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	<title>Arquivos Artigos - Mundo Negro</title>
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	<description>Uma mídia negra diferente!</description>
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	<title>Arquivos Artigos - Mundo Negro</title>
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		<title>A preta venceu: como a ascensão da pessoa preta pode vir acompanhada de um luto identitário</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/ascensao-negra-luto-identitario-mudanca-realidade/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gabrielly Ferraz]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Aug 2026 16:44:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Maria Gonçalves]]></category>
		<category><![CDATA[ascensão negra]]></category>
		<category><![CDATA[identidade negra]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<category><![CDATA[kehinde]]></category>
		<category><![CDATA[literatura negra]]></category>
		<category><![CDATA[pertencimento]]></category>
		<category><![CDATA[Um defeito de Cor]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Quem vem de uma realidade pobre, perif&#233;rica provavelmente j&#225; ouviu ou reproduziu a seguinte frase: &#8220;agora que ficou rico, n&#227;o fala mais com pobre&#8221;. A ironia do pr&#243;prio t&#237;tulo mora a&#237;: comemora-se a conquista mas existe a cobran&#231;a do pertencimento. Em uma passagem do livro Um Defeito de Cor&#8221; em um momento que a personagem [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Quem vem de uma realidade pobre, periférica provavelmente já ouviu ou reproduziu a seguinte frase: “agora que ficou rico, não fala mais com pobre”. A ironia do próprio título mora aí: comemora-se a conquista mas existe a cobrança do pertencimento. Em uma passagem do livro Um Defeito de Cor” em um momento que a personagem central do livro depois de ter vivido duros anos de escravidão, contrói e conquista uma realidade mais próspera e ela diz “minha vida seguiu um caminho e fui me deixando levar para muito longe do que tinha imaginado. E isso foi bom para mim, que tinha conseguido coisas com as quais os pretos nem sonhavam, não porque sonhassem pequeno, mas porque não sabiam que tais sonhos eram possíveis&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>E esse é um momento em que se nota um outro olhar sobre a personagem, a mediadora de um clube do livro do qual faço parte diz que é aí que vai se instaurando um &#8220;ranço” da kehinde. Esse incômodo de Kehinde surge porque para prosperar após a violência do cativeiro, Kehinde precisou adotar novos hábitos, ser pragmática e ter certa distância da vulnerabilidade que a cercava. Isso pode até ser lido como soberba, mas foi também uma estratégia de sobrevivência. O que leva diretamente para a seguinte questão: como se passa por mudanças significativas na própria vida, mudanças essas que são consequência de um misto de atitudes que foram tomadas justamente para alcançar determinados objetivos, sem permitir também ser transformado? A verdade é que não se passa ileso, a transformação é o preço da entrada. Em ‘Ensinando a transgredir Bell Hooks aborda esse assunto e nos explica que: ‘a educação vem como uma prática da liberdade’, a intelectual aborda toda a complexidade sobre quem vem de lugares de vulnerabilidade social e finalmente ocupa novos espaços, geralmente essas pessoas se encontram na situação que a autora pontua quando diz que &#8220;o preço da entrada costuma ser o abandono da nossa linguagem e costumes originais&#8221;, escancarando que a travessia altera inevitavelmente o sujeito. <br>Logo, como manter uma “essência” que era resultado de uma outra realidade?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>A gente cresce tentando sobreviver, depois tenta conquistar para em algum momento conseguir de fato, viver. E nesse caminho vamos pelos recursos disponíveis, seja através do estudo, trabalho, empreendedorismo, arte, comunicação, qualquer habilidade que possa abrir uma porta que sempre esteve fechada vai ser usada como arma para esse corpo com sede de mudança. Mas existem algumas nuances que precisam ser levadas em consideração, cada passo dado, é uma nova experiência, cada caminho vai exigir algo de você e as pequenas transformações vão acontecendo, até se tornarem grandes demais para quem não te acompanhou no processo, estranhar.<br>No caminho para a conquista,é comum que alguns lugares deixem de fazer sentido, pode ser que algumas conversas já não te despertam tanto interesse e até velhos hábitos acabam ficando incompatíveis com a rotina, e você os deixa para trás. No caminho a gente vai fazendo outras descobertas, e até o que era visto como a meta pode acabar ficando pequeno e as mudanças de estratégias vão acontecendo simultaneamente pois agora você tem acesso a outras informações e entendeu que coisas ainda maiores também são possíveis.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>E, inevitavelmente, algumas pessoas ficam para trás. Se você é uma pessoa que está vivendo constante transformação, como faz para manter na sua vida pessoas ou hábitos que já não tem nada em comum com a pessoa que você se tornou? Já que estão vivendo momentos e experiências completamente diferentes? Como se divide em 2 e mantém o melhor dos dois mundos, como não se perder no caminho, manter a admiração de pessoas próximas que foram importantes em outros momentos e também sem decepcionar pessoas que estão presentes e sendo importantes agora? O mais importante é entender que o afeto e a gratidão continuam ali, independente de quem você se tornou ou está se tornando, mas o dia a dia exige um assunto e um ritmo em comum que a mudança de vida acaba afastando. E a grande ironia do &#8220;a preta venceu&#8221; é essa: se você tentar se desdobrar em duas para agradar todo mundo, acaba não sendo inteira em lugar nenhum. <br>A realidade da vida de pessoas pobres no Brasil às vezes tenta encaixar todos em uma mesma caixinha, existe a romantização da ideia do crescer junto, e essa é a intenção, mas a realidade ainda é muito dura. Nem todo mundo quer o mesmo futuro, nem todo mundo pensa em viver de outra forma, nem todo mundo está insatisfeito com a própria realidade, ainda que seja uma realidade mais simples e nem todo mundo enxerga oportunidade onde você enxerga. E no meio dessa busca existem também muitos códigos que pessoas pretas precisam aprender para conseguir ocupar alguns espaços, frequentar novos lugares, construir novas redes e novos hábitos e fazer constantes adaptações de vida. E ainda assim pode ser que aos poucos, você entenda que não pertence completamente ao lugar de onde veio, mas também nunca pertence totalmente ao lugar onde chegou. </p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>A pessoa negra buscando ascensão possivelmente vive entre mundos. E pode parecer uma piada &#8220;tadinha, está enfrentando dificuldades porque agora tem alguns acessos e um pouco mais de dinheiro&#8221;, mas é basicamente isso, esse não lugar, o “entre mundos” pode sim ser solitário e prejudicial para uma pessoa que provavelmente cresceu em vínculos expansivos, longos e acolhedores. O que você tem agora? Com quem se identifica? Como os &#8220;seus” te olham, o que mudou? Você quer provar que pertence aos dois mundos, mas para qual mundo você mais precisa provar coisas? A escritora Chimamanda Ngozi Adichie, em ‘O perigo de uma história única’, conta que, mesmo sendo de classe média e filha de professores universitários, sua colega de quarto na faculdade nos Estados Unidos sentia uma pena antes mesmo de conhecê-la, ‘‘Sua postura preestabelecida em relação a mim, como africana, era uma espécie de pena condescendente e bem-intencionada” ficando chocada só de ver que ela falava inglês bem.