AfroeducAÇÃO cria programa de atividades culturais para reforçar a necessidade de tirar a Lei 10.639/03 do papel

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Em 2018 a Lei 10.639/03 completa 15 anos e ainda enfrenta dificuldades para ser executada e devido a isto, a AfroeducAÇÃO, que comemora 10 anos, criou um programa de atividade culturais para reforçar a necessidade de tirar a lei do papel. Trata-se de uma série de atividades que acontecerão durante todo o ano e incluem, além do cinema, rodas de conversa, leituras e festival multicultural.

Criada em 2003, a Lei 10.639/03 foi encarada como um grande ganho na esfera educacional, ao se apresentar como uma grande ferramenta no esforço de minimizar a dívida histórica-social que o Brasil tem com suas matrizes africanas e afrodescendentes.

O intuito era incluir no currículo oficial da Rede de Ensino (pública e particular, nos ensinos fundamental e médio) a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Africana e Afrobrasileira“. E seu detalhamento era ainda mais progressista, prevendo que fosse transmitido o conhecimento sobre a luta histórica dos negros no Brasil e sua importância na formação da sociedade nacional nas áreas social, econômica e política.

Os professores perceberam desde o começo que o desafio de aplicar esse conteúdo em sala de aula continuaria enorme. As instituições de ensino pouco fizeram no sentido de instrumentalizá-las(os) para ministrar esse conteúdo, deixando-as(os) sem baliza quanto às orientações pedagógicas. Cada docente passou a agir de forma autônoma sobre a questão, o que gerou uma enorme falta de coesão na didática deste conteúdo. Frente a essas dificuldades, muitas(os) professoras(es) conseguiam somente trazer o tema em novembro, com o gancho do Dia da Consciência Negra. Muito pouco, para uma vastidão de conhecimento a ser construído.

Desde 2008 a AfroeducAÇÃO, que atua na interface da educomunicação, no esforço de capacitar educadoras e educadores para a aplicação da Lei 10.639/03, possui uma série de atividades educativas-culturais que proporcionam uma visão alternativa das vias de aplicação pedagógica desse conteúdo. É o caso, por exemplo, do sessão AfroeducAÇÃO no Cinema, realizado há 8 anos em parceria com o Espaço Itaú de Cinema Frei Caneca e o Clube do Professor. Nessa atividade, as(os) professoras(es) assistem a diversos filmes de realizadoras(es) negras(os) brasileiras(os), e tem contato com obras e informações que podem ser aplicadas como material didático.

Para manter este projeto, a AfroeducAÇÃO lançou uma campanha de financiamento coletivo pelo portal Benfeitoria. A colaboração mínima é de R$15 e as contrapartidas são todas relacionadas ao universo negro. A campanha fica no ar até dia 10 de junho, para acessar, clique aqui.

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