O que deveria ser uma rotina comum de trabalho, lazer e cuidado com a família tornou-se um trauma repetitivo para o coordenador de departamento pessoal Ailton Alves de Sousa. Morador de Heliópolis, na Zona Sul de São Paulo, Ailton foi detido injustamente quatro vezes nos últimos sete meses. Um erro do Smart Sampa, sistema de monitoramento facial da prefeitura, o classifica como um foragido da Justiça de Mato Grosso por homicídio.
As abordagens ocorreram nos contextos mais diversos: ao sair de casa, no trabalho, durante uma corrida de rua e, a mais recente, enquanto acompanhava a mãe em uma consulta médica.
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“Eu não sei o que pode acontecer. Fico com medo, mesmo sem dever nada. Você fica com receio, com vergonha da situação em si”, desabafou Ailton em entrevista ao SPTV, da TV Globo. Ele afirma, ainda, nunca ter visitado a região Centro-Oeste do país.
Grandes evidências foram ignoradas pelo sistema: há uma diferença de 12 anos entre os dois homens — o foragido nasceu em 1972, enquanto Ailton nasceu em 1984. Além disso, os nomes dos pais não coincidem e há uma divergência na grafia do próprio sobrenome: o suspeito assina “Souza” (com Z), e o paulistano é “Sousa” (com S). O mandado original de Mato Grosso, inclusive, sequer possui imagens do verdadeiro procurado.
O Smart Sampa conta com 40 mil câmeras espalhadas pela capital paulista. “O que queremos é eliminar essa biomentira. Já entrei com pedidos junto ao Smart Sampa por e-mail, mas, até agora, não obtivemos nenhum tipo de resposta”, disse o advogado da vítima, Sandro Godoy.
Enquanto Ailton vive sob constante temor, a Prefeitura de São Paulo e a Secretaria da Segurança Pública não souberam informar quem incluiu a imagem do coordenador no sistema. Mas em nota, a prefeitura declarou que “não houve qualquer falha no funcionamento do programa” e que a GCM apenas seguiu o alerta. Já a SSP informou ter notificado o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre a inconsistência e providenciado a remoção dos dados de Ailton da base estadual.
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