorismo.&nbsp;</p>



<p><strong>Eliana Michaelichen, Tati Machado e Astrid Fontenelle </strong>costumam se surpreender, se indignar e colaborar com a discussão — mas até a página dois. Porque, quando as câmeras desligam, elas seguem protagonistas, sem que suas existências sejam questionadas a cada passo, sem serem interpeladas na base ou terem sua legitimidade colocada à prova diariamente.</p>



<p>Já mulheres como Gaby Amarantos, Taís Araújo e Rita Batista saem das mesmas conversas com a necessidade de estarem ainda mais fortes. Precisam retornar ao cotidiano onde o debate não termina: ele continua na rua, no trabalho, nas redes e no corpo. Uma trajetória de expectativas, projeções e luta contínua para não serem únicas nos espaços de destaque.</p>



<p>Continuamos sendo atravessados pelo julgamento, pelo controle, pela dúvida. Seguimos sendo lidos como exceção quando damos certo ou como ameaça quando existimos sem pedir licença. Enquanto isso, há quem permaneça confortável apenas no discurso — especialmente nas datas comemorativas. Reconhece a importância, fala bonito, emociona, compartilha posts… mas vive as mesmas escolhas, nos mesmos círculos, e os mesmos hábitos que sustentam privilégios históricos e alimentam práticas racistas.</p>



<p>Quem não carrega as marcas dessa história precisa ir além da conscientização: precisa aprender a ceder espaço, abrir portas, questionar privilégios, mudar práticas, rever os próprios vieses inconscientes e estar disposto a mudar. Reconhecer as microagressões que recaem sobre pessoas negras e entender qual é o seu papel em sua reprodução. Revisitar o passado é fundamental, mas mapear o presente é o que possibilitará resultados futuros. Entender que representatividade importa, mas não basta; inserir pessoas negras em espaços estratégicos não é concessão, é reparação e inteligência organizacional.&nbsp;</p>



<p>Construir um Brasil onde a cor da pele não tenha relevância na tratativa, um Brasil que seja justo não apenas no discurso, mas também na prática, é um dever de todos. O que fica depois do Dia da Consciência Negra é, enfim, uma reflexão coletiva para que a mudança seja efetiva para toda sociedade brasileira.&nbsp;</p>



<p>A palavra coragem sempre esteve no topo para que o povo negro pudesse avançar. Agora, já está mais do que na hora de a sociedade brasileira tomá-la para si e ter a coragem de mudar práticas, revisar privilégios e assumir responsabilidades nos demais 364 dias do ano.&nbsp;</p>



<p>Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil</p>



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		<title>Novembro Azul: dados, riscos e como identificar precocemente o câncer de próstata</title>
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		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Nov 2025 08:41:22 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[câncer de próstata]]></category>
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<p><strong><em>Por: Dr. Sahna Wilbonh de Barros, Médico urologista e titular da Sociedade Brasileira de Urologia (CRM-SP 144.578 / RQE 65.633)</em></strong></p>



<p>A próstata é uma glândula que faz parte do sistema urogenital masculino, cuja secreção compõe parte do esperma, auxiliando na fecundação. Este órgão se localiza na pelve, anteriormente ao reto e abaixo da bexiga, envolvendo a parte inicial da uretra. Estas relações permitem que a próstata seja examinada através do reto (por meio do toque ou por equipamentos) e explicam porquê afecções da próstata têm variadas repercussões nas funções reprodutiva e urinária.</p>



<p>O tumor maligno (câncer) da próstata é uma doença de grande relevância médica e socioeconômica. Trata-se da neoplasia mais prevalente no sexo masculino, quando excluímos os tumores de pele não-melanoma (que baixa repercussão clínica). Dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer) estimam que ocorreram cerca de 72.000 novos casos ao ano (cerca de 30% de todos os cânceres em homens no Brasil) e quase 70 novos casos para cada 100.000 homens no período de 2023 a 2025.</p>



<p>Pelo menos 1 em cada 9 homens será afetado em algum momento da vida, mas, além de sua frequência, também preocupa sua mortalidade, pois é o 2º câncer mais letal, com cerca de 16.000 óbitos anuais no país (aproximadamente 1 a cada 40 minutos).</p>



