Há 12 anos, Lauren Flanigan ingressou na Mondelez como estagiária, e desde 2024, tornou-se líder de um portfólio de US$ 2,5 bilhões em mais de 20 mercados globais. A executiva — que também presidiu o Conselho Afro-Americano da multinacional — consolida sua trajetória no topo do mercado corporativo desafiando normas estruturais de gênero e raça. Para ela, o divisor de águas na carreira foi abandonar a expectativa do reconhecimento passivo e reivindicar o próprio protagonismo: “Temos que desaprender a humildade silenciosa”, afirmou em uma entrevista recente à Forbes Brasil.
No início de sua caminhada, Flanigan acreditava na premissa de manter a cabeça baixa e esperar pelo reconhecimento. Ao perceber os limites dessa postura, mudou a estratégia e passou a comunicar ativamente seus resultados sob o lema “dê crédito e receba o crédito”. “Com muita frequência, a sociedade incentiva as mulheres a adotarem comportamentos que jogam contra o sucesso corporativo — ser quieta, ser humilde, não ser insistente, não pedir muito”, destacou. “Aprendi que as pessoas não podem conhecer os detalhes do meu trabalho a menos que eu conte a elas”.
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A postura assertiva se refletiu em números e campanhas premiadas mundialmente. Responsável por ações globais da marca Trident — incluindo peças premiadas com o Leão de Ouro no Festival de Cannes —, a executiva demonstra visão aguçada para identificar oportunidades de mercado.
Em 2017, percebendo um nicho inexplorado para produtos sazonais, a Flanigan estruturou um plano de negócios que convenceu a liderança a criar uma divisão exclusiva sob sua gestão. A iniciativa gerou o lançamento de 13 produtos em nove meses e uma receita superior a US$ 100 milhões em três anos. “Muitas vezes, esperamos as coisas acontecerem. Mas, às vezes, você precisa criar a oportunidade”, afirma a executiva.
Com trajetória que conecta alta performance e compromisso com a equidade, a executiva também utilizou seu espaço para fortalecer a presença de profissionais negros no corporativo durante sua gestão no Conselho Afro-Americano da empresa. Para Flanigan, a presença nos espaços de decisão ganha sentido quando acompanhada de movimentos coletivos. “Representatividade importa, mas mentoria ativa e aliança importam mais. Meu objetivo é sempre elevar outros enquanto eu subo”, destaca.
Inspirada pelo pai corporativo e pela mãe empreendedora, o interesse de Lauren pelo marketing surgiu ainda no ensino médio, consolidando-se durante sua passagem pela renomada Wharton School, na Universidade da Pensilvânia.
Apesar de gerenciar operações em múltiplos fusos horários, a executiva faz questão de estabelecer limites rígidos para preservar sua saúde mental e o convívio com a família. Entre hábitos como a escrita de diários de gratidão e a confecção de velas, ela mantém o foco no que realmente importa: “No final da minha vida, quero me orgulhar do meu sucesso profissional, mas não será a única coisa à qual me apegarei. Protejo as pessoas e os momentos dos quais mais me lembrarei da mesma forma que protegeria uma entrega profissional.”