Eleita aos 21 anos com 524 mil votos em Minas, Ana Elisa se reuniu com Lula e defende vídeos curtos no lugar de textos longos para virar o 2º turno.
A deputada federal eleita Ana Elisa (PT), de 21 anos, se reuniu nesta terça-feira (6), em Brasília, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tratar da estratégia digital da campanha petista no segundo turno. Mais jovem deputada federal eleita por Minas Gerais, com 524.219 votos, a influenciadora sustenta que a disputa contra Flávio Bolsonaro (PL) será decidida pela capacidade de cada lado de alcançar o eleitor nas plataformas, terreno em que, na avaliação dela, a esquerda ainda está atrás.
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Lula terminou o primeiro turno, no domingo (4), com 45,16% dos votos, contra 47,03% de Flávio. O encontro com o presidente também teve a presença de Pedro Rousseff, sobrinho da ex-presidente Dilma Rousseff, eleito deputado federal com 118.567 votos. No mesmo dia, Ana Elisa esteve com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que publicou uma foto ao lado dela com a legenda “A onça vai beber água”.
Deputada critica post longo da campanha no X
Em entrevista ao programa Acorda Metrópoles, também na terça-feira, Ana Elisa afirmou que a esquerda não sabe se comunicar nas redes e precisa aprender com quem domina esse espaço. “É o momento de calçarmos a sandália da humildade e aprendermos com as pessoas que sabem se comunicar”, disse. Para ela, a campanha de Lula ainda não adaptou seus formatos à maneira como boa parte do eleitorado consome informação. “Não existe linguagem de comunicação na campanha do presidente Lula, e isso não é culpa do presidente. O presidente está ocupado fazendo campanha”, afirmou.
A deputada eleita citou como exemplo uma publicação no X, antigo Twitter, em que a campanha divulgou em texto extenso as diretrizes de Lula para a eleição. “A linguagem de agora é um vídeo no feed, é um vídeo no Reels, é um vídeo no TikTok”, disse. Ana Elisa estabeleceu ainda um prazo para a mudança de rumo e avaliou que, se a comunicação do presidente, do PT e dos demais partidos de esquerda não mudar até o próximo domingo, será muito difícil reverter o resultado.
O diagnóstico, segundo ela, se apoia no próprio resultado das urnas, já que os parlamentares que alcançaram algumas das maiores votações do país têm atuação intensa nas redes. Em Minas, Ana Elisa ficou atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL), que recebeu mais de 3,1 milhões de votos. “A partir de agora, quem for negacionista de rede social vai perder qualquer eleição, qualquer narrativa e qualquer discurso”, declarou.
Seguidores novos superaram número de votos
Natural de Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro, Ana Elisa ganhou projeção publicando vídeos sobre política e disputou uma eleição pela primeira vez neste ano. Ela se filiou ao PT em março, a convite de Lula, quando tinha cerca de 900 mil seguidores no Instagram, e passou do primeiro milhão em abril. Com a votação de domingo, tornou-se a deputada federal mais votada da história de Minas Gerais, marca que antes pertencia a Duda Salabert (PSOL).
O crescimento depois do pleito foi mais rápido. Desde domingo, o perfil da deputada eleita saltou de 1,9 milhão para 2,5 milhões de seguidores, cerca de 600 mil novos em dois dias, número superior ao de votos que ela recebeu. Só na terça-feira foram aproximadamente 200 mil. Dados do Google Trends mostram que as buscas pelo nome dela em Minas aumentaram 750% na semana da eleição em relação à anterior, com pico entre 17h e 21h do domingo, durante a apuração.
Juventude negra orienta prioridades do mandato
Logo após o resultado, em entrevista ao jornal O Tempo, Ana Elisa associou a própria eleição à presença de jovens negros na política. “Nós temos a cada 23 minutos um jovem preto morrendo no Brasil. O auge e o pico da morte de um jovem preto é aos 21 anos”, disse. Para ela, o momento em que um jovem branco pode se candidatar a qualquer cargo coincide com aquele em que um jovem negro se preocupa em chegar vivo em casa. “A gente precisa colocar gente como a gente nesses lugares”, afirmou.
A deputada eleita reconhece que a esquerda será minoria na próxima composição da Câmara e do Senado e avalia que a oposição precisará ocupar as redes com mais força para dar ao eleitor a dimensão do que está em jogo para a democracia. Ana Elisa assume o mandato em 2027. Antes disso, a estratégia que levou a Lula será testada na reta final da campanha, com o segundo turno marcado para 25 de outubro.
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