4ª edição do Encontro Negro de Contadores de Histórias celebra saberes ancestrais de matriarcas de comunidade mineira

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4ª edição do Encontro Negro de Contadores de Histórias celebra saberes ancestrais de matriarcas de comunidade mineira
Foto: Thiago Pacheco.

Idealizado pelo Coletivo Iabás, o Encontro Negro de Contadores de Histórias – Embondeiro 2021 terá como protagonismo histórias pretas e os saberes ancestrais das matriarcas da Pedreira Prado Lopes, em Belo Horizonte. O evento, que acontece neste sábado (16), apresenta ao público 15 contadores de histórias, uma roda de conversa com as matriarcas, além da atração musical de encerramento com o grupo Orisamba. Toda a programação on-line e gratuita será exibida pelo canal do Coletivo Iabas no Youtube.

O evento trará a diversidade de histórias das tradições africanas na África e na diáspora. Histórias de bichos, de gente e sobre orixás. O elenco contará com: Adriana Vieira, Aline Costa, Anderson Ferreira, Ariane Maria, Cida Araujo, Elaisa de Souza, Eneida Baraúna, Evandro Nunes, Fabiana Brasil, Flávia Filomena, Jéssica Tamietti, Marcus Carvalho, Teily Assis, Vanessa Anastácio e Wellison Maurício. A abertura será com Pai Ricardo, coordenador da Associação de Resistência Cultural Afro-brasileira Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente (CCPJO) e sabedor de conhecimentos sobre as ervas, os toques e cuidados com os tambores, as cantigas, as benzeções e rezas.

Para Chica Reis, uma das organizadoras, ouvir as anciãs e contadores pretos é essencial para conhecer o outro lado da história de Belo Horizonte, uma forma de descobrir a capital pela perspectiva de quem a construiu: “tem um provérbio que diz que enquanto o leão não souber contar as suas histórias, só as histórias dos caçadores virão e as histórias dos caçadores sempre dizem que os leões morrem, que os leões são caçados”. O Encontro Negro de Contadores de Histórias é uma oportunidade de conhecer a história da cidade e cultura brasileira já que os envolvidos têm muitas histórias e que por vezes não encontram espaços para chegarem a mais pessoas.

As matriarcas

Um dos destaques da edição é a roda de conversa com as matriarcas Iolanda, Marlene e Dona Geralda, Dona Osiva, Joaquina e Noeme. As matriarcas, moradoras da Pedreira e do Buraco Quente, são guardiãs de saberes e tradições, foram convidadas para partilhar suas histórias e vivências de um matriarcado com características muito próprias da Pedreira. “As matriarcas representam uma amostra das mulheres dentro da Pedreira que é o lugar de gestora das famílias. Nesse sentido elas têm uma referência muito grande com o matriarcado africano, porque cuidam da economia, além de cuidar dos filhos e netos”, destaca Madu Costa, escritora e arte-educadora, também organizadora do Encontro.

Pai Ricardo e Bloco Orisamba

Pai Ricardo, responsável pelo (CCPJO) destaca que o evento é “uma oportunidade de fazer algo pela Pedreira e pelas populações do local ao voltar os olhares para dentro e construindo com os moradores de lá um encontro que ressalta a importância da Pedreira que é o berço da confluência e transferência dos costumes, da culinária e histórias da região da Lagoinha”. O Grupo de Samba e Bloco Orisamba, que também é coordenado pelo Pai Ricardo, encerra a festividade reforçando a mensagem que o Encontro quer passar: a Pedreira Padro Lopes é um local que pulsa cultura e tradição.

Embondeiro, árvore de raízes profundas

Depois de uma viagem das idealizadoras para Angola, o Encontro Negro de Contadores de Histórias de Minas Gerais ganha um nome ainda mais simbólico: Embondeiro, árvore popularmente conhecida no Brasil como Baóba. O nome do evento foi escolhido pela força e significado da árvore, que tem raízes profundas, dá fruto e alimenta, além de acolher com sua sombra. Magna Oliveira, contadora de histórias e organizadora do evento, explica que Embondeiro representa a força que emana da periferia: “o Embondeiro está dando vários recados: sobre a importância de contar histórias pretas, além da escolha da equipe preta. Enfim, é um evento dentro da periferia que abraça as pessoas da comunidade”.

Sobre o Coletivo Iabás

O Coletivo Iabás é composto por três mulheres negras contadoras de histórias: Chica Reis, Magna Oliveira e Madu Costa que se conheceram para a produção da 4° edição do Ayó Encontro Negro, que passou por Minas Gerais em 2018 e foi idealizado pela pesquisadora e produtora Nathália Grilo Cipriano. Após essa produção, fundaram o Coletivo Iabas, em 2018. Além de viajar pelo país contando histórias, ao longo dos últimos anos reuniram contadores de histórias negros de Minas Gerais e de outros estados em eventos com apresentações, gastronomia e arte protagonizada por artistas negros.

Serviço:

4° Edição do Encontro Negro de Contadores de Histórias – Embondeiro 2021

Data: 16 de outubro (sábado)

Horário: 10h às 17h

link do Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCMdFEAtHQlbpsUtEKpkgtMQ

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