Mãe de Miguel Otávio, Mirtes concluiu a graduação em Direito e celebrou a conquista ao lado da família e de amigas, mantendo a memória do filho presente durante a solenidade.
Mirtes Renata Santana concluiu a graduação em Direito e participou, no sábado (29), da cerimônia de formatura realizada no Recife (PE). Ao subir ao palco para receber o diploma, ela levou consigo a fotografia do filho, Miguel Otávio, e foi acompanhada pela música “Maria, Maria”, de Milton Nascimento e Fernando Brant.
Notícias Relacionadas

Durante a solenidade, imagens de Miguel foram exibidas no telão. Mirtes entrou no salão acompanhada da mãe, Marta, da irmã, Fabiana Patrícia, e de duas amigas. O momento foi marcado pela homenagem ao menino e pela celebração da conquista acadêmica da mãe.
“Foi uma caminhada muito difícil, marcada por muita dor, muitos desafios. Muitas vezes pensei que não ia conseguir chegar até essa data, mas Miguel sempre foi o meu propósito para continuar. Cada passo dessa caminhada é sobre ele, é para honrar ele”, afirmou Mirtes ao portal g1.
A formação em Direito encerra uma etapa importante de sua trajetória acadêmica. Em dezembro, ela havia sido aprovada com nota 10 no Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), que abordou a chamada escravização moderna e as violações de direitos enfrentadas por trabalhadoras domésticas.
Na época, Mirtes contou que a produção do trabalho foi atravessada pelo contato com relatos de mulheres que vivenciaram violações no trabalho doméstico. Ela também destacou como a pesquisa dialogava com sua própria trajetória.
“Foi bem difícil escrever esse TCC, porque eu trago a vivência de outras mulheres. Foi muito pesado ouvir as vivências delas, as narrativas com relação ao que elas viveram no trabalho doméstico, as inúmeras violações de direitos. […] Eu me vi muito nesse trabalho”, disse ao g1.
Memória de Miguel
Miguel Otávio Santana da Silva morreu em 2 de junho de 2020, aos 5 anos, após cair do nono andar de um edifício no Centro do Recife. Na ocasião, Mirtes trabalhava como empregada doméstica e havia saído para passear com o cachorro da família para a qual trabalhava.
O menino entrou sozinho em um elevador e chegou ao nono andar, de onde caiu. O episódio resultou em um processo criminal contra Sari Corte Real, então patroa de Mirtes.
Em maio de 2022, Sari foi condenada em primeira instância a oito anos e seis meses de reclusão por abandono de incapaz com resultado morte. Posteriormente, a pena foi reduzida para sete anos. Conforme as informações apresentadas no caso, ela responde ao processo em liberdade enquanto aguarda novos desdobramentos judiciais.
Desde a morte do filho, Mirtes tem transformado sua trajetória pública e acadêmica também em um espaço de preservação da memória de Miguel e de discussão sobre direitos humanos.
Agora bacharel em Direito, ela celebrou a conclusão da graduação carregando a imagem do filho consigo. A homenagem durante a formatura simboliza a presença de Miguel em uma conquista que Mirtes afirma ter sido também uma forma de honrar sua memória.
Notícias Recentes