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Na prática, quando a pessoa preta ocupa um novo ambiente, ela sente essa pressão de precisar romper com o estereótipo e provar que a sua capacidade é real. É aí que a ascensão exige uma virada de chave: você precisa assimilar novos códigos e linguagens para garantir seu espaço. Só que a ironia é dupla: de um lado, você precisa provar para o novo mundo que merece estar ali; de outro, precisa provar para o seu mundo de origem que o seu letramento não virou soberba.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>E, no meio dessa maratona para provar algo para todo mundo, acontece uma limitação.<br>Talvez por não ter medido esforços para mudar a própria realidade não tenha sobrado muito tempo para olhar para a própria realidade que te construiu com os olhos de quem você era, e acaba caindo no erro de olhar para esse lugar com as lentes das limitações que você teve.<br>Você esquece que aquilo também construiu você, você esquece que o repertório, a linguagem, a criatividade, a forma de existir e até a força para chegar tão longe nasceram justamente daquele lugar. E a ascensão não tem o direito de apagar essas memórias e sim reverenciá-las. Que ninguém continua o mesmo depois de transformações sequenciais, já é um fato, mas agora é entender que existe um desafio, e o desafio não é continuar “o mesmo de antes” e sim continuar reconhecendo a potência do lugar que você saiu sem tentar modificá-lo ou diminuí-lo. Porque esse lugar também é igualmente importante, essa antiga realidade foi o que te impulsionou, isso não diminui a sua trajetória, na verdade, conta a sua história, o que torna igualmente importante. É realmente uma contradição.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Também não se sobrecarregue achando que o seu dever é carregar todo mundo nas costas, isso pode te adoecer. Recentemente ouvi a frase &#8220;se a porta tá querendo fechar e eu passei, vou ficar entre ela, deixando meio aberta até todo mundo chegar&#8221;. Crie também movimentos que geram mais oportunidades, já que você agora tem alguns acessos facilitadores. Indique um nome, compartilhe conhecimento, capine o caminho assim como capinaram um pouco antes o seu, assim outras pessoas não precisarão começar exatamente do mesmo ponto em que você começou.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Já que agora você tem um repertório incrível, de coletividade, criatividade, sagacidade e ginga, você pode viver na ponte, justamente sendo um agente que facilita os trajetos, quem sabe? Talvez o “a preta venceu” seja conseguir sempre voltar com dignidade e ser bem recebido sem precisar deixar de ir também.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Porque muitas vezes a solidão da pessoa preta em ascensão nasce justamente dessa raridade, não é o &#8220;lugar comum”, pode ser que você também se encontre perdido nesse espaço e buscando uma identificação e como ainda existem poucas pessoas negras ocupando determinados espaços de poder, quem chega lá frequentemente deixa de ter pares. E é uma solidão política. <br></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>por: gaby ferraz e victoria moura</strong></em></p>
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			</item>
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		<title>A mulher negra se move o dia inteiro, quase nunca por ela!</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/mulher-negra-musculacao-cansaco-trabalho-forca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 05 Aug 2026 20:40:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[autonomia]]></category>
		<category><![CDATA[exercício físico]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<category><![CDATA[mulher negra]]></category>
		<category><![CDATA[musculacao]]></category>
		<category><![CDATA[qualidade de vida]]></category>
		<category><![CDATA[saúde da mulher]]></category>
		<category><![CDATA[treinamento resistido]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Cansaço do trabalho não é treino. Entenda por que a mulher negra precisa de musculação para garantir saúde e autonomia no futuro. Leia mais!</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em><strong>Por Caroline Araujo Amorim&nbsp;</strong></em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Você chega em casa exausta todo dia. Isso não quer dizer que o seu corpo esteja ficando mais forte, e eu quero te explicar por quê.</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Pensa no seu dia. Você levanta cedo, encara condução, trabalha em pé ou  carregando peso, sobe escada, faz faxina, caminha até o ponto de ônibus todo dia, cuida de gente e ainda resolve o que aparece dentro de casa. Deita à noite acabada. E aí alguém resolve te dizer que você não precisa de exercício, porque você já se  movimenta o tempo todo. Talvez você mesma já tenha pensado isso. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu trabalho com isso há oito anos e preciso te dizer com todo o cuidado: cansaço e treino não são a mesma coisa. O seu esforço diário constrói alguma coisa real, mas tem uma capacidade do seu corpo que ele não desenvolve, e é justamente a que vai  pode definir se aos setenta anos você levanta da cadeira sozinha. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Força é uma capacidade física. Não é traço de personalidade, não é herança de&nbsp; família e não é característica de raça nenhuma. Na Educação Física, a gente define&nbsp; força como a capacidade do sistema neuromuscular de produzir tensão para vencer&nbsp; ou resistir a uma carga, e ela não mora só no músculo: depende de como o seu&nbsp; cérebro conversa com os seus nervos e com as suas fibras. Tanto que, nas primeiras&nbsp; semanas de treino, boa parte do ganho vem de adaptação neural, ou seja, do corpo&nbsp; aprendendo a usar melhor o músculo que já tem, antes de mudar qualquer coisa no&nbsp; espelho. Guarda essa palavra: aprendendo. Eu sou atleta de powerlifting e já perdi a&nbsp; conta de quantas vezes ouvi que esse era o esporte certo pra mim porque mulher&nbsp; negra já é forte de nascença. Não existe isso. O que existe são anos ajustando&nbsp; respiração, posição do pé e carga.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Então por que a sua rotina, que exige tanto do seu corpo, não faz esse serviço?&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Porque existe um princípio na ciência do exercício chamado especificidade: o corpo&nbsp; se adapta exatamente ao estímulo que recebe, e não a outro. Esforço repetido, de&nbsp; baixa intensidade, que dura horas e não tem pausa pra recuperar, gera adaptação&nbsp; pra resistir. E resistir é uma conquista, viu? Seu corpo aguenta hoje o que derrubaria&nbsp; muita gente. Só que essa é a capacidade de tolerar desgaste, não a de produzir força.&nbsp; Carregar sacola pesada todo dia por vinte anos te deixa mais resistente ao cansaço,&nbsp; não te deixa mais forte. E força é o que assegura autonomia com o passar dos anos:&nbsp; levantar do sofá sem se apoiar, subir escada sem parar no meio, pegar neto no colo,&nbsp; continuar morando sozinha porque quer e se locomover para ir até a feira com passos&nbsp; firmes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tem um estudo que me tirou o sono sobre isso, publicado em maio de 2026 por pesquisadores da USP no <em>International Journal of Behavioral Nutrition and Physical  Activity </em>e divulgado no Brasil em julho pela Agência FAPESP. Eles acompanharam  978 moradores de São Paulo durante dez anos, em três coletas. Na primeira, 51% do  grupo de menor vulnerabilidade social fazia algum tipo de atividade física no tempo  livre, contra 29% do grupo de maior vulnerabilidade. Dez anos depois, foi pra 65% e 39%: todo mundo melhorou, e a distância entre os dois grupos aumentou. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Agora atente-se em quem são esses grupos, porque é aqui que a coisa fica séria. O grupo de menor vulnerabilidade é o homem branco com ensino superior. O de maior vulnerabilidade é a mulher de grupo racial ou étnico minoritário com ensino fundamental incompleto ou menos. E não é raça isolada nem escolaridade isolada: é  o acúmulo das três coisas ao mesmo tempo, sexo, cor e escolaridade, que produz o  efeito mais forte. </p>



