A importância da legalização dos negócios por empreendedores que iniciam na Gastronomia

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A importância da legalização dos negócios por empreendedores que iniciam na Gastronomia
Breno Cruz (Foto: Divulgação)

A convite do Instituto Feira Preta e do Instituto Assaí participei do Feira Preta Cria – Gastronomia para construirmos junto com uma turma de 20 empreendedoras na cidade de Cachoeira o significado da importância de legalização dos negócios por pessoas que estão comercializando alimentos e bebidas. Trouxe minha trajetória à frente da curadoria do Festival Gastronomia Preta, que acontece no Rio de Janeiro, para ampliarmos a visão em relação aos benefícios de ser MEI – Micro Empreendedor Individual. Não é meu objetivo neste artigo de opinião problematizar as disfunções sociais desta categoria.

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A frente da feira gastronômica que ocorre no Festival Gastronomia Preta desde 2023, tive a possibilidade de aprender na prática especificidades do setor de eventos que adiante tratarei neste texto. O mais importante agora é compreender que o MEI possui benefícios que muitas vezes são desconhecidos, como, por exemplo, aqueles relativos à previdência. Você sabia, por exemplo, que ao ser MEI e cumprir com suas obrigações mensais (pagar os impostos) é possível ter auxílio doença ou salário maternidade? Além destes e outros benefícios, aquele mais importante que tem relação com as vendas é a possibilidade de emissão de nota fiscal.

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Por vezes ouvi queixas de empreendedores que deixaram de fechar uma boa venda em função de não terem a possibilidade de emitir uma nota fiscal; ou, que a nota fiscal que poderiam emitir não tinha relação com a atividade de alimentos e bebidas. Logo, a primeira coisa a saber é que não basta ter CNPJ e poder emitir nota fiscal – é necessário que a atividade registrada contemple a produção e comercialização de alimentos e bebidas. O CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) do MEI ou de uma empresa que queira comercializar alimentos deve ser para fornecimento de alimentos e bebidas. Por exemplo, uma empresa de tecnologia com CNAE desta área não pode emitir nota fiscal para comercialização de alimentos.

Breno Cruz (Foto: Divulgação)

Legalizar sua atuação como empreendedor(a) no ramo da gastronomia pode ter impactos positivos na aceleração da sua trajetória profissional. Só é possível vender para empresas quando se tem o CNPJ. Isso acontece porque cada empresa deve prestar contas à Receita Federal sobre as transações que ela faz (compra e venda) no decorrer de cada ano. Ou seja, não há jeitinho brasileiro para essa questão: ou se tem ou não tem CNPJ para emitir nota fiscal para aquele serviço prestado. De acordo com o Governo Federal, no mês de Maio de 2025, o valor mensal a se pagar de impostos é de R$ 75,90 relativo ao MEI mais R$ 5,00 de ISS e mais R$ 1,00 de ICMS.

Em um primeiro momento, este valor pode parecer alto para quem está começando; todavia, os benefícios atrelados a este valor (principalmente os previdenciários – aposentadoria por idade ou invalidez, pensão por morte e auxílio doença) parecem trazer segurança ao micro empreendedor individual em algum caso de impossibilidade de realizar seu trabalho.

A partir do momento que você possui o CNPJ e pode emitir nota fiscal, você também pode participar de eventos – como a Feira Preta e o Festival Gastronomia Preta. Os eventos são fonte de renda que ajudam no aumento de vendas dos empreendedores. Mas eles são específicos para cada cidade ou estado no que diz respeito à documentação. Especificamente no Rio de Janeiro, qualquer empreendedor de alimentos e bebidas terá que ter a Licença Sanitária de Atividades Transitórias e Autorização de Funcionamento Provisório.

  • LSAT – Licença Sanitária de Atividades Transitórias: concedida com prazo máximo de 180 dias, à pessoa física ou jurídica, para cada atividade sujeita à vigilância sanitária exercida em eventos realizados em área pública ou privada; ao organizador do evento; a ambulantes
  • Autorização de Funcionamento Provisório (SEFAZ): para fazer o requerimento do alvará é preciso entrar em contato com a prefeitura da cidade (geralmente a Secretaria de Fazenda) e realizar o preenchimento de todas as informações obrigatórias. 

Eu sempre sugiro aos expositores do Festival Gastronomia Preta que busquem uma consultoria de um despachante – que é um profissional que tem o conhecimento da documentação necessária para regularizar a sua atividade em um evento. Adicionalmente, eu sugiro realizar gratuitamente o Treinamento Noções básicas de higiene na manipulação de alimentos da Prefeitura do Rio de Janeiro. Não é obrigatório, mas qualifica ainda mais sua experiência como empreendedor(a) no ramo da Gastronomia. Neste treinamento você aprende noções básicas de manipulação que pode ajudar a evitar ter problemas com a Vigilância Sanitária.

Zelando pela imagem do Festival Gastronomia Preta, exigimos que todo expositor apresente o certificado deste treinamento. Afinal, primeiro eles se protegem quanto ao atendimento das normas e regras de higiene; e, consequentemente, nos protege de alguma intervenção que pode prejudicar a imagem do evento.

Por fim, legalizar sua atuação no ramo da Gastronomia é o primeiro passo para acelerar suas vendas – e esse não é um olhar romantizado (não sou consultor do Sistema S). Fazer sua formalização pode te abrir portas para você acessar espaços de comercialização para seus produtos ou serviços.


Texto: Breno Cruz [@pretogourmet]. Professor efetivo do Departamento de Gastronomia da UFRJ; Doutor em Administração e Pós-doutor em Comunicação; especialista em Responsabilidade Social Corporativa; autor de 12 livros e mais de 180 resumos e artigos completos em congressos e revistas acadêmicas nacionais e internacionais; jurado da Forbes Under 30 na área de Gastronomia e do reality show Vida de Merendeira; criador do Prêmio Gastronomia Preta, do Pretonomia – um curso de extensão da UFRJ que qualifica pessoas pretas e pardas em vulnerabilidades na região metropolitana do Rio de Janeiro e também criou o Festival Gastronomia Preta. Nas redes sociais é conhecido como Preto Gourmet e é colunista do Notícia Preta e da Revista Bares e Restaurantes da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes.

Esse conteúdo é fruto de uma parceria entre Mundo Negro e Feira Preta.

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