Entre o adoecimento psíquico e a resistência democrática

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Entre o adoecimento psíquico e a resistência democrática
Foto: magnific

Por Ricardo Corrêa

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O Brasil não é saudável para as pessoas negras; lutamos desde que os navios negreiros nos arrancaram de nossa pátria-mãe e nos lançaram neste país enraizado no colonialismo português. Desde então, a paz tem sido para nós uma busca ininterrupta.

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Nesse cenário, em que o racismo estrutural dá a tônica das relações interpessoais, a fragilidade da saúde mental é consequência previsível. E o cuidado é para poucos: apenas uma parcela restrita pode arcar com tratamento psiquiátrico ou psicoterapêutico, enquanto a maioria não dispõe de condições econômicas para isso.

Na corrida por uma vida melhor, somos desacreditados já na largada, e nada do que façamos parece mudar a subjetividade de quem nos avalia. Por mais excelentes que sejamos, a cristalização dos estereótipos negativos permanece quase inquebrantável. Maldito racismo!

E esse sofrimento não se resolve apenas no consultório. Ele depende de políticas públicas: cotas, atenção psicossocial no SUS, a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra. São elas que reduzem as desigualdades que adoecem e ampliam o acesso ao cuidado. Por isso, o risco que corremos hoje é também uma ameaça à nossa saúde mental. Os direitos conquistados pelos movimentos sociais e pelos movimentos negros estão em perigo, porque forças políticas sem compromisso com a igualdade racial ampliaram sua presença no Congresso já no primeiro turno das eleições de 2026. As décadas de lutas que produziram a inserção social de minorias marginalizadas poderão ser destruídas. Você tem noção do que isso significa?

Diante disso, resta-nos defender os parlamentares eleitos que levantam bandeiras contra a desigualdade social e assumem seus mandatos em 2027, e apoiar, neste segundo turno, a reeleição do presidente Lula, que considero fundamental para a continuidade de um trabalho de inclusão iniciado em seus primeiros governos. Até reconheço que poderia ter havido maior radicalidade no enfrentamento dos privilégios das classes abastadas, algo que merece discussão no próximo mandato.

Enfim, caro leitor, a democracia brasileira é imperfeita: tem uma dívida histórica com o povo negro e reluta em pagá-la por completo. Mas ainda é o melhor terreno para garantirmos o direito de lutar por nossas vidas; sem ela, o direito à resistência será limitado pelo chumbo dos que nunca aceitaram a Lei Áurea. Neste país em que há ódio, a democracia e a justiça são o que nos mantém civilizados.

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