Mundo Negro

“Você acha que eu queria dizer ao mundo que tinha transtorno bipolar?”: Jenifer Lewis fala sobre o diagnóstico que afetou até sua vida íntima

Foto: reprodução/youtube

Em entrevista ao podcast de Keke Palmer, atriz descreveu décadas vivendo com transtorno bipolar não diagnosticado, a resistência ao tratamento e o trabalho que transformou sua relação com a própria saúde

Jenifer Lewis, atriz com mais de 250 episódios de televisão e 60 filmes, falou abertamente sobre o transtorno bipolar que a acompanha desde a juventude e que, por anos, permaneceu sem diagnóstico e sem tratamento. Em entrevista ao podcast “Baby, This Is Keke Palmer”, Jenifer Lewis, atriz com mais de 250 episódios de televisão e 60 filmes, falou abertamente sobre o transtorno bipolar que a acompanha desde a juventude e que, por anos, permaneceu sem diagnóstico e sem tratamento. Em entrevista ao podcast “Baby, This Is Keke Palmer”, Lewis descreveu como o estado maníaco não gerenciado afetou diferentes áreas da sua vida e afirmou que, durante esse período, não reconhecia o que vivia como um problema. “Nunca soube que era um problema. Eu achava que todo mundo era assim”, disse.

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O transtorno bipolar é uma condição de saúde mental caracterizada por oscilações intensas de humor entre fases de mania, marcadas por euforia, impulsividade e energia elevada, e fases de depressão, com tristeza profunda e dificuldade de funcionar no cotidiano. Quando não tratado, pode comprometer relacionamentos, carreira e colocar a vida em risco. Lewis foi diagnosticada em 1990, aos 32 anos, depois de um colapso nervoso desencadeado pela epidemia de AIDS, período em que perdeu aproximadamente 200 pessoas do seu círculo próximo, em sua maioria homens gays que integravam os elencos da Broadway. “Você chegava em casa e três tinham morrido. Você chegava em casa e cinco tinham morrido na secretária eletrônica. Foi uma época que não fazia sentido, porque éramos jovens demais para vivenciar aquele tipo de morte”, relatou no podcast.

Foi uma amiga que a convenceu a buscar ajuda, embora Lewis admita que resistiu. “Eu fui chutando e gritando, porque eu a admirava. E você ouve as pessoas que respeita. Mas quando você está naquele estado maníaco, você não ouve ninguém. Você só quer estar no alto. Você quer ser vista. Há um desespero ligado a essa necessidade”, disse. A atriz ressaltou que o estado maníaco cria uma ilusão de controle que dificulta o reconhecimento do problema, e que a disposição para se tratar precede qualquer avanço. “Você tem que querer estar bem. As pessoas não têm paciência. Ficam dizendo ‘não gosto de como isso me faz sentir’. Mas se você quer acelerar num carro e matar alguém na estrada, acho que vale a pena levar um tempo para gerenciar esses remédios.”

Lewis ressaltou que não defende a medicação como único caminho, mas é enfática sobre buscar acompanhamento profissional. “Eu promovo o tratamento. Vá conversar com alguém. Se alguém te tocou, se alguém te abusou, e você não está falando sobre isso, vá buscar ajuda”, disse. A atriz também falou sobre a necessidade de paciência com o processo de ajuste da medicação, explicando que cada organismo responde de forma diferente e que desistir cedo é um dos maiores obstáculos ao tratamento eficaz.

A decisão de tornar públicas essas experiências, incluindo o transtorno bipolar, os abusos sofridos na infância por um pastor e os comportamentos compulsivos da fase sem tratamento, foi descrita por Lewis como uma escolha deliberada de servir a quem ainda não consegue nomear o que vive. “Você acha que eu queria contar ao mundo que tinha transtorno bipolar? Você acha que eu queria contar ao mundo todas essas coisas? Você não sabe por quê? Porque eu queria que você aprendesse com isso. Eu consegui tudo o que queria porque disse a verdade”, afirmou. Lewis documentou essa trajetória no memoir “The Mother of Black Hollywood” e prepara um show solo no qual revisita cada uma dessas passagens, que segundo ela será entregue como legado para as gerações mais jovens.

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