A moda no olhar de mulheres negras e latino americanas

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Fotografia de @mendes.arte para Naya Violeta

Em um mundo eurocentrista, recebemos muitas informações de moda de marcas francesas e italianas, porém nem todas elas servem para nós. Pelo simples fato, de que somos latino-americanos, brasileiros.

Vivemos em um lugar onde o clima, a cultura, e os hábitos não são os mesmos que os deles. E isso não quer dizer que um é melhor ou pior que o outro, mas diferentes. Então, por que devemos continuar consumindo apenas a moda europeia ou norte americana, quando temos tantos nomes talentosos produzindo coisas incríveis por aqui? E como parte da celebração para o Julho das Pretas (mês da mulher negra, latino americana e caribenha), separamos algumas notáveis contribuintes para o mundo da moda, que você precisa conhecer.

Goya Lopes: Originalidade é uma das coisas que com certeza pode definir uma peça criada pela baiana, uma das grandes pioneiras da moda afro no Brasil. Desde 2010 á frente da marca Goya Lopes Design Brasileiro, ela traz muita cor, estampa, e arte em suas roupas. Sobre seu trabalho, Goya declara: “Ao longo da minha carreira artística e profissional de design construí uma plataforma sedimentada, caracterizada pela identidade, diferenciação e versatilidade, criando um trabalho autoral, que a cada dia se envolve nas mudanças e na dinâmica do mercado que oferece diversas possibilidades; mudanças e dinâmica que demandam uma constante inovação e experimentos.” Em seu currículo, Goya tem alguns trabalhos de destaque como a criação de estampas para a coleção da Ivete Sangalo para a Grendene.

A Designer fala sobre seu processo criativo, e o impacto de ser negra produzindo com propriedade roupas e estampas que representam suas raízes.

Relevo Store: A Marca que é comandada pela designer Juliana Pinto, administrada por Thiago Pinto e tem como modelo Camila Caetano, é algo que todas as marcas deveriam ser: Preocupada com o meio ambiente. Nesse caso, a preocupação se transformou em ação quando eles decidiram, nada mais nada menos, que criar roupas feitas de… guarda chuva! Algo que é normalmente descartado na natureza. E se engana quem pensa que peças de Upcycling (reutilização de maneira criativa), não podem ser bonitas, a Relevo Store prova completamente o contrario.

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Juliana Pinto falando sobre a importância da representatividade na moda,e como isso é aplicado na Relevo Store.

Carol Barreto: A estilista de Santo Amaro, foi ninguém menos que a primeira brasileira a participar da Black Fashion Week de Paris. Em suas passarelas, a baiana gosta de levar a raiz da moda brasileira livre de estereótipos. Além disso, suas criações compreendem a complexidade da moda como algo social, diferente do que muitos leigos podem pensar. Carol Barreto, consegue dialogar a moda com assuntos como feminismo, e luta antirracista provando que se vestir é um ato politico.

Carol Barreto, falando sobre seu trabalho como designer de moda
e pesquisadora.

Rihanna: Além de cantora, compositora e atriz, Rihanna também é uma empresaria de mão cheia. A sua marca Fenty (que é o sobrenome da caribenha, Robyn Rihanna Fenty), vende produtos de beleza, maquiagem, e também roupas. Em 2018,o ícone fashion, ganhadora de prêmios como o CFDA Fashion Awards, lançou uma linha de lingeries intitulada ”Savage X Fenty” que estreou na tão cobiçada passarela da Semana de Moda de Nova Iorque. A linha foi elogiada pelo público, por ser pensada em diversos tamanhos e tons de pele. No ano passado, em setembro, outro desfile da marca ganhou a atenção do público por ter apresentações musicais de nomes como A$AP Ferg e Big Sean, além de aparições como Alex Wek, Laverne Cox, Normani e 21 Savage.

Os bastidores do desfile da Fenty, onde podemos ver uma pequena parte do seu processo criativo.

Naya Violeta: ”Moda autoral, afro afetiva e feita no cerrado goiano”. É assim que a marca fundada em 2007, se descreve. Comandada pela estilista e afro-empreendedora goiana Naya Violeta, a marca foi pensada quando Naya notou a falta de representatividade afro brasileira na moda. A grande maioria das coisas que consumimos não são feitas por nós ou para nós. E foi isso que ela decidiu mudar.

Naya Violeta produzindo em seu ateliê.

Negrif: A marca, tem como designer Mada Negrif. Influenciada pela mãe e inspirada pela mulher do dia a dia, a mãe, profissional e estudante, ela afirma que tudo começou com um desejo que tinha em se vestir bem, com roupas que valorizassem seu corpo. Mada, fundou sua marca em 2001, em Salvador com o objetivo de explorar a moda no seu sentido cultural usando em suas criações elementos de valorização da cultura afrodescendente e entregando peças com beleza, conforto e elegância.

Em live no Instagram, a Fashion Designer conta sua história

370: Comandada por Gláucia Rodrigues, ao lado da mãe e da tia, a marca tem um ponto positivo muito interessante: O uso de tecidos sustentáveis provenientes de garrafa PET para produzir roupas confortáveis para usar no cotidiano. As três foram influenciadas pela avó de Gláucia, que era costureira de bairro.

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Contando um pouquinho do que somos✨

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Gláucia fala sobre ela como profissional de moda, e também de sua Marca 370

Avesso Store: A marca independente carioca, de Petrópolis, foi fundada com o intuito de entregar uma moda artística e customizada feita a mão em peças unissex. As criadoras, são Anna Bernardo e Gabrielle Alves de 20 anos. Elas também são as modelos, pintoras das artes e designers das roupas. Elas também contam com a ajuda de de mais pessoas para compor a equipe, como a modelista Claudete Bernardo de 54 anos e a costureira Claudia Bernardes de 56.

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Peça da Avesso, que representa bem o espirito da marca.

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