<p>Esses dados trazem a importância da conscientização sobre o tema, visto que não há estratégias bem definidas de prevenção deste tumor, embora estilo de vida saudável possa reduzir o seu aparecimento (ter alimentação saudável, praticar atividade física e evitar obesidade). Focamos então no diagnóstico precoce, com objetivo de detecção da doença nas fases iniciais (quando os índices de cura são muito elevados), porém, nesta fase, a doença não apresenta sintomas, havendo necessidade de rastreamento.</p>



<p>Este é feito por meio da combinação do exame digital da próstata e da dosagem do PSA (antígeno prostático específico). O primeiro é feito através do toque retal, que pode indicar alterações sugestivas de câncer (como a presença de nódulos), sendo um exame rápido, acessível e indolor. O segundo é a quantificação da proteína produzida pela próstata, que pode estar elevada em casos de câncer. Deve ser ressaltado que ambos são importantes e complementares, então um não substitui o outro, visto que o PSA pode estar com dosagens normais em até 20% das vezes em que há câncer.&nbsp;</p>



<p>Caso haja alteração em um desses, é fundamental seguir com a investigação complementar, que normalmente é feita com biópsia de próstata, mas que pode ser precedida de ressonância magnética do órgão (exame não invasivo e que possibilita melhor seleção dos casos suspeitos, com redução do número de biópsias desnecessárias e melhor identificação focos suspeitos da doença). Somente a biópsia pode estabelecer o diagnóstico do câncer de próstata, além de informar características que determinam o potencial de agressividade da doença. Esta estratégia é extremamente eficaz e possibilitou a queda de mortalidade pela doença nas últimas décadas.</p>



<p>A doença avançada pode se manifestar com perda de peso, fraturas ósseas, retenção urinária, disfunção erétil e presença de sangue na urina ou no esperma, por exemplo, e, muitas vezes, a cura não é possível nesses estágios.</p>



<p><strong>A Sociedade Brasileira de Urologia indica a realização de rastreamento a partir de 50 anos de idade na população masculina geral e a partir de 45 anos nos homens com fatores de risco (histórico familiar de câncer de próstata e/ou etnia negra).</strong></p>



<p>Sabe-se que a evolução clínica do câncer de próstata pode ser bastante variável, com casos que variam de indolência (tumores de baixa agressividade e baixo risco progressão, logo com mínima interferência na morbimortalidade) até doenças de agressividade elevada (com altos riscos disseminação e de mortalidade).&nbsp;</p>



<p>Por essa razão, as condutas devem ser sempre avaliadas para cada caso e o paciente deve ser informado das possibilidades dentro do cenário da sua doença. O conjunto de avaliações clínicas, laboratoriais, de imagem e os achados da biópsia são essenciais na definição de conduta. Assim, tentamos direcionar tratamentos mais agressivos para casos de maior risco, que ainda que tenham maior risco de complicações como incontinência urinária e disfunção erétil, favorecem a cura. Em casos de baixo impacto clínico, procuramos evitar o super tratamento, visto que tem maiores índices de complicação, sem necessariamente impactar na redução de mortalidade, que já seria baixa.</p>



<p>Entre as diversas opções de manejo da doença destacamos: vigilância ativa, tratamento cirúrgico (denominado prostatectomia radical e que pode ser por vias aberta, videolaparoscópica ou robótica), radioterapia, hormonioterapia e quimioterapia. Essas modalidades podem ser empregadas de maneira isolada ou combinada na busca do melhor tratamento para cada paciente, sempre visando maiores índices de cura e menores de complicações, com mais sobrevida e melhor qualidade de vida.</p>



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		<title>O papel da mulher negra na integração econômica África–Brasil</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/o-papel-da-mulher-negra-na-integracao-economica-africa-brasil/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 25 Nov 2025 08:36:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[África-Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[economia]]></category>
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		<category><![CDATA[mulher negra]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por: Rachel Maia O fluxo hist&#243;rico e cultural entre &#193;frica e Brasil tem sido uma fonte rica de trocas, saberes, pr&#225;ticas culturais, tecnologias e redes comerciais. Num momento em que cadeias de valor se reconfiguram, as mulheres negras surgem como protagonistas imprescind&#237;veis da integra&#231;&#227;o econ&#244;mica entre os dois territ&#243;rios. Mais um m&#234;s de novembro chega [&#8230;]</p>
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<p><strong><em>Por: Rachel Maia</em></strong></p>



