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Em parceria com a Powerlist Mundo Negro, “Imagine e Desenhe” transforma identidade das premiadas em troféus

Bruna Bandeira e a premiada Cida Bento na Powerlist Mundo Negro 2025

Bruna Bandeira e a premiada Cida Bento na Powerlist Mundo Negro 2025 (Foto: Reprodução/Instagram)

Desde a primeira edição da Powerlist Mundo Negro, em 2022, a Imagine & Desenhe — empresa criada pela artista visual e pedagoga Bruna Bandeira, em parceria com o marido, o designer Igor — cria os troféus para as homenageadas, com a identidade de cada uma. A premiação anual reconhece mulheres negras de destaque em diferentes áreas.

A parceria nasceu a partir de uma ideia inicialmente pensada para um quadro com ilustração. “Esse trabalho foi bem autoral, porque eu achei sensacional, mas imaginei que um quadro não teria cara de troféu, de prêmio”, conta Bruna.

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A partir daí, a artista buscou uma fornecedora para desenvolver um protótipo que pudesse materializar sua proposta. “Consegui unir a ilustração da premiada, a frase, os logos, tudo o que remete a um troféu, com o troféu acrílico confeccionado. Foi uma junção perfeita e também uma descoberta de um nicho”, explica.

Para Bruna, o projeto dialoga diretamente com os princípios da Imagine e Desenhe e com a proposta de representatividade da Powerlist Mundo Negro. 

A artista destaca ainda a reação das homenageadas ao receberem uma representação visual de si mesmas. “Todo mundo tem vontade de ser desenhado, de ser celebrado. Então, acho que casou muito”, diz. A partir da experiência com a Powerlist, a Imagine e Desenhe também passou a oferecer troféus personalizados para outras empresas.

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Na 5º edição da premiação realizada no dia 31 de julho, na sede da L’Oréal Brasil, no Rio de Janeiro, foram homenageadas com um troféu: Val Benvindo (Diversidade e Impacto Social), Eduarda Vieira (Liderança Corporativa), Cicih Lima (Criadora Digital), Letícia Maria (Profissional da Beleza), Saint Clair Cezar (Destaque em Gastronomia), Madá Negrif (Profissional da Moda), Urias (Cultura, Artes e Entretenimento) e Conceição Evaristo (Trajetória Transformadora). Veja as ilustrações abaixo:

Celebrar para ser vista

Na criação dos troféus da Powerlist Mundo Negro, o processo começa antes da ilustração. Bruna analisa as fotografias e as frases escolhidas pelas homenageadas para garantir que a representação preserve suas características. A preocupação é utilizar imagens que permitam manter a identidade, a cor e os traços de cada mulher. “Então, é trazer essa conexão, exaltar e celebrar”, resume.

“O impacto disso é realmente as pessoas se verem no troféu e se celebrarem ali, na grandeza de como é se celebrar literalmente, de estar se prestigiando com aquele troféu”, afirma Bruna.

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Arte como ferramenta de transformação

Fundada em 2013, a Imagine & Desenhe surgiu como uma forma de Bruna expressar suas próprias vivências, inquietações e referências. No início, a artista buscava traduzir em imagens as emoções provocadas por músicas de rap e por temas que considerava importantes. “Sempre usei a Imagine como a ferramenta da minha voz em forma de ilustração”, relata.

Com o tempo, o trabalho passou a alcançar outras pessoas, que se identificavam com os personagens, os cabelos e as narrativas presentes nas ilustrações. Bruna começou a construir uma linguagem própria, marcada por personagens diversos e frases de impacto que propõem reflexões, informações e diálogos.

“Eu gostava de ter aquele desenho fofo e uma frase de impacto que trouxesse uma utilidade pública, uma informação, uma reflexão e uma conexão”, explica.

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A trajetória da marca também acompanhou o amadurecimento técnico e profissional da artista. Bruna começou desenhando no papel, passou pela aquarela e, posteriormente, entrou no universo digital. Também estudou anatomia e fez cursos de quadrinhos para aperfeiçoar o traço e ampliar as possibilidades de trabalho.

“Eu nunca apaguei os processos da Imagine, porque faz parte do crescimento: entrar no digital, fazer outras coisas, entender outras formas, estudar anatomia, fazer cursos de quadrinhos para melhorar o traço”, afirma.

Pedagoga com experiência em educação especial, Bruna encontrou na ilustração uma maneira de abordar assuntos complexos de forma acessível. Além da produção artística, a Imagine e Desenhe também realiza oficinas e workshops de narrativas visuais, voltados ao estímulo da criatividade e do pensamento crítico. A apresentação da marca destaca trabalhos para instituições como TV Globo, Sesc, Google e Instituto Avon, além de projetos editoriais e educativos.

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“Levar isso de uma forma lúdica, com ilustrações — e as minhas são fofinhas — fazia com que a galera mastigasse melhor alguma informação, algum aconselhamento, alguma reflexão”, conta.

Uma identidade reconhecível

A Imagine e Desenhe atua em diferentes frentes, que incluem livros infantis, guias educativos, quadrinhos, produtos, campanhas internas, eventos corporativos, muralismo e criação de conteúdo. Mesmo com essa variedade, Bruna afirma que a identidade da marca permanece presente em cada projeto.

“Os clientes que vêm até mim já sabem como é a estrutura da Imagine”, explica. Para ela, a diversidade não é um elemento acrescentado posteriormente às ilustrações, mas parte fundamental do trabalho desenvolvido pela marca.

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Na organização das demandas, Igor assume funções relacionadas à produção e à diagramação de produtos, como canecas e outros materiais. Bruna concentra-se no atendimento, na criação e no diálogo com os clientes. “Acredito que o atendimento é a base da Imagine”, afirma.

Outro elemento que contribui para o reconhecimento do trabalho é o estilo dos personagens, que tradicionalmente aparecem sem nariz, com os olhos fechados e um sorriso marcante. Ao longo dos anos, Bruna passou a explorar novas expressões e emoções, sem abandonar a característica que se tornou uma assinatura visual.

“Ele já tem uma identidade muito forte, e eu só tento melhorar as técnicas, estudar um pouco sobre luz e sombra e fazer mais coisas”, diz.

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Para a artista, o desenvolvimento do traço está relacionado à prática e ao estudo, e não a uma ideia fixa de talento inato. “Sou meio contra falar que desenhar é dom, porque o meu desenho do início e o de agora são totalmente diferentes”, afirma.

Em um cenário em que a arte ainda enfrenta dificuldades de acesso e valorização, a artista mantém o compromisso de tornar seu trabalho próximo de diferentes públicos. Parte das ilustrações é compartilhada gratuitamente nas redes sociais, enquanto a marca também reserva espaço para ações sociais.

“Eu queria que a minha arte não fosse algo só elitizado. Queria que fosse acessível, conversasse com todos”, diz. “Sempre vou trabalhar, celebrar e trazer a diversidade nas minhas ilustrações, em todas as frentes, tanto nas empresas quanto no social, porque isso é a essência. Sou eu”, conclui Bruna.

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