A reprodução de um discurso preconceituoso: Karol Conká é acusada de Xenofobia no BBB

0
5782
Karol Conká e Juliette

A cantora Karol Conká, entrou nos assuntos mais falados do twitter nessa sexta-feira (29), após dizer que estava incomodada com a maneira da paraibana Juliette de falar, mas ter entendido que “na terra dessa pessoa é normal falar assim”.

Em conversa com Sarah e Thais, a cantora fez questão de dizer que era do Sul e Juliette do Nordeste, por isso que ela fala mais “recatado” e a advogada se comporta de forma mais expansiva.

“Aí as pessoas dizem: não, é o jeito, porque lá na terra dessa pessoa é normal falar assim. Eu sou de Curitiba, entendeu? É uma cidade muito reservadinha, por mais que eu seja artista e rode o mundo, eu tenho os meus costumes”, começou Karol.

“Tipo, eu tenho muita educação pra falar com as pessoas, eu tenho meu jeito brincalhão, eu brinco, mas reparem que eu não invado, eu não passo..eu não desrespeito, eu não falo nem pegando nas pessoas”, continuou.

Rapidamente, vários internautas reagiram a fala da cantora e muitos influencers que participaram de antigos BBB’S e, com certeza, já sentiram a dor de comentários xenofóbicos por nascerem na região Nordeste, se pronunciaram sobre o assunto.

Uma delas foi a ex-participante Flay: “Nojo desse papo de discriminação com a cultura do nordeste, me dá ânsia de tanto nojo, nós somos calorosos, gostamos do contato, somos expressivos, somos alegres e espalhafatosos sim, mas isso não significa que no nosso lugar a gente não aprende a ter educação e respeito.”

Outras pessoas afirmaram em seu Twitter que a própria Juliette pediu para ser avisada se estivesse falando em um tom mais alto na casa e que isso seria uma insegurança da Paraibana. O medo de causar incomodo nas outras regiões pela sua maneira de falar/expressar, mesmo em um país tão diverso como o Brasil, é a consequência de anos sendo taxados como ‘mal-educados’ apenas por nascermos na região Nordeste.

A cantora Karol Conká conseguiu reduzir as subjetividades das pessoas ao lugar onde elas nascem, colocando a forma expressiva da Juliette como invasiva e mal-educada, e a forma de falar da sua região, no Sul, de recatada e “muito bem educada”, como disse a mesma.

A questão colocada não é se Juliette foi invasiva ou não, muito menos se os costumes da Karol vieram por causa da sua região, mas sim, por ela ter associado algo que a mesma considerou como “falta de educação” de uma participante ao local em que ela mora.

Ao falar “Eu sou de Curitiba, entendeu? (…) eu tenho muita educação ao falar com as pessoas, mas na terra dessa pessoa é normal falar assim.” Ela repete um discurso xenofóbico e retrógrado que descredibiliza toda uma população.

Comments