<p class="wp-block-paragraph">E olha que o critério foi generoso, porque bastava fazer dez minutos na semana pra  entrar na conta. Quando os autores refizeram a análise contando só quem cumpria a recomendação de 150 minutos semanais, a desigualdade não diminuiu, aumentou: o grupo de maior vulnerabilidade tinha praticamente metade da prevalência do grupo  de referência. É um estudo observacional, com perda de participantes ao longo da  década, e não prova causa e efeito. Mas o padrão que ele encontra é o mesmo já  descrito em pesquisas brasileiras anteriores, e conversa com um dado da Pesquisa Nacional de Saúde citado no próprio artigo: entre adultos com ensino superior, 43,3% praticam atividade física no lazer, contra 18,6% dos que têm até o ensino  fundamental. </p>



<p class="wp-block-paragraph">E olha a outra ponta do mesmo estudo: quando os pesquisadores analisaram a  caminhada como deslocamento, aquela de ir a pé pro trabalho, a vulnerabilidade social não fez diferença nenhuma em nenhum modelo. Na última coleta, a prevalência foi até maior entre pessoas de grupos racializados do que entre brancas. Ou seja, a  gente é quem mais se movimenta por necessidade e quem menos se movimenta por escolha. E os próprios autores explicam por que isso importa: a atividade de lazer é feita com intenção, geralmente em contexto estruturado, e está associada a ganhos físicos e mentais maiores, enquanto a de deslocamento, quando é feita por necessidade e em ambiente inseguro, pode não entregar o mesmo benefício. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Antes que alguém leia isso como falta de vontade, o estudo aponta os motivos: trabalho doméstico mal dividido, jornada longa, vínculo precário, responsabilidade de  cuidar de outras pessoas e falta de segurança para usar o espaço público. Quem sai  de casa às cinco da manhã e volta às dez da noite não está escolhendo não treinar. Isso é falta de condição, não é falha de caráter, e nenhum texto sobre saúde deveria  te fazer sentir culpa por uma coisa que nunca dependeu só de você. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas eu preciso que você saiba de uma coisa: aquilo que constrói força é mais simples&nbsp; e mais barato do que te venderam.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O nome técnico é treinamento resistido, e o que define não é o equipamento, é o  músculo ter que vencer uma resistência. A musculação é a forma mais conhecida, com peso livre e aparelho, mas a resistência pode vir de um elástico, de uma garrafa  cheia ou do peso do seu próprio corpo. Sentar e levantar da cadeira devagar, sem  impulso, é treinamento resistido. Agachar segurando na parede é. Subir escada de  forma controlada é. </p>



<p class="wp-block-paragraph">O que transforma isso em treino, e não em movimento solto, são três coisas: constância, esforço suficiente pra ficar difícil nas últimas repetições e progressão ao  longo das semanas. E aqui eu preciso desfazer uma confusão que a internet criou,  porque progressão não significa ficar trocando de exercício toda hora. Pelo contrário:  repetir o mesmo movimento é justamente como você aprende a executá-lo melhor e  como consegue perceber que evoluiu. O que precisa aumentar é a exigência, não a novidade. Você pode fazer o mesmo agachamento por meses e continuar  progredindo, aumentando a carga, o número de repetições, o número de séries ou o  controle na descida. O corpo não se acostuma com o exercício em si; ele deixa de responder quando o esforço para de crescer. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu acompanho isso de perto. Minha mãe tem mais de 60 anos, se trata pelo SUS e  teve um infarto recentemente. Antes disso ela já treinava, e quem direciona sou eu,  com liberação médica: sentar e levantar da cadeira, agachamento, elástico e  caminhada, tudo na sala da casa dela, sem mensalidade e sem equipamento. O  infarto veio mesmo assim, porque exercício não impede infarto e eu não vou escrever  aqui que impede. Mas a volta dela tem sido outra, e os exames já mostram melhora  perceptível. E isso não contraria a medicina: o posicionamento científico da American Heart Association sobre treinamento resistido concluiu que ele é pelo menos tão  seguro quanto o exercício aeróbio pra pessoas com e sem doença cardiovascular,  recomendando duas sessões por semana, sempre com liberação e acompanhamento  médico. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Um caso não é evidência, e eu faço questão de dizer isso. Mas tem outra coisa na  história dela que eu preciso apontar. Minha mãe não tem plano de saúde. O que ela  tem é uma filha profissional da saúde que senta com ela e explica com calma o que  acontece dentro do corpo dela, por que o exercício importa e por que não pode parar  justamente quando começa a melhorar. O privilégio dela não é dinheiro. É explicação.  E eu sei quantas mulheres negras de sessenta, setenta anos estão sendo atendidas nos mesmos postos, recebendo a mesma orientação corrida de dois minutos, e  voltando pra casa sem ninguém para traduzir. E precisamos de mais profissionais de  saúde que estejam dispostos a olhar de fato para quem mais precisa e traduzir essas  informações de forma simples e compreensível. </p>



<h2 id="h-dicas-para-fazer-exercicio-em-casa" class="wp-block-heading"><strong>Dicas para fazer exercício em casa</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Comece pequeno. Duas vezes por semana, dez a quinze minutos, com o que você tiver em casa. Senta e levanta da cadeira devagar até ficar difícil, agacha  segurando na parede, usa um elástico ou uma garrafa cheia. Anota o que fez, não para se cobrar, mas para enxergar o que está construindo. Quando aquilo que era  difícil ficar fácil, aumenta um pouco, porque é aí que o corpo continua respondendo. E se puder ter orientação profissional, peça, e peça também que te expliquem o que  está acontecendo com você. Se não entender, pergunta de novo. Isso não é ser  chata, é ser cuidada e é um direito seu. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Você já é forte, e não é disso que eu estou falando. Eu estou falando de uma&nbsp; capacidade física específica, que o seu corpo desenvolve quando recebe o estímulo&nbsp; certo, e que vai decidir a sua autonomia daqui a vinte, trinta anos. Você carrega muita&nbsp; coisa há tempo demais. Dez minutos, duas vezes por semana, é pouco pra pedir de&nbsp; volta.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Caroline Araujo Amorim é formada em Educação Física há oito anos, com pós graduação em ortopedia e reabilitação pelo Hospital Albert Einstein. Atleta de  powerlifting, é cofundadora do projeto Hip Hop Workout Collective e idealizadora da plataforma individualizada de treinos para mulheres Appcah.com. Instagram: @carolinepersonall </em></p>



<h2 id="h-referencias-nbsp" class="wp-block-heading"><strong>Referências&nbsp;</strong></h2>



<p class="wp-block-paragraph">Miranda AAM, Santana DD, Schwingel A, Turner GM, Hurley KL, Edwards KL, Keye&nbsp; S, Hallal PC, Florindo AA. Social inequalities in leisure-time and transport-related&nbsp; physical activity through the lens of intersectionality: 10-year longitudinal study in&nbsp; Brazil. International Journal of Behavioral Nutrition and Physical Activity, 2026;23:64.&nbsp; DOI: 10.1186/s12966-026-01900-5&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Paluch AE, Boyer WR, Franklin BA, et al. Resistance Exercise Training in Individuals&nbsp; With and Without Cardiovascular Disease: 2023 Update — A Scientific Statement&nbsp; From the American Heart Association. *Circulation*, 2024;149:e217–e231. DOI:&nbsp; 10.1161/CIR.0000000000001189&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Howard SL, Bartholomew JB. Barriers and facilitators to physical activity among Black&nbsp; women: a qualitative systematic review and thematic synthesis. *PLOS Global Public&nbsp; Health*, 2024;4(12):e0003202. DOI: 10.1371/journal.pgph.0003202&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Pesquisa Nacional de Saúde 2019:&nbsp; percepção do estado de saúde, estilos de vida, doenças crônicas e saúde bucal. Rio&nbsp; de Janeiro: IBGE, 2020.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Liderar também adoece: por que precisamos falar da saúde mental das lideranças negras</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/liderar-tambem-adoece-por-que-precisamos-falar-da-saude-mental-das-liderancas-negras/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Carolina Viana]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 Aug 2026 08:44:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[bem-estar]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<category><![CDATA[Liderança negra]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres negras]]></category>
		<category><![CDATA[racismo estrutural]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Dra. J&#250;nia Mamedir, psic&#243;loga (CRP 05/48655), psicoterapeuta, neurocientista das aprendizagens e pesquisadora da Epistemologia do Cuidado. Quem cuida de quem lidera? Essa pergunta tem atravessado a minha pr&#225;tica cl&#237;nica h&#225; alguns anos. Ela n&#227;o surgiu de um livro nem de uma pesquisa acad&#234;mica. Nasceu da escuta de homens e mulheres negras que ocupam posi&#231;&#245;es [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><em>Por Dra. Júnia Mamedir, psicóloga (CRP 05/48655), psicoterapeuta, neurocientista das aprendizagens e pesquisadora da Epistemologia do Cuidado.<br></em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Quem cuida de quem lidera?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa pergunta tem atravessado a minha prática clínica há alguns anos. Ela não surgiu de um livro nem de uma pesquisa acadêmica. Nasceu da escuta de homens e mulheres negras que ocupam posições de liderança e que, apesar de suas trajetórias de excelência, compartilham um sentimento comum: o cansaço de precisar provar, todos os dias, que são competentes para ocupar o lugar que conquistaram.</p>



