Durante a Segunda Guerra Mundial, 13 homens se tornaram os primeiros oficiais negros da Marinha com a maior nota da história

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Durante a Segunda Guerra Mundial, 13 homens se tornaram os primeiros oficiais negros da Marinha com a maior nota da história
Foto: Naval History and Heritage Command

Em 1944, treze homens negros se tornaram os primeiros oficiais da Marinha americana após serem convocados para falhar e provarem o contrário.

Em janeiro de 1944, dezesseis marinheiros negros foram convocados para a base naval de Great Lakes, em Illinois, sem que nenhum deles soubesse exatamente o que os esperava. A Marinha americana contava naquele momento com quase 100 mil marinheiros negros nas fileiras, e nenhum era oficial. Nos 146 anos anteriores, a instituição jamais havia comissionado um homem negro, e o curso que os aguardava deveria mudar isso, embora não fosse essa a intenção de quem o organizou.

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O curso de formação de oficiais durava, em condições normais, dezesseis semanas, mas para aqueles dezesseis homens a Marinha cortou o prazo pela metade, reservando oito semanas para que absorvessem o que os candidatos brancos tinham quatro meses para aprender. A expectativa institucional era de uma taxa de reprovação de 25%, igual à das turmas brancas, e os homens entenderam o que aquilo significava na prática. Decidiram reagir de forma coletiva, porque sabiam que a reprovação de qualquer um deles não seria lida como fracasso individual, mas como evidência de que homens negros não tinham capacidade de liderar.

Samuel Barnes, um dos dezesseis, descreveu a lógica que os uniu ao afirmar que o grupo decidiu não competir entre si, realizando sessões de estudo coletivas com a consciência de que eram a porta entreaberta para muitos outros marinheiros negros e que não poderiam ser os responsáveis por fechá-la. À noite, cobriam as janelas do alojamento e estudavam até a madrugada, num esforço solidário que não era apenas estratégia, mas a única resposta viável a um sistema construído para derrubá-los.

Quando as provas chegaram, os dezesseis passaram, e a turma fechou com média 3.89, a maior já registrada na história da estação de treinamento naval de Great Lakes, superior à de qualquer turma branca que havia passado por ali. A cúpula militar simplesmente não acreditou no resultado e mandou todos refazerem os exames, que os dezesseis repetiram com desempenho ainda melhor.

Em março de 1944, treze daqueles homens foram comissionados. Doze receberam o posto de alferes, Jesse Walter Arbor, Phillip George Barnes, Samuel Edward Barnes, Dalton Louis Baugh, George Clinton Cooper, Reginald Ernest Goodwin, James Edward Hair, Graham Edward Martin, Dennis Denmark Nelson, John Walter Reagan, Frank Ellis Sublett e William Sylvester White, enquanto Charles Byrd Lear foi nomeado suboficial. Os outros três que também passaram nos exames não receberam comissão e nenhuma explicação oficial foi dada. Especula-se que a Marinha, acostumada a uma taxa de reprovação entre candidatos, não quis que uma turma de negros figurasse com desempenho superior ao das turmas brancas nos registros institucionais.

Décadas depois, o grupo ganharia o nome pelo qual passou a ser conhecido, os Golden Thirteen, mas na época o cotidiano era outro. Oficiais brancos se recusavam a prestar continência a eles, não podiam entrar no clube de oficiais da base mesmo fardados e com a patente no ombro, e recebiam as funções mais subalternas dentro da estrutura segregada da Marinha, como treinar recrutas negros, supervisionar unidades de trabalho ou comandar embarcações menores tripuladas exclusivamente por marinheiros negros. A patente garantia o título, mas o sistema insistia em traduzir aquela conquista em isolamento.

Quase nenhum seguiu carreira na Marinha após o fim da guerra, sendo Dennis Nelson a exceção, tendo chegado ao posto de tenente-comandante e publicado em 1951 uma dissertação de mestrado sobre a integração racial na instituição. Os demais voltaram à vida civil e construíram trajetórias notáveis, com Samuel Barnes tornando-se diretor de atletismo na Universidade Howard e o primeiro homem negro no comitê executivo da NCAA, e William White atuando como promotor federal antes de presidir o tribunal juvenil do condado de Cook e chegar à corte de apelações de Illinois.

O impacto daquele grupo ultrapassou 1944 e alcançou 1948, quando o presidente Harry Truman assinou a ordem executiva que encerrou oficialmente a segregação nas Forças Armadas americanas, quatro anos depois de os Treze de Ouro terem demonstrado, com resultados documentados, que a premissa racista sustentando a exclusão não tinha qualquer fundamento. A história do grupo foi sistematizada pelo historiador naval Paul Stillwell, que a partir de 1986 gravou os depoimentos dos sobreviventes, reunindo-os num livro com prefácio de Colin Powell, o primeiro negro a chefiar o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos. Hoje, o prédio onde os novos recrutas chegam para o treinamento básico em Great Lakes leva o nome dos treze, e o último sobrevivente do grupo, Frank Ellis Sublett, morreu em 2006.

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