
Após ganhar projeção internacional em “Man on Fire”, da Netflix, e ser reconhecido na Nigéria pelo filme “Proteção”, o ator interpreta Gamba, soldado da resistência de Batanga, na novela da Globo
Na reta final de “A Nobreza do Amor”, novela da TV Globo, o ator Rei Black está entre os nomes que movimentam a luta contra o regime de Jendal, vivido por Lázaro Ramos. Seu personagem, Gamba, é um soldado da resistência de Batanga que se infiltra na Guarda Real para ajudar a libertar o reino.
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O papel chega em um momento de sequência de trabalhos de peso na carreira do ator. Depois de interpretar Rubem em “Beleza Fatal”, da HBO Max, e de participar dos acontecimentos decisivos de “Mania de Você”, Rei ganhou projeção internacional com “Man on Fire”, série da Netflix protagonizada por Yahya Abdul-Mateen II e com Alice Braga no elenco.
Um ano de encontros com o continente africano
A presença em uma novela que coloca um reino africano no centro da narrativa dialoga diretamente com outros capítulos recentes da trajetória de Rei Black. Em janeiro, ele viajou ao Benim para apresentar o documentário “Caminho de Volta”, do qual é roteirista, produtor e diretor. Ainda neste ano, foi reconhecido internacionalmente pela atuação como protagonista do longa “Proteção”, dirigido por Alberto Sena, durante o Inside Nollywood International Film Festival & Awards, na Nigéria, berço de Nollywood, uma das maiores indústrias cinematográficas do mundo.
Para o ator, essa aproximação com a África não é casual: faz parte de uma pesquisa artística que atravessa toda a sua carreira, marcada pela busca por referências na ancestralidade, na espiritualidade e nas narrativas negras.
“Minha trajetória artística está conectada com a ancestralidade, com a espiritualidade e com as narrativas negras. Eu tento me ancorar na minha essência, nas referências africanas e afro-brasileiras. Ir ao Benim também foi uma forma de buscar minha ancestralidade e novas referências, que vou conectando à minha experiência de vida e à minha experiência artística. Acredito que o mercado também reconhece essa identidade no meu trabalho”, reflete.
O trabalho que ninguém vê
Rei faz questão de lembrar que estar em produções de grande alcance é resultado de um processo que começa muito antes de o público vê-lo na tela.
“Conseguir ir emendando um trabalho no outro é a constatação de que estou trabalhando, percorrendo e construindo. É muito interessante pensar que a menor parte do tempo a gente está no ar. Na maior parte, estou no teatro, dando aulas, estudando e trabalhando para pegar um bom papel, para me qualificar. Estar no ar é a constatação de muito trabalho que, no off, ninguém vê”, ressalta.
Natural de Mesquita, na Baixada Fluminense, o ator olha para a própria caminhada entre TV, cinema, streaming e teatro como algo ainda em construção.
“Se eu pudesse encontrar hoje o menino que fui, lá de Mesquita, diria para ele que ainda faltam algumas coisas, mas que a gente já conseguiu percorrer bons caminhos. E que eu ainda vou realizar muitos sonhos. Tenho muitos sonhos daquele menino que ainda não realizei”, conclui.
Foto: Divulgação