<p class="wp-block-paragraph">São profissionais que lideram equipes, coordenam projetos, ocupam cargos estratégicos e assumem grandes responsabilidades. Ainda assim, descrevem uma sensação persistente de precisar trabalhar mais, explicar mais, repetir mais e controlar as próprias emoções para que sua autoridade seja reconhecida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Há formas de sofrimento que não aparecem nos indicadores de produtividade nem nas avaliações de desempenho. Elas se revelam no esforço constante para reafirmar a própria competência, justificar decisões, administrar o impacto de estereótipos e sustentar uma vigilância permanente sobre si.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo das últimas décadas, intelectuais negras têm mostrado que o racismo produz efeitos que ultrapassam as desigualdades materiais. Lélia Gonzalez nos ensinou que a experiência da população negra precisa ser compreendida também em sua dimensão cultural e subjetiva. Sueli Carneiro evidencia que transformar a realidade exige rever estruturas de poder, e não apenas ampliar o acesso a elas. Já bell hooks nos lembra que raramente existem espaços onde possamos ser reconhecidos em nossa inteireza.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez seja justamente esse o desafio vivido por muitas lideranças negras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos, avançamos nas discussões sobre representatividade e diversidade. Celebramos, com razão, cada espaço conquistado. Mas ainda falamos pouco sobre o que acontece depois da conquista.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chegar não significa permanecer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E permanecer não significa permanecer com saúde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na clínica, tenho observado que muitas lideranças negras vivem uma forma silenciosa de hipervigilância. Revisam inúmeras vezes cada decisão, medem cuidadosamente a forma de se comunicar, evitam demonstrar fragilidade e assumem responsabilidades extras para reduzir qualquer possibilidade de questionamento sobre sua competência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não é apenas a responsabilidade de liderar que produz desgaste. É o custo emocional de liderar em estruturas onde a autoridade negra ainda precisa ser constantemente legitimada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse esforço contínuo produz exaustão, solidão e sofrimento psíquico. Quanto maior a responsabilidade, menor costuma ser o espaço para reconhecer a própria vulnerabilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi diante dessas experiências que comecei a desenvolver uma proposta que venho chamando de Epistemologia do Cuidado. Trata-se de uma linha de reflexão em construção, fundamentada na prática clínica, na escuta ética e no diálogo com o pensamento negro. Sua premissa é simples e profunda: cuidar não é apenas intervir quando alguém adoece, mas criar condições para que as pessoas permaneçam saudáveis enquanto exercem suas responsabilidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa compreensão também dialoga com as reflexões de Beatriz Nascimento sobre pertencimento e memória coletiva. Ao longo da história afro-diaspórica, a oralidade, a convivência e a circularidade sempre foram formas de preservar saberes, fortalecer vínculos e sustentar a vida em comunidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi nesse encontro entre a Psicologia, a prática clínica e esses saberes que compreendi que a escuta poderia ultrapassar o modelo tradicional do atendimento individual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando conduzida por profissionais qualificados, dentro de princípios éticos e técnicos, a roda deixa de ser apenas uma conversa coletiva. Ela se transforma em um dispositivo clínico de cuidado. A experiência compartilhada rompe o isolamento, amplia a capacidade de reflexão e transforma vivências individuais em aprendizagem coletiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É por isso que considero a circularidade um dos pilares da Epistemologia do Cuidado.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>A palavra circula.</li>



