Em um movimento de retorno às origens para curar o presente, incorporando o princípio ancestral de Sankofa, a intelectual Aza Njeri lança a obra ‘Somos Sol Vivo: ensaios radicais sobre experiências da Vida‘. No livro, a pesquisadora desenvolve o conceito de “Solaridade”, uma provocação para que a sociedade brasileira abandone as bases coloniais e reconstrua seu imaginário a partir da valorização comunitária.
Com uma narrativa fluida e emocionante, a doutora em Literaturas Africanas tece reflexões que entrelaçam sua própria história pessoal e familiar com análises críticas sobre o sistema sociopolítico global, a educação e as artes. O coração da obra bate no conceito de “Sol Vivo”, cunhado pela autora como um princípio essencial de vitalidade e responsabilidade coletiva. Em contraposição ao individualismo adoecedor do Ocidente, a Solaridade orienta os valores de convivência para uma perspectiva comunitária de existência, onde o brilho de cada indivíduo é nutrido pela coletividade.
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Em suas redes sociais, a escritora celebrou a chegada da obra, que condensa uma longa trajetória de dedicação acadêmica e espiritual. “Esse livro é a reunião dos meus últimos sete anos de pesquisa, um trabalho aprofundado que perpassa as filosofias africanas, filosofias afrodiaspóricas, principalmente as de terreiro. Passa por um trabalho pelas artes, pensando música, literatura e cinema, e, principalmente, faz uma crítica ao mundo contemporâneo”, destaca a autora. “Essa obra é muito especial porque eu me dediquei durante muito tempo para pensá-la e estou muito feliz em saber que agora ela ganha o mundo para também acender outros sóis.”
Ao longo dos ensaios, Somos Sol Vivo se revela um verdadeiro tour de force. A autora utiliza a educação e a pesquisa como ferramentas inegociáveis de reparação histórica de populações marginalizadas. O livro apresenta ao leitor uma “gramática de resistência”, fortalecendo os debates contemporâneos sobre o letramento racial.
Para estruturar essa jornada, cada capítulo é conectado a um Adinkra—conjunto de símbolos visuais do povo Ashanti (Gana) que sintetiza provérbios, valores e conceitos filosóficos fundamentais. A obra ainda estabelece conexões profundas com as filosofias Bacongo e Ubuntu (“Eu sou porque nós somos”), mostrando como o apagamento da presença negra na constituição simbólica do país empobrece nossa compreensão de mundo.
A obra já está disponível para venda no site oficial da editora HarperCollins Brasil. Aza Njeri reforça o convite para que o público se reconecte com essas reflexões urgentes. “Venha conhecer esse meu novo trabalho, feito para acender o seu sol com muito respeito, e lembrar a todos, todas e todes que a nossa humanidade, ela é inegociável”, convida a escritora.
Aza Njeri é professora e pesquisadora de literaturas, culturas, artes e filosofias africanas e afro-diaspóricas. Integra o corpo docente da PUC-Rio, além de atuar como roteirista, crítica teatral e literária, e criadora de conteúdo no YouTube.