Mundo Negro

Rei de Oyó visita a Bahia para fortalecer patrimônio iorubá

Foto: Divulgação

Visita reforça os laços entre Brasil e Nigéria e fortalece uma cooperação construída pela Bahia em defesa da preservação do patrimônio cultural iorubá. 

A visita do Alaafin de Oyó, Ọba Akeem Abimbola Owoade I, à Bahia marca um novo momento na cooperação entre Brasil e Nigéria em torno da preservação do patrimônio cultural iorubá. O monarca cumpriu, até o dia 4 de julho, uma agenda de atividades acadêmicas, diplomáticas e culturais voltadas ao fortalecimento dos vínculos históricos entre os dois países na Bahia.

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Cooperação entre Brasil e Nigéria

A programação incluiu a participação na 4ª Conferência Internacional LASUCAS, realizada na Universidade Federal da Bahia (UFBA), e o lançamento do livro Oyó: A Cidade do Patrimônio Cultural Iorubá, resultado de uma parceria entre instituições brasileiras e nigerianas que apoiam o reconhecimento internacional da antiga capital do Império Iorubá como Patrimônio Mundial.

Casa de Oxumarê 

Um dos momentos centrais da visita foi a recepção da comitiva na Casa de Oxumarê (Ilé Òṣùmàrè Àṣẹ Àràká Ògódò), um dos mais tradicionais terreiros de candomblé do estado, localizado na capital baiana. O encontro simboliza o reconhecimento do papel desempenhado pela instituição na aproximação entre Salvador e Oyó e nas iniciativas voltadas à preservação desse patrimônio compartilhado.

Essa relação começou em 2014, quando integrantes da Casa de Oxumarê visitaram Oyó e identificaram a necessidade de fortalecer ações de proteção aos patrimônios históricos, culturais e religiosos da cidade. A partir desse diálogo, foi construída uma rede de cooperação que reuniu outros terreiros tradicionais da Bahia e instituições brasileiras e nigerianas, consolidando um intercâmbio voltado à valorização da herança iorubá.

Patrimônio iorubá compartilhado

Oyó desempenhou papel fundamental na difusão da língua, das tradições e das instituições iorubás como a antiga capital de um dos principais impérios da África Ocidental. Com a diáspora africana, parte desse legado atravessou o Atlântico e encontrou na Bahia um dos seus principais territórios de preservação.

Para Sivanilton Encarnação da Mata (Babá Pecê de Oxumarê), babalorixá da Casa de Oxumarê, preservar Oyó também significa preservar parte da história compartilhada entre Brasil e Nigéria:

“Quando iniciamos esse diálogo com Oyó, compreendemos que preservar a antiga capital do Império Iorubá significava também proteger a memória de parte da nossa própria história. A visita do Alaafin reafirma que Bahia e Nigéria compartilham um patrimônio vivo, construído pela ancestralidade, pela espiritualidade e pelo compromisso das comunidades tradicionais em manter esse legado para as futuras gerações.”

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