<li>A escuta circula.</li>



<li>O conhecimento circula.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">E, junto com eles, circula também a possibilidade de reconstruir pertencimento, fortalecer a saúde mental e criar condições para que lideranças negras permaneçam em seus espaços de atuação sem adoecer pelo peso da solidão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cuidar da saúde mental das lideranças negras não significa oferecer privilégios. Significa reconhecer que organizações mais justas também precisam cuidar das pessoas que sustentam suas decisões, inspiram equipes e transformam instituições.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A diversidade não se consolida apenas quando pessoas negras chegam aos espaços de poder.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela se consolida quando essas pessoas podem permanecer nesses espaços com dignidade, saúde mental e redes de cuidado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez esse seja um dos próximos passos do debate sobre equidade no Brasil: compreender que a permanência também precisa ser uma política de cuidado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Dica da autora</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Se você ocupa uma posição de liderança, pergunte a si mesmo: quem cuida de quem cuida?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Busque ou ajude a construir espaços permanentes de escuta qualificada, reflexão e apoio entre pares. Rodas de conversa conduzidas por profissionais preparados, supervisões clínicas e práticas de cuidado coletivo não diminuem a autoridade de uma liderança. Ao contrário: fortalecem sua capacidade de tomar decisões, de construir relações saudáveis e de permanecer com equilíbrio diante das exigências do cotidiano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cuidar da saúde mental de quem lidera é uma escolha ética, estratégica e humana.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Sobre a autora</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Dra. Júnia Mamedir é psicóloga (CRP 05/48655), psicoterapeuta, neurocientista das aprendizagens e pesquisadora da Epistemologia do Cuidado. É fundadora da Mamedir Humanize &#8211; Saúde Mental da Inovação e do Instituto Maternize Brasil, onde desenvolve práticas clínicas, comunitárias e organizacionais voltadas ao fortalecimento da saúde mental, da liderança e das redes de cuidado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Negros gostam de loiras: o estereótipo que atravessa gerações</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/estereotipo-negros-loiras-geracoes/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Ricardo Corrêa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Aug 2026 17:45:01 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Antirracismo]]></category>
		<category><![CDATA[consciência negra]]></category>
		<category><![CDATA[estereotipos]]></category>
		<category><![CDATA[Frantz Fanon]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<category><![CDATA[pelé]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>
		<category><![CDATA[subjetividade negra]]></category>
		<category><![CDATA[Vini Jr]]></category>
		<category><![CDATA[Virginia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Entenda como o estereótipo 'negros gostam de loiras' atravessa gerações. Uma reflexão sobre o racismo, a subjetividade e a luta antirracista. Confira!</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Incrível como o racismo se reinventa e se adequa ao tempo de forma que garanta a prática de violências contra as pessoas negras. Os estigmas e estereótipos racistas nunca caem de moda. Veja só. Na semana passada, as aulas retornaram na minha universidade. Eu tomava um café na cantina quando ouvi um grupo de alunos conversando sobre o fiasco da seleção na Copa do Mundo e o comportamento extracampo dos atletas. Naquele assunto diverso, um deles disse <em>&#8220;Claro que negros gostam de loiras &#8230;. vê o <a href="https://mundonegro.inf.br/vini-jr-passa-por-harmonizacao-facial-em-meio-a-repercussao-de-posts-sobre-seus-tracos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Vini Jr</a> com a Virgínia&#8221;</em>, em seguida muitos risos.<br><br>Aquilo me incomodou bastante. Lembrei de quando era mais jovem. Os brancos diziam quase a mesma coisa, mas o exemplo que utilizavam era do <strong>Pelé </strong>e da <strong>Xuxa</strong>. Esse exemplo pegou forte por muitas décadas, mesmo após o rompimento da relação. Eu até tive amigos negros que acreditavam e assimilavam essas ideias. Eles diziam que sonhavam em ir para o Sul do país para conquistarem umas &#8220;loironas&#8221;.<br><br>O fato indiscutível é que ninguém pode determinar antecipadamente quais são os comportamentos e escolhas da pessoa negra influenciadas pela exposição constante ao racismo. Contudo, sabemos que a subjetividade do negro não escapa, como bem sintetizou o psiquiatra e pensador anticolonial <strong>Frantz Fanon</strong>: <em>&#8220;Para o negro não há senão um destino. E ele é branco.&#8221;</em> O maior problema é que os estereótipos, oriundos da percepção racista, não individualizam as ações dos negros; coletivizam, fazendo com que a sociedade acredite que todos nós, pessoas negras, pensamos iguais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E essa é uma das camadas da luta da comunidade negra. Exigimos o reconhecimento da nossa humanidade e não permitimos a homogeneização que serve a propósitos da violência racista. Tanto que um dos fatores que torna a população negra as maiores vítimas de violência policial é porque, aos olhos da Justiça, somos todos suspeitos. Dito isso, resta-nos esperar para ver até quando o jogador e a influenciadora deixarão de ser utilizados como exemplo.<br></p>
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		<title>FOTO 3X4: Hipólyto, um dos principais nomes da nova geração do teatro musical brasileiro</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/hipolyto-novo-nome-teatro-musical-brasileiro/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Jul 2026 07:40:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[arte negra]]></category>
		<category><![CDATA[atores brasileiros]]></category>
		<category><![CDATA[dublagem]]></category>
		<category><![CDATA[hipolyto]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<category><![CDATA[teatro musical]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conheça Hipólyto, destaque do teatro musical e da dublagem brasileira, e veja como sua trajetória e talento estão transformando a cena cultural nacional.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Por: Rodrigo França </em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Existe uma geração de artistas negros que deixou de esperar reconhecimento para construir o próprio lugar na cena brasileira. Não porque o mercado finalmente tenha se tornado mais justo, mas porque esperar significava aceitar um papel secundário numa história que também lhes pertence.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hipólyto é um dos nomes que ajudam a redesenhar esse novo mapa com sua extraordinária presença cênica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No teatro musical, assumiu o protagonismo de <em>Wicked</em>. No audiovisual, chegou às produções da Disney+. Tornou-se a voz brasileira de atores como Anthony Ramos e Kelvin Harrison Jr., além de dar vida a Scar em <em><strong><a href="https://mundonegro.inf.br/mufasa-o-rei-leao-reacende-memorias-e-apresenta-novas-licoes/">Mufasa: O Rei Leão</a></strong></em>. Os trabalhos se acumulam, mas o que impressiona não é a quantidade de personagens. É a naturalidade com que atravessa linguagens diferentes sem abandonar uma identidade artística.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua formação não nasceu da pressa de construir um currículo robusto. Ela revela uma estratégia de sobrevivência artística. Da dança aprendida ainda na infância com os pais, passando pelo Arte em Cena, pela UNIRIO e pelo Circo Crescer e Viver, ele construiu uma linguagem em que interpretação, música e movimento deixaram de ser disciplinas distintas para formar um mesmo pensamento cênico. Quando sobe ao palco, não alterna entre essas habilidades. Elas acontecem ao mesmo tempo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa multiplicidade costuma ser celebrada como talento. Pouco se fala sobre sua origem. Artistas negros raramente puderam apostar todas as fichas em uma única especialidade. Durante muito tempo, precisaram dominar diversas linguagens para disputar espaços que continuavam restritos. A excelência deixou de ser um diferencial. Tornou se uma exigência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Hipólyto conhece esse mecanismo. Ele fala de uma sensação que muitos artistas negros reconhecem imediatamente, a necessidade permanente de provar competência antes mesmo de começar o trabalho. Existe uma fronteira delicada entre ser reconhecido e causar surpresa. Ainda hoje, qualidade artística produz espanto quando atravessa um imaginário acostumado a limitar quem pode ocupar determinados lugares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O racismo que descreve não aparece em grandes escândalos. Manifesta se na frase aparentemente neutra, “não é o perfil que procuramos”. Surge nas recusas sem justificativa, nas escolhas que nunca são assumidas publicamente, nos papéis que parecem já nascer com um rosto previamente definido. É uma violência discreta, justamente porque aprendeu a esconder seus próprios rastros.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua resposta nunca foi transformar a indignação em discurso permanente. Foi aprofundar o ofício.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Existe, porém, um detalhe que organiza sua trajetória melhor do que qualquer papel de destaque. Ao ser perguntado sobre sua maior conquista, Hipólyto não menciona estreias nem prêmios. Fala da casa da mãe. A resposta desloca completamente a ideia de sucesso. O reconhecimento deixa de ser uma coleção de troféus e passa a ser a possibilidade concreta de transformar a vida de quem tornou seu sonho possível desde o início.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua mãe Sônia continua sendo sua maior incentivadora. O menino que, segundo ele próprio, nunca teve tempo para voar porque precisou amadurecer cedo, hoje voa por ela também. Há uma delicadeza nessa imagem. Ela explica muito sobre uma geração inteira de artistas negros que aprendeu a transformar conquistas individuais em patrimônio coletivo das suas famílias.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também por isso, Hipólyto recusa a ideia do artista isolado. Ao fundar o Coletivo Corsário e desenvolver projetos autorais, demonstra que sua ambição não termina no próximo papel. Ela inclui ampliar o campo de possibilidades para outros criadores, produzir novas narrativas e participar da construção de uma cena cultural mais diversa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando crianças negras fazem fila para pedir uma fotografia ou um autógrafo, elas não encontram apenas um ator conhecido. Encontram uma imagem de futuro. Durante muito tempo, o palco brasileiro ensinou quem podia ser protagonista. A presença de artistas como Hipólyto altera essa pedagogia silenciosa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sua história não é extraordinária porque rompe todas as barreiras. Ela é extraordinária porque continua produzindo excelência enquanto muitas delas permanecem de pé. É desse tipo de permanência que uma geração inteira começa, finalmente, a escrever uma nova página da cultura brasileira.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Por que pessoas negras têm menos acesso à atividade física? </title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/acesso-pessoas-negras-atividade-fisica/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Jul 2026 05:54:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[atividade fisica]]></category>
		<category><![CDATA[desigualdade social]]></category>
		<category><![CDATA[equidade]]></category>
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		<category><![CDATA[qualidade de vida]]></category>
