3 pretos ocupam o top 5 de rejeição do Big Brother Brasil

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Foto: Reprodução

Um dos maiores medos de quem entra para o reality mais assistido do país, é ser rejeitado, o que pode acontecer com muita facilidade, pois na mesma proporção que o público acolhe, eles julgam. 

“Sentia que parecia que as pessoas queriam me expelir, igual na escola, fui o único negro, e as pessoas queriam me expelir.” Nego Di fala sobre a rejeição do público

A intenção não é defender o indefensável, mas sim fazer uma análise e entender o que 3 pessoas pretas ocupando um top 5 de rejeição pode significar. Pessoas pretas são rejeitadas pela sociedade de diversas formas, e a todo o tempo.

O acolhimento para pessoas brancas chega mais fácil do que para pessoas pretas, assim como o perdão, que é liberado para pessoas brancas, mas privado para pessoas pretas. Se engana quem acha que as maiores rejeições irem para pessoas pretas se trata apenas do comportamento do participante na casa, quando sabemos que por ser uma pessoa preta ela já entra com alto índice de rejeição, o programa reflete a vontade do público e se em 21 anos nunca teve um grande número de participantes pretos, foi porque o público aceitou.

Em uma versão do Big Brother Brasil com o maior número de negros, é muito simbólico que esses pretos estejam sendo os mais odiados, frases como “tinha que ser os pretos” já foram postadas nas redes, para justificar atitudes de alguns participantes, e de bonus, questões raciais de extrema importância estão sendo banalizados devido ao ódio pelo participante que os aborda lá dentro. A quem isso beneficia senão os racistas?

  • Nego Di (“BBB21”) – 98,76% 
  • Aline (“BBB5”) – 95%
  • Nayara (“BBB18”) – 92,69%

“Mas a Cida, Thelminha e Gleici são mulheres pretas e venceram o programa” 

Quem não lembra de Aline do BBB13 que foi a primeira eliminada da edição com 77% dos votos? Carioca, preta e favelada. Aline protagonizou uma briga com Kleber Bambam, ganhou a antipatia do público e foi taxada como “barraqueira”. 

O público quer moldar os participantes pretos e quando não tem o que querem, os rejeitam. O perfil de pessoas pretas que é melhor aceito é o de pessoas calmas, sensatas e sempre coerentes. Mas pessoas pretas também vão errar, na vida ou em um programa de TV e se no programa o que sobra pra eles é rejeição, o que acontece na vida real?

Que o Brasil é um país racista, nós sabemos! Não é coincidência serem pretos os jovens que mais morrem pelas mãos da polícia, as pessoas que ocupam os trabalhos informais, os desempregados e pessoas fora de ambientes de estudo. O ódio da sociedade que é destilado contra pessoas negras, não é disfarçados nem em um reality show, toda a mobilização para dar a rejeição para um participante preto não veio em outros momentos, outras edições com participantes brancos tão desagradáveis quanto.

As fakes se espalham, famílias são ameaçadas, trabalhos são perdidos porque o público decide que o jogo não acaba com a eliminação. E essas consequências chegam dessa forma intensificada, por conta do racismo. O preto para ganhar empatia do público brasileiro tem que ser perfeito, nunca cometer deslizes durante sua trajetória no programa, caso contrário, é rejeição.

As reações do público não são as mesmas e um olhar para o BBB20 já nos confirma isso, o participante Felipe Prior, ainda que conhecido por muitas atitudes polêmicas na casa conseguiu o acolhimento do público, teve apoio de artistas, jogadores de futebol e até políticos e saiu por muito custo no paredão, mas com uma carreira intacta prestes a decolar aqui fora. Embora seu parceiro Babu Santana, também esteja se dando bem profissionalmente, no jogo, a mobilização era diferente. Em todos os 10 paredões enfrentados pelo ator, a família e os administradores da página precisavam negar fakes, denunciar casos de racismo e derrubar contas falsas criadas apenas para atacar o participante. 

Ressaltando que a ideia não é falar das atitudes dos participantes na casa, mas sim sobre suas vidas após sair do programa. Enquanto Nego Di, Aline e Nayara lidam com o sentimento de rejeição, que tomam proporções absurdas, como ameaças à família e xingamentos nas redes sociais, a <racista> Paula do BBB19 e a Patrícia do BBB18 vivem uma boa vida de influenciadoras digitais. Porque as consequências diferem para quem desagrada milhões de telespectadores? De onde vem todo esse ódio contra pessoas negras? 

Não podemos esquecer também, que muitas vezes, o racismo vem disfarçado. Uma página focada na rejeição da cantora Karol Conká já ultrapassou 2 milhões de seguidores e conta com publicações racistas disfarçadas de piadas para brancos rirem.

Ontem (16), no paredão do  Nego Di, artistas brindaram, soltaram fogos e vibraram como uma final de copa do mundo, e a pergunta que fica é “veremos a mesma reação quando outros participantes brancos problemáticos saírem?” Ficaremos no aguardo

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