A Polícia Civil investiga uma denúncia de que as duas crianças desaparecidas em Bacabal, no Maranhão, teriam sido vistas na noite de sábado (24), em um hotel no bairro da República, região central de São Paulo. A informação ainda está em apuração e não há confirmação oficial de que se trate dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), a Polícia Civil do Maranhão foi comunicada sobre a possível ocorrência para adoção de providências de forma integrada entre os dois estados. Em nota, a Secretaria de Estado da Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) afirmou que todas as denúncias são rigorosamente checadas, seja em cooperação com forças policiais de outros estados, seja com o deslocamento de equipes locais, quando necessário.
Notícias Relacionadas



Ainda de acordo com a SSP-MA, para não comprometer as investigações, não é possível divulgar mais detalhes neste momento.
Nesta segunda-feira (26), completam-se 23 dias desde o desaparecimento de Ágatha e Allan. As buscas seguem em andamento com atuação conjunta das forças de segurança e sem restrição a um único ambiente, abrangendo áreas de mata, rios e lagos, paralelamente às investigações conduzidas pela Polícia Civil. A comissão especial formada para apurar o caso continua ouvindo testemunhas e realizando outros procedimentos considerados essenciais.
Após varreduras extensas sem pistas significativas, as autoridades informaram que as buscas foram reduzidas, enquanto a investigação policial foi intensificada. Segundo a SSP-MA, as equipes seguem em prontidão para retomar ações em locais específicos caso surjam novos indícios.
“O trabalho continua. A Polícia Militar e a Polícia Civil, por meio do inquérito, vão dar vazão às suas atividades. Enquanto isso, buscas localizadas serão feitas ou refeitas de acordo com a necessidade”, afirmou Maurício Martins.
Mesmo com a mudança de estratégia, as buscas no rio Mearim seguem em andamento, e equipes especializadas permanecem mobilizadas para atuar em áreas de mata e lagoas.
Nos primeiros 20 dias de operação, a força-tarefa percorreu mais de 200 quilômetros por terra e por água, incluindo regiões de mata fechada e de difícil acesso. Mais de mil pessoas, entre agentes das forças de segurança estadual e federal e voluntários, participaram das ações. O inquérito é conduzido por uma comissão especial composta por dois delegados de São Luís e uma delegada de Bacabal e já ultrapassa 200 páginas.
Depoimento do primo contribui com as investigações
O primo de 8 anos também ficou desaparecido por cerca de três dias na mata e foi encontrado em 7 de janeiro por carroceiros que passavam pela região. Após 14 dias internado, ele recebeu alta no dia 20, e a Justiça do Maranhão autorizou sua participação nas buscas.
Um dos pontos indicados por ele foi a chamada “casa caída”, onde cães farejadores confirmaram a passagem das crianças. O local fica a cerca de 3,5 km em linha reta da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, mas, considerando obstáculos naturais como trilhas, lagoas e áreas de mata, o percurso pode chegar a aproximadamente 12 km.
As informações fornecidas ajudaram a reconstruir parte do trajeto feito pelas crianças e a esclarecer o momento em que o grupo teria se separado. O menino relatou que a intenção inicial era ir até um pé de maracujá próximo à casa do pai, mas, para evitar serem vistos por um tio, decidiu seguir por outro trecho da mata.
A partir desse ponto, o grupo teria se perdido. Ele afirmou ainda que não havia nenhum adulto acompanhando o trajeto e que as crianças não encontraram frutas para se alimentar.
Neste sábado (24), o menino retornou ao quilombo São Sebastião dos Pretos, onde vive com a família. Eles, que antes moravam em uma casa simples de barro e madeira, receberam uma nova moradia no povoado.
Força-tarefa e uso do Amber Alert
A força-tarefa que procura pelos irmãos passou a adotar uma estratégia mais direcionada, com foco na investigação policial e no uso de ferramentas que ampliem o alcance das buscas. Entre os recursos utilizados está o protocolo Amber Alert, coordenado pela Polícia Civil do Maranhão.
O sistema emite alertas emergenciais em casos de desaparecimento ou sequestro de crianças, utilizando plataformas como Facebook e Instagram para divulgar informações e imagens das vítimas em um raio de até 200 quilômetros do local do desaparecimento.
Segundo o secretário de Segurança Pública do Maranhão, Maurício Martins, o uso do Amber Alert é considerado fundamental para ampliar a mobilização social. O alerta é ativado por meio do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e permanece visível no feed de usuários da região, com dados como nome, características físicas e contatos para envio de informações. De acordo com o MJSP, o protocolo é acionado de forma excepcional, quando há indícios de risco de morte ou de lesão grave.
Na última semana, houve mudança na estratégia de busca após o depoimento do primo de 8 anos, diante da ausência de vestígios nas áreas inicialmente vasculhadas.
Notícias Recentes


