Projeto de interiores assinado pela arquiteta Gabriela Branco, valoriza referências afro-brasileiras e objetos que contam a trajetória dos moradores.
O apartamento de 110 m² onde vivem os criadores de conteúdo Maycon Cabral, de 27 anos, e Matheus Galdino, de 31, no Grajaú, Zona Norte do Rio de Janeiro, passou por uma transformação que priorizou identidade, funcionalidade e acolhimento sem recorrer a mudanças estruturais. Com curadoria da arquiteta Gabriela Branco, em parceria com a Westwing, o projeto apostou em mobiliário, obras de arte, plantas e uma seleção cuidadosa de objetos para construir um ambiente pensado tanto para o cotidiano quanto para a produção de conteúdo audiovisual.
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A proposta concentrou esforços na ambientação, preservando a estrutura existente e criando uma nova atmosfera por meio da decoração e da organização dos espaços.
A sala, integrada em dois ambientes, tornou-se o centro da casa. É onde o casal recebe amigos e familiares, trabalha em projetos criativos e realiza gravações para as redes sociais. O desafio era fazer com que o apartamento transmitisse a sensação de permanência e conforto sem abrir mão da praticidade exigida pela rotina de quem produz conteúdo.
Segundo os moradores, a curadoria de móveis e objetos permitiu que cada espaço desempenhasse múltiplas funções sem comprometer a identidade visual do apartamento. A escolha de materiais naturais, como madeira e palhinha, reforça essa proposta ao criar uma base neutra, aconchegante e atemporal.
A paleta de cores segue a mesma lógica. Tons claros predominam nos ambientes e recebem pontos de contraste em locais estratégicos. No hall de entrada, a pintura em arco na cor Calcita Alaranjada, da Suvinil, marca a chegada ao apartamento e estabelece um elemento de personalidade logo na entrada.
Arte que dialoga com memória e cultura
A presença da arte ocupa um papel central no projeto. Em vez de funcionar apenas como elemento decorativo, as obras ajudam a contar a trajetória dos moradores por meio de viagens, experiências e referências culturais.
Entre os destaques está uma reprodução oficial de Portrait de Madeleine (1800), da artista francesa Marie-Guillemine Benoist, adquirida durante uma visita ao Museu do Louvre, em Paris. A pintura retrata Madeleine, uma mulher negra nascida em Guadalupe, e permanece como uma das obras mais conhecidas sobre representação negra na história da arte europeia.
Outra peça incorporada ao projeto é uma escultura em terracota produzida por artesãos de Japaratinga, em Alagoas. O trabalho valoriza a produção artesanal brasileira estabelecendo um diálogo com formas inspiradas na estética afro-brasileira.
No hall de entrada, um quadro do artista baiano Ray Bahia aproxima o apartamento das referências culturais de Salvador ao retratar personagens e elementos marcantes da cultura afro-baiana. Já na sala de estar, a obra Remador, de Reinaldo Giarola, complementa a composição visual com uma linguagem que enfatiza movimento e fluidez.
Plantas e materiais naturais reforçam sensação de acolhimento
A vegetação que ornamenta o local também participa da construção dessa atmosfera. Espada-de-São-Jorge, Espada de Iansã, Zamioculca, Areca-bambu e Comigo-ninguém-pode foram distribuídas pelos ambientes com o intuito de expandir a conexão com elementos naturais e contribuir para uma composição leve.
Entre os móveis, a mesa de centro Aura, produzida em madeira com palhinha sextavada, assume protagonismo na sala de estar. O restante da decoração acompanha essa linguagem com sofá em boucle, rack em madeira, luminárias, cerâmicas e peças de design que equilibram textura, funcionalidade e conforto.
Embora pensado para atender às demandas de gravação e produção de conteúdo, o apartamento preserva sua função principal como espaço de convivência acolhedor e autêntico. Cada escolha busca refletir a identidade dos moradores sem descaracterizar a simplicidade da proposta, como explicam Maycon Cabral e Matheus Galdino:
“A intenção foi criar um ambiente acolhedor, com sensação de casa mesmo dentro de um apartamento, equilibrando descanso, convivência e uma estética mais contemporânea, sem perder leveza […] Na decoração, foram incorporadas peças com valor afetivo e narrativo, vindas de viagens e do acervo pessoal dos moradores, contribuindo para um espaço mais autoral e com identidade.”
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