
Por Dr. Hédio Silva
Pesquisas do Instituto Quaest demonstram de modo irrefutável que o eleitorado negro foi um segmento que durante toda a campanha eleitoral manteve-se fiel ao Presidente Lula.
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Um estudo comparativo poderá demonstrar que esse apoio vem sendo detectado por pesquisadores desde pelo menos as eleições de 2006, primeiras nas quais foi desagregado o quesito cor/raça do eleitorado.
Naquele ano, a propósito, permanecia viva na memória do nosso povo a destemida decisão do Presidente Lula de nomear o Ministro Joaquim Barbosa para o Supremo Tribunal Federal, um homem negro retinto de origem pobre que construiu uma carreira brilhante no Ministério Público Federal e em universidades norte-americanas e europeias.
Uma outra decisão memorável para o povo preto foi a audaciosa criação do Ministério da Igualdade Racial, então denominado Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, em 2003, demonstrando o compromisso efetivo do Presidente Lula com a superação das desigualdades e violações de direito motivadas pelo racismo.
Mas foi também em 2003 que pela primeira vez um Presidente da República pisou numa comunidade de quilombo: em maio daquele ano o Presidente Lula reuniu toda sua equipe e, juntamente com a Ministra Matilde Ribeiro, da Igualdade Racial, reverenciou o 13 de maio, Dia Nacional de Denúncia Contra o Racismo, no famoso Quilombo dos Kalunga, situado em Goiás.
Dois anos depois, quando da morte do Papa João Paulo II, Lula convidou uma sacerdotisa do Candomblé, Mãe Valdina de Oyá, para integrar a comitiva de religiosos de diferentes confissões que o acompanharam na viagem para Roma, para o funeral do Papa.
Não foi mero acaso, portanto, o compromisso reafirmado ontem pelo Presidente Lula de assegurar igualdade de tratamento a todas as religiões e observar a cláusula constitucional da laicidade do estado.
Isto sem falarmos nas políticas de inclusão, dentre as quais as cotas raciais no acesso ao ensino superior, que tiveram início antes dos governos populares, por força da ação coletiva do Movimento Negro, mas que foram encampadas por Lula e Dilma, especialmente depois que o STF proclamou, em 2012, a constitucionalidade das ações afirmativas.
Essas são as razões que certamente pesaram na avaliação do eleitorado negro e do povo de Terreiro ao compararem dois projetos inconfundíveis: um Presidente com histórico de ações concretas em favor da igualdade racial e da liberdade de crença e um miliciano que votou sistematicamente contra políticas de inclusão racial e cujo pai e mentor não teve o menor pudor em tratar quilombolas como animais inúteis.
Por isso nunca se viu nas ruas e nas redes sociais tamanha mobilização, conscientização e unificação de influenciadores negros(as) e lideranças afrorreligiosas em favor da democracia e contra o nazifascismo.
A esta mobilização o Presidente Lula também deve agradecimento e sobretudo reconhecimento na nova forma de governar que anunciou ontem.
O povo preto e o povo de terreiro dispõem de quadros técnicos e intelectuais do mais alto gabarito aptos a ocupar cargos de alta relevância e a colaborar efetivamente com o Presidente Lula, lembrando que colaborar frequentemente significa dizer aquilo que o interlocutor precisa ouvir e não apenas o que gostaria de ouvir.
Dentre as muitas coisas que o Presidente Lula certamente agradecerá por ter sido alertado é que passados 23 anos de sua visita ao quilombo de Kalunga a comunidade permanece sem a titulação de suas terras.
Saudemos a sabedoria dos nossos ancestrais, a resistência e resiliência do povo preto e do Povo de Terreiro e saudemos também a vocação estadista do Presidente Lula.
Ao trabalho!!!

