Sociólogo de 41 anos havia se demitido uma semana após Cambridge anunciar nova investigação sobre acusações envolvendo sua tese e outras publicações acadêmicas.
O sociólogo britânico Jason Arday, de 41 anos, ex-professor da Universidade de Cambridge, foi encontrado morto em sua residência em Battersea, no sul de Londres, na sexta-feira (14). Segundo a polícia metropolitana, a morte foi considerada inesperada, mas não é tratada como suspeita. As circunstâncias do caso seguem sob investigação.
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A morte ocorreu poucos dias depois de Arday deixar os cargos de professor de Sociologia da Educação em Cambridge e membro do Jesus College. A demissão aconteceu em 5 de agosto, uma semana depois de a universidade anunciar uma nova investigação sobre seu processo de nomeação e sua trajetória acadêmica, em meio a acusações de plágio e questionamentos sobre informações apresentadas em seu histórico profissional.
Arday ganhou projeção em 2023 ao ser nomeado o mais jovem professor negro da história de Cambridge. Sua trajetória acadêmica passou, no entanto, a ser alvo de crescente escrutínio após acusações de que trechos de sua tese de doutorado, defendida em 2015, apresentariam semelhanças com trabalhos anteriores. Ele negou ter cometido plágio intencional, enquanto o caso passou a envolver também questionamentos sobre outras publicações e afirmações relacionadas à sua trajetória.
A Universidade de Cambridge inicialmente defendeu Arday. Em junho, a instituição afirmou que as acusações de plágio relacionadas à tese e a publicações científicas haviam sido examinadas anteriormente e classificou parte da repercussão como uma campanha para prejudicar sua credibilidade. Posteriormente, diante de novas questões sobre seu histórico acadêmico, Cambridge anunciou uma investigação independente sobre sua nomeação e permanência na instituição.
A demissão e as declarações de Arday
Ao anunciar sua saída, Arday afirmou que a decisão era, segundo a EuroNews, “a única forma” de encerrar um período que classificou como difícil. Ele também destacou que sua demissão não deveria ser interpretada como uma admissão das acusações que haviam sido feitas contra ele.
Em sua carta de renúncia, Arday afirmou ainda que havia chegado ao limite do que considerava razoável suportar e que as acusações, especulações e comentários públicos haviam provocado um impacto profundo sobre ele e pessoas próximas.
A saída ocorreu, portanto, no contexto direto da abertura de novas investigações e da intensificação do escrutínio sobre sua trajetória acadêmica. Arday deixou os dois cargos com efeito imediato.
Um caso que expôs questões sobre a academia
A trajetória de Arday também havia sido apresentada como símbolo de maior presença negra na academia britânica. Sua nomeação para Cambridge, em 2023, teve repercussão justamente por representar um marco de representação negra em uma das universidades mais tradicionais do Reino Unido.
O caso passou a levantar, porém, questões sobre os processos de seleção e verificação de credenciais acadêmicas adotados pelas instituições. Cambridge anunciou que a investigação independente analisará sua nomeação de 2022 e o período em que Arday permaneceu na universidade. Outras instituições pelas quais ele passou também passaram a revisar aspectos de sua trajetória profissional.
A morte de Arday acontece enquanto parte das questões relacionadas às acusações ainda estava sendo investigada. Até o momento, não há indicação oficial de que as investigações ou a repercussão do caso tenham causado sua morte, e a polícia não trata o episódio como suspeito.
A família de Arday, por meio de sua editora, afirmou estar em choque e denunciou o que classificou como uma campanha de desinformação e assédio. O caso deve continuar sendo acompanhado pelas autoridades e pelas instituições envolvidas.
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