Bruno Manoel (@preto_na_cozinha) pega quatro espigas de milho, separa a palha, bate a polpa com açúcar e manteiga e transforma tudo em pamonha em menos de 30 minutos. A receita parece simples, mas o que ele mostra nos vídeos da campanha #IngredientePrincipal vai além da técnica: o milho, antes de virar símbolo de festa junina, foi alimento central na mesa indígena e afro-brasileira por séculos.
O projeto é uma iniciativa global do TikTok que escolheu o Brasil para sua estreia, em parceria com o Mundo Negro e o Guia Black Chefs, reunindo 20 profissionais negros da gastronomia e nutrição. Bruno é um deles.
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Da palha ao saquinho
Pernambucano, nascido em Paulista e radicado no Recife, Bruno Manoel perdeu a mãe aos 16 anos e começou vendendo docinhos com a irmã. Anos depois, foi uma receita de queijadinha publicada nas redes que abriu as portas para uma carreira que hoje soma quase 1 milhão de seguidores no Instagram, a vitória no reality “Que Delícia”, do Mais Você, e a participação no “Chef de Alto Nível”, ambos da TV Globo. Formado pela Le Cordon Bleu, ele construiu um trabalho voltado para tornar a culinária nordestina acessível sem esvaziar sua história.
É essa lógica que ele aplica ao milho. No vídeo da pamonha, Bruno mostra que o processo começa na escolha da espiga, passa pelo aproveitamento integral da palha para fazer o saquinho e termina com o cozimento em água fervente por 20 a 25 minutos. “Tá cansado de tá comendo bolacha, pão? Vai ali comprar quatro espigazinhas de milho, faz uma pamonha, tu tem o que tomar café”, diz. A canjica segue a mesma lógica: poucos ingredientes, tempo de preparo acessível e memória afetiva no resultado.
O milho antes da festa junina
O que o calendário junino popularizou como entretenimento sazonal tem raízes muito mais antigas. O milho chegou à mesa brasileira muito antes da colonização portuguesa, cultivado por povos indígenas que o usavam como base alimentar em diferentes formas: farinha, bebida, mingau, bolo. Com a diáspora africana, o grão foi incorporado à cozinha afro-brasileira e ganhou novos contornos, aparecendo em preparos como a canjica, associada a celebrações e à partilha coletiva. O que a festa junina fez foi recortar esse alimento de sua origem e colá-lo num contexto de folclore regionalizado, apagando a camada indígena e negra que o sustenta.
Bruno Manoel desfaz esse recorte ao mostrar a pamonha e a canjica como receitas do cotidiano, não de festa. Pratos que cabem numa terça de manhã, num café com a família, num inverno qualquer no Nordeste.
Ingrediente que une
O milho é também um dos alimentos mais democráticos da mesa brasileira: está na pamonha pernambucana, na canjica baiana, no curau paulista, no angu mineiro e no cuscuz nordestino. Essa presença transversal é o que o conecta diretamente ao conceito do #IngredientePrincipal: um alimento que atravessa regiões, classes e gerações sem perder sua raiz.
Acompanhe os conteúdos da campanha no TikTok @sitemundonegro e no portal Mundo Negro. #IngredientePrincipal #TheMainIngredient #MilhoNaMesaNegra #CozinhaNordestina #GuiaBlackChefs #MundoNegro
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