Homens: aliados na luta de gênero

0
Homens: aliados na luta de gênero
Foto: Freepik

Texto: Rachel Maia

O mês é das mulheres, mas, este chamamento é para os homens, que historicamente se beneficiaram com o privilégio do poder e das oportunidades em todos os espaços: no meio corporativo, na política, em casa, ou seja, na sociedade. A fala sempre foi produzida por eles, mas neste momento, faz-se necessária uma escuta ativa e reflexiva sobre o nosso futuro, sobre a diversidade, sobre gênero. 

Notícias Relacionadas


Considero que os homens têm um papel fundamental como aliados na promoção de um ambiente mais igualitário, pois ocupam em grande escala os espaços e cargos de gestão. Importante frisar que ser um aliado não significa apenas apoiar passivamente as mulheres, mas sim atuar ativamente para garantir que todas tenham acesso as mesmas oportunidades de crescimento e reconhecimento profissional.

Como transformar-se em aliado das mulheres

Percebam: a jornada para a equidade começa com a escuta. Os homens podem se tornar aliados ao ouvir atentamente as experiências das mulheres no ambiente de trabalho, compreendendo os desafios que elas enfrentam e se informando sobre vieses inconscientes e desigualdades estruturais.

O “teste do pescoço” cabe perfeitamente nesse contexto: quantos homens há na sua sala de reunião? Quantas mulheres? E quantas delas têm poder de fala e tomada de decisões? Os vieses inconscientes muitas vezes nos impedem de perceber que estamos, sistemicamente, repetindo um quadro constante de exclusão e, portanto, barrando a inovação — que só acontece quando há diversidade.  

Equilibrar o acesso a oportunidades, indicando mulheres e criando espaços de desenvolvimento para lideranças femininas, são algumas das atitudes de quem compreende que há espaços para todos. Costumo dizer que o nosso interesse não é ocupar o lugar dos homens, mas sim concorrer às mesmas oportunidades. 

Construir um ambiente corporativo mais plural, dinâmico e respeitoso para todos vai além de praticar o óbvio. É importante também defender políticas como licença parental para ambos os gêneros, flexibilidade no trabalho e igualdade salarial. E não tenham dúvidas: empresas que adotam essas práticas se tornam mais inovadoras, produtivas e humanas.

Esse compromisso é nosso 

No Brasil, 51,5% da população é composta por mulheres, de acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizado em 2022. No entanto, no mercado de trabalho, as mulheres ainda ocupam um percentual baixo de cargos de liderança em comparação aos homens. Em 2022, como mostra o IBGE, as mulheres correspondiam a 39,3% desses cargos, e, ao fazer um recorte racial, esse número cai drasticamente.

De acordo com o Ministério da Igualdade Racial (MIR), as mulheres negras representam 28% da população brasileira e também são maioria nos trabalhos informais, especialmente os relacionados aos cuidados, correspondendo a 67%. No entanto, quando o assunto são cargos executivos, esse percentual cai para 1,8%, e, entre os CEOs no Brasil, é praticamente zero. 

A construção de um ambiente corporativo mais justo e inclusivo não é uma responsabilidade exclusiva das mulheres. Quando homens e mulheres trabalham juntos pela equidade, todos ganham: as empresas se fortalecem, a cultura organizacional se transforma e a sociedade avança.

Mais do que reconhecer as conquistas femininas, é fundamental que cada um reflita sobre seu papel nessa transformação. Que esse mês nos inspire a agir, todos os dias, em prol de um mundo corporativo mais justo e igualitário.

Notícias Recentes

Participe de nosso grupo no Telegram

Receba notícias quentinhas do site pelo nosso Telegram, clique no
botão abaixo para acessar as novidades.

Comments

No posts to display