Tim Maia, o Síndico que levou o soul às rádios, faria 84 anos

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Tim Maia, o Síndico que levou o soul às rádios, faria 84 anos
Foto: reprodução

Pioneiro do soul em português e referência do Black Rio, o cantor carioca nasceu em 28 de setembro de 1942 e ganhou o apelido em música de Jorge Ben Jor

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Tim Maia completaria 84 anos nesta segunda-feira (28), e o apelido de Síndico, registrado por Jorge Ben Jor na música “W/Brasil (Chama o Síndico)”, ainda é a forma como músicos e fãs se referem a ele. Morto em 1998, aos 55 anos, Sebastião Rodrigues Maia foi um dos primeiros artistas a cantar soul em português e a levar o gênero às rádios do país, e é citado como referência por artistas de diferentes gerações, o que faz dele o cantor preferido de muitos dos cantores que o público mais ouve.

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Nascido na Tijuca, na zona norte do Rio, o cantor era o penúltimo de 19 filhos e entregava as marmitas da pensão da família, o que lhe rendeu o apelido de Tião Marmiteiro. Começou a compor aos 8 anos, tocou bateria em um grupo do bairro aos 14 e depois passou a dar aulas de violão para garotos da vizinhança, entre eles Erasmo Carlos. No fim dos anos 1950, integrou os Sputniks, conjunto que tinha Roberto Carlos na formação, e dividia com Jorge Ben Jor o gosto pelo rock norte-americano.

Em 1959, aos 17 anos, viajou sozinho para os Estados Unidos, onde viveu na região de Nova York, trabalhou em empregos temporários e cantou no grupo vocal The Ideals, período em que passou a usar o nome pelo qual ficaria conhecido. Voltou ao Brasil em 1964, depois de quatro anos ouvindo e cantando o soul feito por artistas negros norte-americanos.

Primeiro disco saiu seis anos depois da volta ao Brasil

Os anos seguintes foram de portas fechadas em gravadoras e entre antigos colegas que já faziam sucesso na Jovem Guarda, sem espaço para o soul que ele cantava. A situação começou a mudar quando “Não Vou Ficar”, composição dele, chegou às paradas em 1969. No ano seguinte, gravou com Elis Regina e lançou o primeiro LP, que tinha “Azul da Cor do Mar”, “Coroné Antônio Bento” e “Primavera”, música de Cassiano, e em 1971 emplacou “Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar)”.

Nesses discos, o cantor juntou os metais e o groove do soul ao samba, ao baião e às baladas românticas, alternando letras em português e em inglês. O som tomou as rádios e se tornou uma das principais referências do movimento Black Rio, que nos anos 1970 reuniu milhares de jovens negros em bailes nos subúrbios cariocas. Ao lado de nomes como Cassiano e Hyldon, ele consolidou uma produção de soul brasileiro que influenciou Sandra de Sá, sua parceira no dueto “Vale Tudo”, de 1983, o sobrinho Ed Motta e gerações seguintes da música preta do país.

Em meados daquela década, aderiu à Cultura Racional, deixou o álcool e as drogas e gravou os discos “Racional” volumes 1 e 2, que renegou ao se afastar da seita, em 1976. Os álbuns saíram pelo Seroma, selo criado por ele e considerado o primeiro independente do Brasil, ficaram anos fora de catálogo e, depois de relançados, se tornaram alguns dos mais citados de sua discografia.

Apelido de Síndico nasceu de uma brincadeira

O apelido surgiu de uma conversa entre Jorge Ben Jor e o publicitário Washington Olivetto sobre a situação do país no governo Collor, quando Olivetto brincou que o Brasil estava tão bagunçado que Tim Maia poderia virar o síndico da nação. Jorge transformou a brincadeira em “W/Brasil (Chama o Síndico)”, lançada no início dos anos 1990, e o próprio cantor adotou o título com humor. Com o tempo, muitas leituras passaram a associar o apelido à revolução que ele propôs na música brasileira, como alguém que reorganizou a casa por dentro.

O cantor acumulou uma reputação de atrasar, interromper e cancelar apresentações, e nunca escondeu que não gostava de fazer shows. Costumava brincar que os contratantes fariam melhor negócio se não o contratassem e, quando subia ao palco, repetia ao técnico de som os pedidos de “mais grave, mais agudo, mais retorno”, frase que músicos e fãs usam até hoje.

Os próprios hábitos também viravam piada, e uma das frases mais repetidas dele é “Não fumo, não bebo e não cheiro. Só minto um pouco”. Sobre as dietas, contava que tinha cortado álcool, gordura e açúcar e que, em duas semanas, havia perdido 14 dias. Em 8 de março de 1998, passou mal no palco do Teatro Municipal de Niterói, durante a gravação de um show, e morreu uma semana depois, no dia 15.

Gravadora de David Byrne apresentou o cantor ao público dos Estados Unidos

O reconhecimento internacional ganhou escala em 2012, quando a Luaka Bop, gravadora criada por David Byrne, ex-líder dos Talking Heads, lançou “Nobody Can Live Forever: The Existential Soul of Tim Maia”. A coletânea reuniu 15 gravações dos anos 1970, incluindo faixas da fase Racional, exigiu dez anos de negociação de direitos e foi lançada junto com festas pelo aniversário de 70 anos do cantor em cidades de quatro continentes. Na época, a revista Rolling Stone descreveu seu som como uma versão brasileira de Curtis Mayfield e Barry White.

Em fevereiro deste ano, a orquestra da pré-cerimônia do Grammy tocou “O Descobridor dos Sete Mares”, gravada por ele em 1983, durante a entrega de um dos prêmios da noite. O selo espanhol Vampisoul relançou em 2026 o álbum de 1973, apontado por críticos como um dos melhores da carreira, e “Acenda o Farol”, de 1978, chegou a um público jovem no fim de 2024 depois de viralizar no TikTok com vídeos sobre supostos significados escondidos na letra. Lançamentos e homenagens ao cantor são divulgados no perfil oficial @timmaia.oficial.

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