Gina Prince-Bythewood fala sobre adaptar ‘Filhos de Sangue e Osso’: “Meu respeito pelos autores é sempre a minha bússola”

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Gina Prince-Bythewood fala sobre adaptar ‘Filhos de Sangue e Osso’: “Meu respeito pelos autores é sempre a minha bússola”
Fotos: Paramount Pictures e Getty Images for IMDb/

Gina Prince-Bythewood volta ao centro das atenções ao assumir a adaptação de ‘Filhos de Sangue e Osso’, livro de Tomi Adeyemi que se tornou fenômeno mundial e agora ganha versão para os cinemas, com estreia prevista para 15 de janeiro de 2027. Em entrevista à Essence, a diretora falou sobre o desafio de transportar a obra para as telas, a parceria com a autora e a proposta de construir uma fantasia épica ancorada na diáspora negra.

A cineasta explicou que a decisão de dirigir o longa só veio após uma relação mais madura com o material. “Fui abordada duas vezes nos últimos sete anos para fazer este filme e recusei ambas as propostas”, afirmou. Na primeira vez, ela estava trabalhando no filme ‘A Mulher Rei’, e na segunda, ela disse que não sentia pronta. Mas no terceiro convite, a leitura do livro despertou uma conexão imediata com a trajetória da protagonista. “No momento em que li o livro, comecei a visualizar o filme e me senti profundamente inspirada por essa visão de como levá-lo para as telas”, disse.

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A diretora também destacou sua relação com adaptações literárias. “Esta é a minha quarta adaptação e o meu respeito pelos autores é sempre a minha bússola. Para mim, o livro é sempre a Bíblia. Não é um roteiro”, afirmou. Para Prince-Bythewood, a força de Filhos de Sangue e Osso está justamente na ligação afetiva que o público desenvolveu com a história de Tomi Adeyemi, e o desafio da adaptação foi preservar esse vínculo sem abrir mão da linguagem cinematográfica.

Prince-Bythewood revelou que a autora participou de perto da construção do filme, começando pelo roteiro e acompanhando decisões criativas em outras etapas. “Conversei com ela sobre a minha visão de como eu queria abordar o projeto, de trazer todos nós para esse incrível mundo de fantasia para que todos nós pudéssemos nos ver refletidos de forma bela e heroica”, explicou. Segundo a diretora, foi a partir dessa conversa inicial que as duas perceberam que estavam alinhadas. “A beleza desse processo é que Tomi e eu estávamos alinhados nessa visão. Então, este filme é uma verdadeira celebração da diáspora negra, da história à escolha do elenco, passando pelo design de construção do mundo, figurino, ação, coreografia, música, tudo.

No entanto, essa tarefa não foi simples. A diretora lembrou que o projeto passou por outras tentativas antes de chegar ao formato atual. “Decifrá-lo foi uma tarefa árdua; cinco roteiristas e dois estúdios antes de mim não conseguiram”, contou. Ainda assim, ela afirma que o livro lhe ofereceu uma imagem muito clara do que poderia se tornar no cinema. “Este filme é lindamente inspirado na Nigéria e inclui toda a diáspora”, disse, reforçando a intenção de expandir o universo da obra para além da fantasia tradicional.

O filme reúne um elenco estelar com Viola Davis, Damson Idris, Cynthia Erivo, Idris Elba, Regina King, Lashana Lynch, Amandla Stenberg, Thuso Mbedu, Tosin Cole e Chiwetel Ejiofor. Prince-Bythewood contou que fez convites pessoais a vários nomes e que o projeto despertou interesse imediato por sua dimensão simbólica e artística. “Este é um elenco épico. Às vezes assisto ao filme e penso: ‘Como conseguimos fazer isso?’”, disse. Para ela, a reunião desses artistas também reforça a singularidade da produção no atual cenário de Hollywood.

A trilha sonora ficou a cargo de Terence Blanchard, parceiro da diretora em ‘A Mulher Rei’. “Terence é um gênio”, afirmou Prince-Bythewood, destacando que a composição mistura orquestração tradicional, instrumentação africana e Afrobeats. A diretora acredita que essa combinação cria uma assinatura musical inédita, capaz de dialogar com a grandiosidade da história e com a identidade cultural que sustenta o filme.

Filmado na África do Sul, Filhos de Sangue e Osso também reafirma a conexão de Prince-Bythewood com o continente africano. A diretora disse que não havia dúvidas sobre a escolha do local, ressaltando que a decisão se relaciona à beleza da paisagem, à conexão cultural e à possibilidade de construir uma comunidade de profissionais locais. “Quando chegamos lá, criamos uma comunidade de dublês completamente nova”, explicou, ao comentar o impacto da produção na formação de atletas e dançarinos que passaram a atuar como dublês.

Queria que todos nós pudéssemos nos ver neste mundo, em toda a nossa amplitude, toda a nossa humanidade, cada bela nuance”, afirmou a cineasta na entrevista, ao celebrar que o filme é uma celebração da diáspora negra em múltiplas dimensões.

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