
“Desafiamos e conquistamos nossas vitórias” – Essa foi uma das grandes mensagens deixadas durante a exibição do ‘Capoeira Para Todes: Aniversário de 3 anos’, seguida de um rico bate-papo com a idealizadora do coletivo que leva o nome do documentário, a multiartista Puma Camillê, durante a Mostra de Cinema Negro de Cotia, na Grande São Paulo, na última sexta-feira (29).
A Capoeira Para Todes tem sido um movimento essencial para a comunidade LGBTQIAPN+, que se tornou referência mundial ao inovar com a tecnologia ancestral da capoeira com o estilo de dança voguing, acolhendo grandes talentos que não conseguiam se encaixar em movimentos heteronormativos. Segundo Puma, a homofobia é um traço forte dentro das rodas tradicionais de capoeira, mas quando um corpo passa por uma transição de gênero, isso se torna ainda mais inaceitável.
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Apesar dos desafios que cada pessoa do Capoeira Para Todes pode vivenciar, o público pôde apreciar um documentário que mostra a esperança de ressignificar a sua jornada. Um grupo diverso que celebra o amor e a vida.
“A gente percebeu que a história de pessoas LGBTQIAPN+, trans, sobretudo, na capoeira, não foi documentada, não tem esse registro. O registro da pessoa trans sentada na mesa com uma pessoa de maior idade, trocando, comendo, sambando, são imagens que a gente não vê no filme, que a gente não vê em casa”, disse a Puma durante o evento.
“A gente percebeu com a nossa existência, que cada movimento, por mais que muito simples que a gente faz, é um movimento revolucionário. Toda vez que a gente sentar na mesa, comer, sambar, sorrir e tá em volta de criança, de pessoas de mais idade, capoeira faz isso por si só. Quando isso é registrado, isso vira um grande marco pela tentativa de realmente silenciar a gente”, destacou.
Confirmada de ir ao evento presencialmente, essa tentativa de silenciamento foi mais uma vez evidente no dia do evento, que fez com quê Puma desistisse de ir à Mostra, após receber ameaças quando anunciado a sua presença. Para zelar pela segurança da multiartista, foi decidido a realização de uma chamada de vídeo com o público, após a exibição do filme.
A Mostra de Cinema Negro de Cotia continuará até setembro com a exibição dos documentários ‘Ijó Dudu, Memória da Dança Negra na Bahia’, dirigido pelo Zebrinha (José Carlos Arandiba), e ‘Terreiros do Brincar’, dirigido por Renata Meirelles. Para saber mais, acompanhe no Instagram: @cinemanegrodecotia.
O projeto foi contemplado pelo edital de cultura da PNAB Cotia e é realizado pelo Instituto Gira-Sol, Congada de Cotia e Ayê Produção Cultural, com apoio da Secretaria de Cultura e Lazer do município.
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