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Um adolescente negro de 16 anos foi alvo, por cerca de dois meses, de injúrias raciais, perseguições e ameaças de violência física e sexual em um grupo de WhatsApp de moradores de um condomínio na Zona Leste de São Paulo, segundo o pai da vítima. A família registrou boletim de ocorrência por injúria racial e ameaça na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), que investiga o caso.
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O grupo, criado inicialmente para organizar partidas de futebol na quadra do condomínio, começou com mensagens amistosas, segundo o pai. A situação mudou depois que pessoas que não moravam no prédio foram adicionadas. A partir desse momento, publicações do adolescente passaram a ser ridicularizadas de forma sistemática.
Segundo o relato, os integrantes chegaram a renomear o grupo com um trocadilho racista relacionado à série ‘Todo Mundo Odeia o Chris’ e trocaram a foto por uma caricatura do garoto. Em áudios, o jovem foi chamado de “analfabeto”, “burro” e “mulambo”. Perfis do Instagram dele teriam sido monitorados e reproduzidos nos prints e gravações compartilhadas para expô‑lo; após bloquear o compartilhamento, o adolescente diz que foram criados perfis falsos para continuar o monitoramento.

O pai afirma que as ofensas se intensificaram depois que o filho, que participa de batalhas de rima, rebateu em vídeo após ser chamado de “saci”. A partir de 15 de maio, passou a haver conteúdo racial mais explícito, com xingamentos como “macaco”, “urubu”, “negão” e “pixe”, acompanhados de imagens de animais e de pessoas negras, conforme o relato da família.
Em 18 de maio, ao trocar novamente o nome e a foto do grupo na tentativa de encerrar a exposição, o adolescente foi removido pelos administradores. Ainda naquela noite, dois integrantes teriam feito uma chamada de vídeo por volta das 23h afirmando estar no prédio da família e ameaçando subir até o apartamento. Na ligação, teriam mostrado imagens de uma arma e de um soco‑ingles, mencionado traficantes de uma via próxima e ameaçado cometer abuso sexual contra o jovem, pedindo que tudo fosse filmado.
No dia seguinte, o adolescente teria sido reincluído apenas para visualizar um vídeo em que aparece com a bermuda abaixada ao se aproximar de uma moradora; o print desse arquivo teria se tornado a nova imagem do grupo. Com medo de que as ameaças fossem cumpridas, a família registrou boletim de ocorrência.

Dias depois, ao tomar conhecimento de que participantes do grupo combinavam de se encontrar na quadra do condomínio, o pai desceu para avisar que tomaria providências. Segundo ele, houve confronto verbal e, em seguida, agressão física entre ele e um dos adolescentes apontados como responsáveis pelas humilhações.
A família diz que o grupo reunia cerca de 15 pessoas — dez moradores e cinco pessoas de fora, apontadas como agressoras — e que ao menos um dos participantes é maior de idade. O condomínio emitiu nota sobre o caso e informou ter aplicado multas aos moradores envolvidos.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que a Decradi investiga o caso e realiza diligências para esclarecer os fatos, acrescentando que detalhes da investigação serão preservados para garantir a autonomia do trabalho policial.
Fonte: g1*
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