
Sob a direção da premiada Luh Maza, a peça ‘Kiwi’ volta aos palcos em nova montagem com elenco negro, uma proposta inédita na história da obra internacional. A produção é um dos destaques da programação do SESC 24 de Maio, em São Paulo, onde fica em cartaz em curta temporada — e chega junto com as celebrações dos 20 anos de carreira da diretora.
A montagem nacional estreou em 2016 e foi apresentado em São Paulo (capital e cidades do interior), Rio de Janeiro, Bahia e Santa Catarina. ecebeu os prêmios Aplauso Brasil e SP de Incentivo ao Teatro Infantil e Jovem, além de ser indicada ao prêmio Cenym. Em destaque, o conceito de Coreografia Dramatúrgica, criado pela diretora para definir seus desenhos cênicos marcados pela forte fisicalidade não-convencional, que faz os intérpretes dançarem suas marcas ao som do texto que falam.
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Sol Menezzes (‘Dois Tempos’) e Victor Liam (‘Da Ponte Pra Lá’), foram os atores escolhidos para recontar essa história em uma nova montagem.
Baseado no texto do autor canadense Daniel Danis, ‘Kiwi’ narra a história de uma órfã de 12 anos abandonada pelos tios em plena praça pública, enquanto a cidade em que vive passa por um processo brutal de gentrificação para receber os Jogos Olímpicos. Casas são demolidas, moradores expulsos e, nas sombras do evento global, os mais vulneráveis são varridos das ruas. É nesse cenário distópico, mas nem um pouco distante da realidade, que a protagonista é levada pela polícia a um abrigo-prisão e conhece um grupo de jovens em situação de rua. Para entrar no clã, ela recebe um novo nome: Kiwi.

O público começa a acompanhar a transformação da menina, agora sob a proteção de Lichia, em sua luta diária por sobrevivência. Entre roubos, drogas e prostituição infantil, o grupo se sustenta com uma única regra: jamais matar. Mas quando a vida de Kiwi entra em risco, Lichia quebra o código e abre caminho para uma nova onda de tensão — e resistência.
Inspirado por casos reais de superlotação nas prisões infantis do Leste Europeu e pelos processos de “higienização” urbana ligados a grandes eventos internacionais, o texto original estreou em 2007 e ganhou prêmios importantes como o Louise LaHaye, o AbitibiBowater de Melhor Texto e, na Alemanha, o Deutscher Jugendtheaterpreis. Desde então, foi montado em países como França, Hungria e México — e na versão brasileira, traduzida e dirigida por Luh Maza.
Além de dirigir, Maza assina também o cenário e iluminação, construindo um tabuleiro metálico suspenso com pichações reais, onde os atores permanecem em cena o tempo inteiro, sob luzes frias que reforçam o clima opressor da história. A encenação ainda bebe das fontes do esporte — como xadrez e corrida — para criar uma coreografia dramatúrgica, conceito cunhado pela própria diretora, onde os corpos narram e dançam as palavras, numa fisicalidade marcante.

E tem mais: ‘Kiwi’ é só uma parte da celebração de duas décadas de trajetória artística de Luh Maza, que também estreia no mesmo teatro o inédito ‘Carne Viva’ (de quinta a domingo à noite) e participa do debate ‘O Corpo como Alimento no Teatro de Luh Maza’, no dia 16 de abril.
Serviço:
Temporada: até 12/4, sextas e sábados, às 17h
Local: Teatro do Sesc 24 de Maio. Rua 24 de Maio, 109, República, São Paulo (350 metros da estação República do metrô).
Lotação: 249 lugares.
Gênero: Drama
Classificação: 12 anos
Duração: 60 min
Ingressos: no site sescsp.org.br ou através do aplicativo Credencial Sesc a partir do dia 18/3 e nas unidades do Sesc SP a partir do dia 19/3 – R$50 (inteira), R$25(meia) e R$15 (Credencial Sesc).
Serviço de Van: Transporte gratuito até as estações de metrô República e Anhangabaú. Saídas da portaria a cada 30 minutos, de terça a sábado, das 20h às 23h, e aos domingos e feriados, das 18h às 21h.
Link do espetáculo: https://www.sescsp.org.br/programacao/kiwi/
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