O Brasil perdeu, neste sábado (5), o professor Jarbas Vargas Nascimento, aos 80 anos, que estava em tratamento contra o câncer. Um dos mais respeitados intelectuais brasileiros no campo da Linguística e da Análise do Discurso, Jarbas deixa um legado científico e humano que transborda os muros das universidades onde construiu sua trajetória.
Pós-doutor em Letras pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), doutor em Letras, Semiótica e Linguística Geral pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Jarbas acumulou uma das trajetórias acadêmicas mais sólidas e consistentes de sua geração. Era professor titular do Departamento de Ciências da Linguagem e do Programa de Pós-Graduação em Língua Portuguesa da PUC-SP, além de professor colaborador do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES).
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Sua produção intelectual é extensa e marcante. Entre suas obras mais recentes, destaca-se Discurso, Cultura e Negritude (Blucher, 2021), livro que reúne dez autores e autoras em reflexões sobre questões discursivas e histórico-culturais ligadas à negritude brasileira, uma síntese do seu compromisso com a produção de conhecimento comprometida com a realidade do povo negro. Jarbas foi líder do Grupo de Pesquisa Memória e Cultura na Língua Portuguesa Escrita no Brasil, cadastrado no CNPq, e membro pesquisador do Grupo de Pesquisa A Escrita no Brasil Colônia e Suas Relações.
O reconhecimento ao seu trabalho se fez presente ainda em vida. No dia 13 de março de 2026, a PUC-SP sediou a mesa-redonda e o lançamento da obra Discurso, Cultura e Memória: uma homenagem a Jarbas Vargas Nascimento, reunindo pesquisadoras e pesquisadores em torno das suas contribuições para os estudos discursivos no Brasil. O evento destacou seus 15 anos de atuação no Programa de Pós-Graduação em Linguística da UFES, com ênfase na consolidação da linha de Estudos sobre Texto e Discurso. Mais do que uma celebração, o livro se configura como um espaço de memória intelectual e de reconhecimento permanente à sua contribuição para a Linguística brasileira.
Além da pesquisa, atuou como Pró-Reitor de Cultura e Relações Comunitárias da PUC-SP e ocupou cargos de gestão em outras instituições, como a Universidade Braz Cubas e a Unifec.
Mas talvez o maior legado de Jarbas Vargas Nascimento não esteja nas prateleiras das bibliotecas acadêmicas, esteja nas pessoas. Silvia Nascimento, hard de conteúdo do Mundo Negro e nora do professor, traduz em palavras o que tantos viveram:
“Jarbas era um professor que, além da preocupação acadêmica, tinha uma grande preocupação em fazer os alunos serem incluídos. Ele tem um grupo incontável de pessoas que só voltaram a estudar e investiram na carreira acadêmica, inclusive no mestrado e no doutorado, porque Jarbas era aquela pessoa que falava: eu acredito em você. E contava com ele.”
O professor deixa a esposa, três filhos, oito netos, dois bisnetos e um número imensurável de alunos que encontraram no seu incentivo a coragem de acreditar que a universidade também era para eles.
O velório será realizado neste domingo (6), na Sala Roma, localizada na Rua São Carlos do Pinhal, 376, Bela Vista, São Paulo, com início às 11h e término às 13h.
Que a memória do professor Jarbas Vargas Nascimento seja honrada com a continuidade do que ele sempre defendeu: o direito de todo e qualquer pessoa ao conhecimento, à língua e ao seu próprio discurso.