<p>O fluxo histórico e cultural entre África e Brasil tem sido uma fonte rica de trocas, saberes, práticas culturais, tecnologias e redes comerciais. Num momento em que cadeias de valor se reconfiguram, as mulheres negras surgem como protagonistas imprescindíveis da integração econômica entre os dois territórios.</p>



<p>Mais um mês de novembro chega ao fim, e pensar no quanto os nossos negócios impactam positivamente o mercado é motivo para um fortalecimento estratégico e de investimentos condizentes com o valor agregador entre países que crescem mutuamente, por sua cultura, resistência e, principalmente, soluções.</p>



<p>Russa de nascimento, angolana de origem e naturalizada brasileira, Marília Simão é founder e CEO da MAD IN. Ela, que tem uma extensa formação nas áreas da comunicação, marketing e finanças, divide aqui suas percepções e colaboração nessa conexão crescente entre o Brasil e o continente africano.</p>



<p>“Tenho observado, a partir da minha trajetória à frente da MAD IN, uma necessidade sem precedentes de diálogo econômico entre África e Brasil. Esse movimento vai além do comércio; é uma reconstrução de identidade e de propósito entre povos que compartilham raízes e visão de futuro. Nos últimos anos, o comércio entre Brasil e países africanos ultrapassou US$13 bilhões em 2024, segundo o Itamaraty, marcando uma nova fase da cooperação Sul–Sul e abrindo espaço para lideranças femininas e negras”, enfatiza a CEO.</p>



<p>Laços históricos e contemporâneos com territórios africanos mantêm vivas trocas comerciais, e a luta das mulheres negras que desde o período colonial, transformam conhecimentos tradicionais em formas de subsistência, resistência e empreendedorismo. Setores como moda e design afrocentrado, cosméticos e cuidados capilares com base em insumos naturais, agroindústria de produtos típicos, artesanato, gastronomia e economia criativa (música, audiovisual) são exemplos de negócios que convertem autenticidade em diferencial competitivo.</p>



<p>“A juventude africana vive um momento de autodomínio econômico notável. Startups e projetos de impacto social florescem em todo o continente, impulsionando setores como agro, mineração e energias renováveis. Essa força produtiva mostra uma geração disposta a transformar potencial em protagonismo, e o Brasil tem muito a contribuir com tecnologia, experiência e afinidade cultural”, afirma Marília.</p>



<p>Mesmo com potencial evidente, mulheres negras empreendedoras enfrentam obstáculos estruturais que atravessam ambos os lados do Atlântico: acesso restrito a capital, informalidade e falta de capacitação para exportação são alguns exemplos dos desafios. Apesar disso, há oportunidades concretas para ampliar e consolidar a integração econômica de negócios afrocentrados.</p>



<p>“Como mulher negra e líder, acredito que nossa presença em espaços de decisão não é simbólica, é estratégica. Minha virada empreendedora aconteceu em 2020, após encerrar uma sólida trajetória no mercado financeiro em Angola. Da experiência que acumulei nasceu o desejo de criar soluções que unissem estratégia e propósito — foi assim que fundei a H.up Assessoria, empresa que rapidamente se destacou pela excelência em gestão e estruturação financeira”, comenta a empresária.</p>



<p>Carregar um legado de resistência e criatividade empreendedora faz parte dos nossos modos operandi de sobrevivência. Mulheres que enfrentam obstáculos contínuos e triplas jornadas, criam soluções para si e para suas comunidades, muitas vezes sem entenderem, tão somente, a extensão comercial em que se aplica seu modelo de negócio.</p>



<p>“No mês de novembro, celebramos tanto o Dia da Consciência Negra quanto o Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino, datas que simbolizam a resistência e o poder transformador da mulher negra. Na MAD IN, vejo diariamente esse poder se materializar em ação com mulheres como Fatima Martinazzo, Ruth Silva, Barbara Lins e prof. dra Regla Massahud que me auxiliam com suas expertises e, nas mulheres em geral que lideram, criam soluções e constroem pontes entre continentes. Elas representam não apenas o futuro do empreendedorismo, mas o presente da inovação inclusiva”, enfatiza Simão.</p>



<p>Estamos diante de dados que refletem não apenas a dimensão comercial, mas o amadurecimento do mercado global e de finanças entre o Brasil e continente africano — um terreno fértil para parcerias estratégicas e de impacto, que possibilitaram crescimento exponencial tanto para os países quanto para aqueles que vislumbram negócios sustentáveis e lucrativos.</p>
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