		<category><![CDATA[saúde pública]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Entenda as barreiras socioeconômicas e raciais que impactam o acesso de pessoas negras à atividade física e à saúde no Brasil. Leia mais!</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Por: Juliana Oliveira</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Sabemos que se exercitar é fundamental nos dias de hoje, ainda mais com jornada de trabalho aumentada, tempo de tela excessivo e outras demandas do dia a dia que exigem muito de nós, é simples dizer que ‘&#8217;falta vontade’’, mas será que todas as pessoas possuem as mesmas oportunidades?&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, a resposta é não.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prática regular de exercícios, depende de alguns fatores importantes como: tempo disponível, renda, segurança, acesso a espaços públicos de qualidade, transporte e até o sentimento de pertencimento em alguns ambientes. E são esses aspectos que a população negra enfrenta cotidianamente para que possa existir a prática de exercício.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Segundo dados do IBGE, pessoas negras são maioria entre a população de menor renda e enfrentam jornadas de trabalho mais longas e maiores índices de informalidade. Isso significa menos tempo livre e menos recursos para investir em academias, clubes esportivos ou modalidades que exigem equipamentos e mensalidades.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com a falta de acesso e também a falta de infraestrutura, tudo acaba se tornando uma bola de neve. A população negra apresenta maior prevalência de doenças como hipertensão arterial, diabetes tipo 2 e doenças cardiovasculares, condições que podem ser prevenidas ou controladas com hábitos saudáveis, incluindo a prática regular de exercícios físicos. Quando o acesso ao movimento é limitado, as desigualdades em saúde tendem a se aprofundar.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Promover saúde vai muito além de incentivar as pessoas a se ‘’exercitarem mais’’, significa criar cidades com espaços públicos seguros, ampliar políticas de esporte e lazer, investir em projetos comunitários, fortalecer profissionais que atuam nas periferias e garantir que todas as pessoas possam cuidar do próprio corpo com dignidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez a pergunta nunca tenha sido ‘&#8217;por que pessoas negras praticam menos atividade física?&#8217;, mas sim &#8216;por que ainda existem tantas barreiras que impedem parte da população de acessar um direito básico à saúde?&#8217;. Quando entendemos essa diferença, percebemos que incentivar o movimento também é promover equidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Canetas para emagrecer: como cuidar da alimentação durante o tratamento</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/canetas-para-emagrecer-como-cuidar-da-alimentacao-durante-o-tratamento/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 30 Jul 2026 11:49:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[canetas emagrecedoras]]></category>
		<category><![CDATA[emagrecimento saudável]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<category><![CDATA[Nutrição]]></category>
		<category><![CDATA[saúde]]></category>
		<category><![CDATA[semaglutida]]></category>
		<category><![CDATA[tirzepatida]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Rafa Bastos Um novo consenso internacional, publicado em julho de 2026 no The Lancet Diabetes &#38; Endocrinology, reuniu recomenda&#231;&#245;es para adultos em tratamento com medicamentos baseados em incretinas, como semaglutida e tirzepatida, as canetas emagrecedoras. O documento refor&#231;a que n&#227;o existe uma dieta &#250;nica para quem utiliza essas medica&#231;&#245;es. Como elas reduzem significativamente o [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Por Rafa Bastos</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um novo consenso internacional, publicado em julho de 2026 no The Lancet Diabetes &amp; Endocrinology, reuniu recomendações para adultos em tratamento com medicamentos baseados em incretinas, como semaglutida e tirzepatida, as canetas emagrecedoras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O documento reforça que não existe uma dieta única para quem utiliza essas medicações. Como elas reduzem significativamente o apetite, é fundamental garantir que a menor ingestão de alimentos não resulte em perda de massa muscular, deficiências nutricionais, fadiga ou piora da qualidade de vida. O sucesso do tratamento deve ser avaliado não apenas pela perda de peso, mas também pela preservação da força, da funcionalidade e do bem-estar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Proteína: prioridade, mas não exclusividade</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">O consenso recomenda individualizar a ingestão entre 1 e 1,5 g de proteína por quilo de peso ajustado por dia, com uma referência mínima geral de 60 g diárias, distribuídas ao longo das refeições.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Além de carnes, ovos e peixes, também podem contribuir para essa meta alimentos como leite, iogurte, queijos, feijão, lentilha, grão-de-bico e tofu. E não é necessário ficar refém de whey protein.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao mesmo tempo, o documento alerta que a proteína não deve ocupar todo o prato. Carboidratos como arroz, cuscuz, aveia, batata-doce, inhame, aipim e frutas continuam importantes para fornecer energia e devem ser mantidos conforme a realidade, a cultura alimentar e a tolerância de cada pessoa.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Fibras, hidratação e manejo dos sintomas</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A orientação é consumir pelo menos 25 g de fibras por dia, priorizando frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais e sementes. O aumento das fibras deve ser gradual e sempre acompanhado de boa hidratação, já que pouca ingestão de líquidos pode agravar gases e constipação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Para sintomas como náuseas e sensação de estômago cheio, refeições menores, menos gordurosas e preparações simples costumam ser mais bem toleradas. Em casos de refluxo, recomenda-se evitar grandes refeições, principalmente à noite, e não se deitar logo após comer. Já a constipação deve ser manejada com fibras, hidratação adequada e atividade física, respeitando as condições individuais.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Atenção aos sinais de alerta</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Vômitos persistentes, incapacidade de se alimentar, sinais de desidratação ou perda importante de força não devem ser considerados efeitos esperados do tratamento. Nesses casos, é essencial procurar a equipe de saúde para reavaliar a dose e a estratégia terapêutica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O consenso reforça que a alimentação continua sendo parte fundamental do tratamento. Portanto, é crucial acompanhamento do nutricionista que irá individualizar e conduzir dentro da realidade de cada paciente. Nesse sentido, Mais do que incentivar o consumo de proteínas, o objetivo é preservar massa muscular, energia, saúde intestinal, funcionalidade e qualidade de vida durante o uso das medicações.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referência científica</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Dobbie LJ et al. Nutritional, functional, and psychological considerations for incretin-based therapies in adults: an EASO, EFAD, and ECPO Consensus Statement. The Lancet Diabetes &amp; Endocrinology. Publicado on-line em 8 de julho de 2026. DOI: 10.1016/S2213-8587(26)00122-1.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<item>
		<title>Epistemologia do Cuidado: por que a saúde mental das lideranças negras também se constrói na ancestralidade</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/epistemologia-cuidado-saude-mental-liderancas-negras/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 29 Jul 2026 14:07:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[ancestralidade]]></category>
		<category><![CDATA[epistemologia do cuidado]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<category><![CDATA[Lideranças Negras]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres negras]]></category>
		<category><![CDATA[População Negra]]></category>
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		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por Dra. J&#250;nia Mamedir H&#225; perguntas que n&#227;o nascem nas universidades. Nascem na vida. A pergunta que d&#225; origem a este texto surgiu ao longo de mais de duas d&#233;cadas de atua&#231;&#227;o como psic&#243;loga, acompanhando mulheres negras, lideran&#231;as comunit&#225;rias, executivas, m&#227;es, educadoras, atletas e profissionais que ocupam posi&#231;&#245;es de grande responsabilidade. Quem cuida da sa&#250;de [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Por Dra. Júnia Mamedir</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Há perguntas que não nascem nas universidades. Nascem na vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A pergunta que dá origem a este texto surgiu ao longo de mais de duas décadas de atuação como psicóloga, acompanhando mulheres negras, lideranças comunitárias, executivas, mães, educadoras, atletas e profissionais que ocupam posições de grande responsabilidade.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<h3 class="wp-block-heading has-text-align-left" id="h-quem-cuida-da-saude-mental-de-quem-sustenta-tantas-pessoas">Quem cuida da saúde mental de quem sustenta tantas pessoas?</h3>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Essa pergunta ganhou força porque, repetidas vezes, observei um fenômeno semelhante. Muitas lideranças negras chegam aos espaços de autoridade altamente capacitadas, comprometidas e preparadas tecnicamente. Ainda assim, convivem com uma sensação persistente de exaustão, isolamento e necessidade permanente de provar sua competência. Como se ocupar um cargo de liderança exigisse, além da excelência profissional, o abandono de formas de existir que sempre fizeram parte de sua história.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi justamente nesse ponto que comecei a perceber algo que, durante muito tempo, esteve diante de nós, mas raramente foi nomeado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As formas de cuidado construídas historicamente por mulheres negras não são apenas manifestações culturais. Elas expressam uma maneira de compreender o humano, de produzir vínculos, de elaborar conflitos e de sustentar emocionalmente comunidades inteiras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É essa compreensão que proponho chamar de <strong>Epistemologia do Cuidado</strong>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não como um conceito acabado, mas como uma hipótese de pesquisa que nasce da prática clínica, da escuta e da experiência comunitária.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao longo das últimas décadas, intelectuais como Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento, Sueli Carneiro, bell hooks e Patricia Hill Collins demonstraram que mulheres negras sempre produziram conhecimento a partir da experiência, da memória coletiva, da oralidade e da resistência. Suas obras ampliaram profundamente a compreensão sobre identidade, poder, educação, território, racismo e produção de conhecimento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que proponho acrescentar a esse diálogo é outra pergunta:</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<h3 class="wp-block-heading has-text-align-left" id="h-e-se-esses-mesmos-processos-tambem-forem-compreendidos-como-produtores-de-saude-mental">E se esses mesmos processos também forem compreendidos como produtores de saúde mental?</h3>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">Essa pergunta desloca o debate.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela nos convida a olhar para práticas historicamente presentes nas comunidades negras não apenas como patrimônio cultural, mas também como modos de sustentar a vida, preservar vínculos e fortalecer quem exerce responsabilidades coletivas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Durante muito tempo, aprendemos a imaginar o conhecimento como algo produzido principalmente por textos, teorias e instituições formais. Entretanto, povos afro-diaspóricos também produziram conhecimento por meio da oralidade, da convivência, da memória compartilhada, da observação das relações humanas e da experiência coletiva.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Nas rodas, aprendia-se a ouvir.</li>



