Conheça Alma no Olho, Abolição, Samba no Trem e outros filmes dirigidos por Zózimo Bulbul, que fundou o Centro Afrocarioca de Cinema, e veja onde assistir
O cineasta e ator Zózimo Bulbul, nascido Jorge da Silva em 21 de setembro de 1937, no Rio de Janeiro, completaria 89 anos neste 21 de setembro de 2026. Pioneiro do cinema negro brasileiro, ele morreu em 24 de janeiro de 2013, aos 75 anos, e deixou como diretor uma obra da qual o Centro Afrocarioca de Cinema, instituição que fundou, reúne seis títulos em seu site: Alma no Olho, Aniceto do Império em Dia de Alforria, Abolição, Samba no Trem, Pequena África e República Tiradentes.
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Zózimo começou a carreira no Centro Popular de Cultura da UNE, no início dos anos 1960, e estreou no cinema em 1962, em Pedreira de São Diogo, curta de Leon Hirszman que integra Cinco Vezes Favela. Ele atuou em títulos do Cinema Novo, como Ganga Zumba e Terra em Transe, e em 1969 se tornou o primeiro protagonista negro de uma telenovela brasileira, em Vidas em Conflito, na TV Excelsior, ao lado de Leila Diniz.

Zózimo, insatisfeito com os papéis reservados a atores negros, passou a escrever e dirigir os próprios filmes, e em 1973 realizou Alma no Olho, considerado uma referência do cinema negro brasileiro. Depois, criou o Centro Afrocarioca de Cinema, na Lapa, que realiza o Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul, festival internacional voltado ao cinema negro, com cineastas da África e da diáspora.
Alma no Olho

O curta de cerca de 11 minutos, primeiro filme dirigido por Zózimo, foi feito com sobras de negativo de Compasso de Espera e inspirado no livro Alma no Exílio, do militante dos Panteras Negras Eldridge Cleaver. O próprio Zózimo atua diante de uma câmera fixa, em imagens fragmentadas do rosto, da boca e de um corpo nu, e percorre a trajetória da população negra desde o corpo livre da origem africana até a escravização, ao som de John Coltrane.
Aniceto do Império em… Dia de Alforria…?

Aniceto de Menezes, o Aniceto do Império, fundador da escola de samba Império Serrano e considerado mestre do partido-alto, conta a própria história, com a própria voz, neste documentário de 12 minutos, do nascimento no Estácio à chegada ao Prazer da Serrinha, passando pelo trabalho no Cais do Porto e pela organização do Sindicato da Resistência. Os letreiros iniciais dedicam o filme a Zumbi dos Palmares e a todos os quilombolas, mortos e vivos.
Abolição

Abolição foi realizado em 1988, para o centenário da Lei Áurea, e investiga, em cerca de duas horas e meia, o que aconteceu com a população negra no Brasil nos cem anos seguintes, com fotos de arquivo, pinturas de Jean-Baptiste Debret, canções de candomblé e depoimentos de nomes como Abdias Nascimento, Lélia Gonzalez, Beatriz Nascimento e Grande Otelo. O longa-metragem recebeu os prêmios de melhor roteiro e fotografia no Festival de Brasília, em 1988, e de melhor documentário no Festival Latino de Cinema de Nova York, em 1990.
Samba no Trem

A comemoração do Dia Nacional do Samba, em 2 de dezembro, ocupa os trens que saem do centro do Rio de Janeiro em direção ao subúrbio de Oswaldo Cruz neste documentário de 22 minutos, com rodas de samba nas estações e sambistas como Nelson Sargento, Paulinho da Viola, Monarco, Beth Carvalho e Tia Surica em meio aos passageiros.
Pequena África

Um menino fala sobre a Pequena África, nome dado a uma região do Rio de Janeiro onde viveram ex-escravizados, e a partir dele o curta de 14 minutos mapeia a antiga vida do lugar por meio do casario e das lembranças de uma senhora filha de africanos, com passagem pela Pedra do Sal, local de chegada de escravizados e um dos berços do samba.
República Tiradentes

A Praça Tiradentes, no centro do Rio, berço das gafieiras e da malandragem carioca, é o tema deste documentário de 36 minutos, filmado em mini DV, que reúne histórias de dançarinas de gafieira, atores, malandros e da boemia que frequentou a região, em homenagem à origem da gafieira.
Onde assistir
A Itaú Cultural Play, plataforma gratuita de streaming do cinema brasileiro, reuniu os seis filmes em uma mostra dedicada a Zózimo lançada em novembro de 2021. O acesso é feito pelo site itauculturalplay.com.br, com opção de entrar sem cadastro, e por aplicativos para Android e iOS e smart TVs. A mostra também incluiu outros filmes dirigidos por ele, como Referências, Zona Carioca do Porto e Renascimento Africano. O Centro Afrocarioca de Cinema fica na Rua Joaquim Silva, 40, na Lapa, e mantém perfil no Instagram, @centroafrocariocadecinema.
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