Ruby Bridges: 1ª criança negra em escola branca no sul dos EUA

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Ruby Bridges: 1ª criança negra em escola branca no sul dos EUA
Foto: Getty Images/APPaul Morigi

Em 1960, aos seis anos, ela foi escoltada por agentes federais para entrar na Escola Primária William Frantz, em Nova Orleans.

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Ruby Bridges nasceu em 8 de setembro de 1954, em Tylertown, no Mississippi, filha de Abon e Lucille Bridges. A família se mudou para Nova Orleans, na Louisiana, ainda durante a infância de Ruby, em busca de melhores oportunidades de trabalho e educação. O ano de seu nascimento coincidiu com um marco jurídico decisivo nos Estados Unidos: a Suprema Corte americana declarou, no caso Brown v. Board of Education, que a segregação racial nas escolas públicas era inconstitucional, encerrando formalmente décadas de validação legal da doutrina “separados, mas iguais”, firmada em 1896 no caso Plessy v. Ferguson.

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A decisão da Suprema Corte, no entanto, levou anos para se traduzir em mudanças concretas na Louisiana. Somente em 1960 um juiz federal determinou o início da dessegregação nas escolas do estado. Foi nesse contexto que a NAACP, organização histórica de defesa dos direitos civis, aplicou testes de admissão em crianças negras de Nova Orleans para avaliar quais poderiam frequentar instituições até então exclusivamente brancas. Ruby foi uma das seis aprovadas e a única designada para a Escola Primária William Frantz.

No primeiro dia de aula, Bridges precisou ser acompanhada por agentes federais em meio a protestos de pais brancos. A diretora a levou diretamente para a sala da direção, onde permaneceu o dia inteiro enquanto centenas de crianças eram retiradas da escola pelos próprios pais. Durante toda a primeira série, Ruby teve uma única professora, Barbara Henry, e foi a única aluna da turma. Ela não podia frequentar o refeitório nem o parquinho, e precisava de escolta até para usar o banheiro. A pressão também atingiu a família: os pais perderam o emprego e, anos depois, se separaram.

Foto: Getty Images/reprodução

A trajetória de Bridges se tornou símbolo do movimento pelos direitos civis nos Estados Unidos, sobretudo depois que o pintor Norman Rockwell retratou sua caminhada até a escola na obra “O Problema com o Qual Todos Vivemos”, publicada pela revista Look em 1964. Já adulta, Bridges se tornou autora e ativista, fundou a Ruby Bridges Foundation em 1999 e atuou para preservar a Escola Primária William Frantz após danos causados pelo furacão Katrina, em 2005.

É importante uma precisão histórica: a própria biografia oficial de Ruby Bridges, publicada pelo National Women’s History Museum, define sua conquista como a de “primeira criança afro-americana no Sul a frequentar uma escola primária exclusivamente branca”, não como a primeira do país. No mesmo dia de sua matrícula, outras três meninas negras (Leona Tate, Gail Etienne e Tessie Prevost) integraram simultaneamente a escola McDonough 19, também em Nova Orleans.

Em 2024, Ruby Bridges foi incluída no Hall da Fama Nacional das Mulheres, reconhecimento que reafirma o peso histórico de sua trajetória iniciada ainda na infância.

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