<li>Nas rodas, aprendia-se a resolver conflitos.</li>



<li>Nas rodas, aprendia-se a exercer autoridade.</li>



<li>Nas rodas, aprendia-se que ninguém atravessa a vida sozinho.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Essa tradição não surgiu por acaso. Ela foi construída em contextos marcados pela necessidade de preservar a dignidade, fortalecer pertencimentos e garantir a continuidade da vida diante de sucessivas formas de violência e exclusão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez por isso tantas mulheres negras reconheçam, quase intuitivamente, a potência do encontro, da escuta e da construção coletiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não porque tenham aprendido uma técnica específica, mas porque foram constituídas por uma tradição em que cuidar sempre foi também uma forma de liderar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, quando essas mulheres passam a ocupar cargos de autoridade, frequentemente encontram organizações estruturadas por modelos que valorizam rapidez, individualização, competição e desempenho contínuo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nesses contextos, práticas como escutar antes de decidir, compartilhar responsabilidades, construir consensos ou reconhecer o tempo necessário para elaborar conflitos podem ser interpretadas como sinais de fragilidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa leitura produz um efeito silencioso.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Muitas lideranças passam a acreditar que, para serem reconhecidas como competentes, precisam se afastar justamente das formas de cuidado que sustentaram sua trajetória.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É nesse ponto que a saúde mental começa a ser atravessada não porque o cuidado seja incompatível com a liderança, mas porque ainda persistem modelos que opõem autoridade e humanidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Na clínica, tenho observado outro caminho.</p>



<p class="wp-block-paragraph">As lideranças que conseguem preservar espaços de pertencimento, construir relações de confiança e compartilhar responsabilidades demonstram maior capacidade de enfrentar situações complexas sem romper consigo mesmas. Isso não elimina conflitos. Não reduz a responsabilidade. Nem diminui a exigência por resultados. Mas produz uma forma diferente de exercer autoridade, uma autoridade que não precisa escolher entre firmeza e cuidado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É aqui que a Epistemologia do Cuidado se apresenta como uma possibilidade teórica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entendo a Epistemologia do Cuidado como uma matriz de produção de conhecimento sobre o humano fundamentada na circularidade, na escuta, na ancestralidade, na memória coletiva e na responsabilidade compartilhada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ela compreende que a saúde mental não depende apenas de processos individuais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Também é produzida pela qualidade das relações que construímos, pelos espaços onde nossa palavra encontra acolhimento e pela possibilidade de compartilhar o peso da responsabilidade sem abrir mão da autoridade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa compreensão exige, porém, um cuidado importante:</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Nem toda roda produz cuidado.</li>



<li>Nem todo encontro fortalece vínculos.</li>



<li>Circularidade não é ausência de direção.</li>



<li>Escuta não significa permissividade.</li>



<li>Cuidado não é improviso.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Espaços de circularidade exigem ética, preparo, responsabilidade e compromisso com a dignidade de todas as pessoas envolvidas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando esses princípios não existem, uma roda pode reproduzir silenciamentos, constrangimentos e disputas de poder.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por isso, considero que a grande responsabilidade das lideranças negras não está apenas em conduzir pessoas, está em proteger os espaços onde o cuidado acontece.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ser liderança, nessa perspectiva, significa também ser guardiã da palavra, da escuta e da segurança relacional.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa talvez seja uma das maiores contribuições que os saberes afrodiaspóricos oferecem às discussões contemporâneas sobre saúde mental.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eles nos lembram que cuidar nunca foi apenas um gesto individual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sempre foi uma construção coletiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi essa compreensão que também orientou a criação do Método CEA®️, organizado em três movimentos:Consciência, Escuta e Ação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O método nasceu da prática clínica e comunitária, mas encontrou, ao longo do tempo, profunda ressonância com essa tradição de cuidado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A consciência convida ao reconhecimento da própria história, das marcas deixadas pelo percurso e das responsabilidades que acompanham o exercício da liderança.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A escuta amplia nossa capacidade de compreender a nós mesmos e aos outros, criando ambientes onde diferenças podem ser elaboradas sem destruir pertencimentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A ação transforma essa elaboração em decisões concretas, coerentes com uma liderança que integra resultado, responsabilidade e cuidado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O Método CEA®️ não pretende substituir outras abordagens. Representa uma sistematização contemporânea de princípios que encontrei repetidamente na experiência de mulheres negras, comunidades, famílias e lideranças comprometidas com a transformação social.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Talvez esse seja o convite que deixo ao final desta reflexão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em vez de perguntarmos apenas como preparar melhores líderes, talvez devêssemos perguntar como preservar a saúde mental de quem assume a responsabilidade de cuidar de pessoas e transformar realidades.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Reconhecer a Epistemologia do Cuidado não significa idealizar o passado nem romantizar a ancestralidade.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Significa reconhecer que existem formas de produzir saúde mental que nasceram da experiência coletiva, da escuta, da responsabilidade compartilhada e da construção de vínculos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Significa compreender que liderança não precisa ser sinônimo de isolamento. Que autoridade não exige abandono da sensibilidade e que o cuidado não diminui a força de uma liderança. Ao contrário, talvez seja justamente o cuidado aquilo que permite que ela permaneça humana enquanto transforma o mundo.</p>



<h2 id="h-referencias" class="wp-block-heading">Referências</h2>



<ul class="wp-block-list">
<li>Collins, Patricia Hill. *Pensamento Feminista Negro</li>



