Rio celebra os 187 anos de Machado de Assis com festival gratuito de 12 horas na Pequena África

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Rio celebra os 187 anos de Machado de Assis com festival gratuito de 12 horas na Pequena África
Foto: Fundação Biblioteca Nacional

Pela primeira vez, o Rio celebra os 187 anos de Machado de Assis com 12 horas de programação gratuita no MAR, na Pequena África. Saiba tudo sobre o festival.

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A Prefeitura do Rio de Janeiro realiza no dia 21 de junho de 2026 o Festival Machado de Assis, evento gratuito e inédito que ocupa o pilotis e o térreo do Museu de Arte do Rio (MAR), na região da Pequena África, durante 12 horas de programação cultural contínua. A data marca os 187 anos de nascimento do escritor, considerado o maior nome da literatura brasileira, e a celebração reunirá caminhada literária, rodas de conversa, debates acadêmicos, apresentações musicais, microfone aberto, experiências imersivas e um baile charme como encerramento. A entrada é gratuita e as atividades começam às 9h.

O evento é apresentado pela Secretaria Municipal de Cultura e realizado pela Academia Brasileira de Letras e pela Terreiro Produções, com apoio do Itaú Cultural. A curadoria ficou a cargo da escritora e imortal Ana Maria Gonçalves, que também idealizou o festival, e dos artistas Felipe Oladélè, Hugo Germano e Muato. A escolha do MAR não é casual: o museu está situado na Pequena África, território que concentra parte significativa da memória cultural afro-brasileira do Rio de Janeiro e guarda relação direta com o universo que Machado de Assis habitou e descreveu ao longo de sua obra.

Foto: Editora Record / Divulgação

O dia começa com uma caminhada guiada a partir do conto “Noite de Almirante”, que conduzirá o público por locais históricos do centro do Rio ligados à trajetória do escritor e à memória cultural da cidade. A atividade funciona como porta de entrada para uma programação que percorre diferentes linguagens e públicos ao longo das horas seguintes, desde intervenções artísticas e um quiz literário até experiências fotográficas com tecnologia de filtros.

Uma das atrações do espaço será a Ocupação Captu, instalação cenográfica inspirada no século XIX que recria o ambiente presente nos romances machadianos, com móveis e objetos de época. Os visitantes poderão participar de uma ativação fotográfica com o filtro “Olhos de Ressaca”, referência direta à descrição de Capitu em “Dom Casmurro”, e receberão ao final uma fotografia impressa personalizada. A proposta conecta o texto literário a uma experiência sensorial contemporânea, aproximando o público de uma das personagens mais debatidas da literatura nacional.

Debates com acadêmicos da ABL

Entre 14h e 16h, o térreo do MAR recebe um ciclo de mesas que reúne pesquisadores e membros da Academia Brasileira de Letras. A primeira delas, intitulada “Machado de Assis: obra, contexto e permanência”, contará com o professor e pesquisador Eduardo de Assis Duarte e terá mediação de Ana Maria Gonçalves. O encontro examinará a sofisticação literária de Machado e sua relevância para a compreensão da sociedade brasileira, abordando aspectos que vão da técnica narrativa à crítica social presente nos textos.

A segunda mesa, “Leituras contemporâneas de Machado”, reunirá as acadêmicas Rosiska Darcy de Oliveira, Ana Maria Machado e Lilia Schwarcz para um diálogo sobre as diferentes interpretações da obra do autor ao longo do tempo. Raça, poder, subjetividade, desejo e política estão entre os temas previstos para a conversa, que busca demonstrar como textos escritos no século XIX continuam a produzir sentido quando lidos à luz do presente.

Para Ana Maria Gonçalves, a escolha do MAR como sede do festival reforça uma relação que o próprio Machado cultivou ao longo da vida. “Em seus livros, Machado de Assis sempre falou muito bem da cidade. Então é extremamente importante a gente fazer esse festival no MAR, com uma programação que engloba espaços instagramáveis, quiz literário, shows, mesas com os acadêmicos e terminando com baile charme, numa tentativa de trazer suas obras mais para perto do público, apresentando-o para novas gerações, para que eles possam entender o quão atual ainda é esse grande escritor”, afirmou a escritora.

Microfone aberto e espetáculo de encerramento

A partir das 16h30, o festival abre espaço para a participação direta do público com o Microfone Aberto, atividade que convida artistas e visitantes a compartilharem leituras, performances e interpretações a partir dos textos de Machado de Assis. A proposta dura duas horas e funciona como transição entre o ciclo de debates e o espetáculo que encerra o dia.

O fechamento da programação ficará por conta do “Machado Vivo”, espetáculo cênico-musical com direção de Felipe Oládélè, Muato e Hugo Germano e direção musical de Muato. O show reúne música, teatro, performance, poesia e dança para percorrer temas centrais da obra machadiana, como amor, liberdade, raça, ironia e crítica social. Os intérpretes Janamô, Marcos Sacramento, Natasha Félix e João Vitor Nascimento serão acompanhados pela banda formada por Gabriel Marinho, Rodrigo Ferreira, Márcio Sorriso e Pedro Carneiro.

Ao final do espetáculo, o festival se transforma em baile charme, conduzido pelo dançarino Marcus Azevedo e pelo DJ Bob Reis, encerrando as 12 horas de programação com música, dança e convivência coletiva.

Fundador da ABL e voz da cidade

Joaquim Maria Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839, filho de um pintor negro e de uma lavadeira açoriana, e cresceu no morro do Livramento, na zona portuária da cidade, região que corresponde hoje à Pequena África. Autodidata, tornou-se tipógrafo, jornalista e, ao longo de décadas de produção literária, construiu uma obra que abrange romances, contos, crônicas, peças de teatro e poesia. Foi o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, que ajudou a fundar em 1897, e exerceu o cargo até sua morte, em 1908.

Romances como “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, “Quincas Borba” e “Dom Casmurro” consolidaram sua posição como o mais influente escritor da literatura brasileira, e seus textos são traduzidos e estudados em universidades de diversos países. Apesar disso, celebrações públicas de grande porte dedicadas exclusivamente a ele são raras no Rio, cidade onde nasceu, viveu e morreu. O festival de 21 de junho representa a primeira iniciativa do município com esse escopo e essa estrutura.

O evento é gratuito e aberto ao público, com programação das 9h às 21h no Museu de Arte do Rio, localizado na Praça Mauá, 5, no Centro do Rio de Janeiro.

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