Mundo Negro

Thelminha ganha processo de racismo contra Rodrigo Branco; empresário terá que pagar R$ 40 mil

Fotos: denis.cord/Instagram e Reprodução/Instagram

A Justiça de São Paulo condenou o empresário Rodrigo Branco, ex-diretor da Band, ao pagamento de R$ 40 mil em indenização por danos morais à médica e campeã do Big Brother Brasil 2020, Thelma Assis. A decisão é resultado de um processo movido após declarações feitas por ele durante uma live realizada em 2020, quando afirmou que o público votava em Thelma por ela ser uma “negra coitada”.

Nesta tarde, Thelma se manifestou nas redes sociais sobre a condenação e destacou a importância do reconhecimento judicial do caso.

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“Eu precisava que a justiça reconhecesse o fato, e ela foi feita. Foram seis anos lutando praticamente sozinha, somente com o apoio da minha família e dos meus advogados, contra uma injúria racial covarde, já que eu estava confinada na época do ocorrido e não pude me defender”, escreveu.

A médica também ressaltou o impacto emocional e simbólico da decisão após anos de tramitação do processo. Sua manifestação foi recebida como um marco importante na busca por responsabilização em casos de violência racial.

Entenda o caso

Durante uma transmissão ao vivo realizada enquanto o BBB 20 ainda estava em exibição, Rodrigo Branco afirmou que Thelma era “horrível” e que recebia apoio do público por ser uma “negra coitada”. Na mesma ocasião, também fez comentários sobre a jornalista Maju Coutinho, afirmando que ela estaria em sua posição profissional “por causa da cor”.

As declarações geraram ampla repercussão nas redes sociais e foram criticadas por reforçarem estereótipos raciais que desconsideram trajetórias construídas por mérito, competência e talento.

Justiça reconhece caráter discriminatório das declarações

Na sentença, a juíza Flávia Ribeiro afirmou que o empresário, “na tentativa de diminuir os evidentes atributos pessoais de Thelma, carisma, talento, competência, entre outros”, praticou um “comportamento discriminatório que não se pode admitir”.

A magistrada também entendeu que as declarações ultrapassaram a esfera individual e atingiram a coletividade ao reforçarem padrões históricos de exclusão.

Segundo a decisão, a fala não apenas atingiu a honra da médica, mas também reproduziu mecanismos de discriminação racial presentes na sociedade brasileira. Por esse motivo, a Justiça reconheceu a gravidade do caso e determinou o pagamento da indenização, que ainda será acrescida de juros e correção monetária.

De acordo com informações do processo, Rodrigo Branco não apresentou defesa na ação.

Após a repercussão das declarações, ele divulgou um vídeo afirmando que já havia falado “besteiras” e que mudar de opinião fazia parte do aprendizado. Em entrevista concedida posteriormente à revista Veja, também declarou que não era racista e que suas críticas se referiam ao desempenho de Thelma no programa.

Mesmo com a condenação, o empresário ainda poderá recorrer da decisão.

A decisão judicial ocorre seis anos após o episódio e representa um reconhecimento institucional da violência racial denunciada por Thelma Assis.

Para Thelma, a condenação simboliza o encerramento de uma longa disputa por justiça e o reconhecimento oficial de uma violência que, segundo ela, ocorreu em um momento em que não podia sequer responder publicamente às acusações por estar confinada no reality show.

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