<li>hooks, bell. *Ensinando a Transgredir</li>



<li>Gonzalez, Lélia. *Por um Feminismo Afro-Latino-Americano</li>



<li>Nascimento, Beatriz. *Uma História Feita por Mãos Negras</li>



<li>Carneiro, Sueli. *Dispositivo de Racialidade.</li>
</ul>



<h2 id="h-" class="wp-block-heading"></h2>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Representatividade no fitness ainda é um desafio?</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/representatividade-fitness-desafio-mercado/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[(MN) Redação]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Jul 2026 15:46:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[diversidade]]></category>
		<category><![CDATA[hhwc]]></category>
		<category><![CDATA[inclusão]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<category><![CDATA[mercado fitness]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres negras]]></category>
		<category><![CDATA[representatividade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mundonegro.inf.br/?p=97475</guid>

					<description><![CDATA[<p>A representatividade no fitness evoluiu, mas ainda é um desafio. Entenda por que a inclusão real vai além da estética e transforma o acolhimento.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong><em>Por: Juliana Oliveira &#8211; HHWC</em></strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Basta abrir as redes sociais e ver as campanhas de grandes marcas esportivas para notarmos uma mudança significativa: hoje, já é possível notar pessoas negras ocupando mais esses espaços.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas será que essa representatividade é suficiente?&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Podemos observar esses avanços, mas ainda não reflete a diversidade da população brasileira. Quando observamos quem ocupa os espaços de maior visibilidade: influenciadores, embaixadores de marcas, palestrantes, proprietários de academia e profissionais frequentemente convidados para eventos, a presença negra continua sendo proporcionalmente menor.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No entanto, a representatividade não pode ser apenas estética.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Incluir pessoas negras em campanhas somente em datas comemorativas, não é o bastante. Precisamos de pessoas negras em cargos de decisão, mesas de debate, capas de revistas, grandes eventos esportivos e parcerias mais relevantes do mercado fitness.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como uma das proprietárias do HHWC, pude viver e sentir na pele a importância que nossa presença faz nesse mercado. Podemos ser quem realmente somos e compartilhar isso com as alunas, que também conseguem se sentir à vontade nos nossos eventos, justamente por ter 3 mulheres como elas, mostrando que é possível se exercitar e estar em lugares que antes nos foi negado acesso. </p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando as pessoas se sentem acolhidas, respeitadas e representadas, a chance de criar vínculos duradouros com a atividade física aumenta. E sabemos que a constância é um dos principais fatores para colher os benefícios do exercício ao longo da vida.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>A reexistência no topo: Representatividade, desafios e o poder transformador da mulher negra na liderança</title>
		<link>https://mundonegro.inf.br/reexistencia-topo-representatividade-desafios-mulher-negra-lideranca/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[KELLY BAPTISTA]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Jul 2026 18:54:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Carreira Corporativa]]></category>
		<category><![CDATA[diversidade e inclusao]]></category>
		<category><![CDATA[equidade racial]]></category>
		<category><![CDATA[instagram]]></category>
		<category><![CDATA[lideranca feminina]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres negras]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://mundonegro.inf.br/?p=97406</guid>

					<description><![CDATA[<p>Descubra os desafios e o poder transformador da mulher negra na alta liderança corporativa. Uma reflexão sobre equidade, carreira e representatividade.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">No Brasil, onde mais de 56% da população se autodeclara negra, a desigualdade racial e de gênero no mercado de trabalho ainda é alarmante. Dados recentes mostram que <a href="https://mundonegro.inf.br/kelly-baptista-e-a-nova-presidente-da-fundacao-1bi-quero-transformar-a-vida-de-pessoas-no-nosso-pais/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>apenas 3% da população negra ocupa cargos de alta liderança no país, e o percentual de mulheres negras em posições executivas é ainda menor</strong>.</a> Essa discrepância reflete uma estrutura corporativa que, historicamente, exclui e invisibiliza corpos negros, especialmente os femininos, dos espaços de decisão. Nesse contexto, a jornada de uma mulher negra até o topo é marcada por desafios desproporcionais, mas também por um poder transformador que transcende o individual.</p>



<p class="wp-block-paragraph">É comum ouvirmos no meio corporativo que a liderança é uma jornada solitária. No entanto, quando essa trajetória é atravessada pela interseccionalidade de raça e gênero, essa afirmação deixa de ser um mero clichê de gestão para se tornar uma realidade concreta, dura e diária. Para a maioria das executivas negras que alcançam o topo, a experiência de ser a única presença negra em salas de reunião, conselhos e diretorias não é uma exceção, mas, na maioria das vezes, a regra do cotidiano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Costumamos idealizar mentalmente a figura da liderança perfeita: um time diverso, empoderado e conduzido por uma pessoa &#8220;super-heroína&#8221; capaz de equilibrar todos os pratos. Contudo, no cotidiano, <strong>a solidão da mulher negra na gestão se manifesta de forma sutil e profunda</strong>. A ausência de pares na alta liderança que compartilhem das mesmas vivências faz com que conselhos e modelos tradicionais de gestão precisem ser constantemente filtrados e adaptados para fazerem sentido dentro da nossa própria realidade e essência.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa sensação de isolamento reflete diretamente a estrutura do mercado de trabalho brasileiro. Trata-se de uma discrepância alarmante em uma nação onde mais de metade da população é negra, evidenciando como o acesso ao topo exige um esforço desproporcional, acompanhado por inseguranças e pela enorme responsabilidade de inspirar e puxar aqueles que o sistema insiste em deixar à margem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A complexidade dessa jornada se intensifica quando inserimos o recorte da maternidade. O mercado corporativo tradicional historicamente pregou o mito de que a maternidade colocaria um fim na carreira de uma executiva. A prática cotidiana, no entanto, demonstra o exato oposto: a maternidade possui o potencial de transformar a mulher em uma líder incomparavelmente melhor, mais empática, estratégica e resiliente.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O desafio, no entanto, reside na falta de estruturas acolhedoras que compreendam a integração entre a vida pessoal e a profissional sem tabus ou penalizações veladas. Políticas corporativas que promovam a equidade de gênero e a inclusão de mães no mercado de trabalho são essenciais para que essas mulheres possam exercer todo o seu potencial.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Lidando com esses cenários há mais de 25 anos e hoje como presidente da Fundação 1bi, atuando com a melhoria da educação pública por meio da tecnologia, reflito que:</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>&#8220;O cargo e o título, para mim e de onde eu venho, fazem toda a diferença. Não porque o título sirva para autoafirmação, mas porque, ao verem uma mulher negra ocupar uma diretoria executiva e, na sequência, uma presidência, outras pessoas entendem que também podem chegar lá. O título visibiliza a conquista e abre caminhos para que a jornada das próximas gerações seja um pouco mais leve.&#8221;</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">Quando uma mulher negra ocupa uma posição de liderança, ela não apenas quebra barreiras para si mesma, mas também inspira e pavimenta o caminho para outras mulheres negras que vêm depois.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos avanços pontuais e do boom de compromissos públicos e vagas afirmativas registrado por volta de 2020, o cenário atual exige alerta. Percebe-se um movimento de recuo nas organizações, com a diminuição de programas afirmativos e a descontinuidade de comitês de diversidade.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Promover a transformação social e alterar a cultura corporativa é uma tarefa diária e exaustiva. Não basta apenas abrir portas de entrada em cargos de base; é urgente garantir o desenvolvimento, a retenção e a ascensão real dessas profissionais a posições decisórias. Empresas precisam ir além de discursos e compromissos superficiais, implementando políticas estruturais que garantam a equidade de forma sustentável.</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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