Eclipse lunar de grande magnitude começa às 23h34 e pode ser visto a olho nu em todo o Brasil, sem filtros ou equipamentos.
Um eclipse lunar parcial de grande magnitude, apelidado popularmente de “Lua de Sangue”, poderá ser observado a olho nu em todo o Brasil na madrugada entre esta quinta-feira (27) e a sexta-feira (28). O fenômeno começa às 23h34, no horário de Brasília, atinge o ponto máximo entre 1h12 e 1h13 da madrugada de sexta e termina por volta das 2h51, segundo astrônomos do Observatório Nacional (ON).
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O eclipse ocorre quando a Terra se posiciona entre o Sol e a Lua, bloqueando parte da luz solar que chegaria ao satélite. Segundo a astrônoma Josina Oliveira do Nascimento, do ON, o Sol incide na Terra e uma sombra se forma no espaço, dividida em duas partes: a penumbra, mais clara, e a umbra, mais escura. Nesta semana, a Lua mergulha profundamente na umbra, o que cobre a maior parte do disco lunar.
Há divergência entre as estimativas de cobertura. Uma fonte aponta que cerca de 93% do satélite ficará encoberto pela sombra da Terra, enquanto o ON cita 96,2% de obscurecimento, o que tornaria o efeito visualmente próximo ao de um eclipse total.
Diferente de um eclipse solar, o fenômeno lunar dispensa qualquer filtro ou equipamento de proteção para os olhos. Basta escolher um local com boa visibilidade do céu e pouca interferência da iluminação urbana, segundo recomendação do astrônomo Emerson Roberto Perez.
A cobertura de nuvens deve ser o principal obstáculo à observação em algumas regiões. De acordo com o meteorologista César Soares, da Climatempo, o Rio Grande do Sul enfrentará nebulosidade intensa durante a madrugada. “Por esse motivo, eles não vão conseguir observar o eclipse lunar”, afirmou. Partes de Santa Catarina, do sul do Paraná, do leste nordestino e do extremo norte do país também devem ter o céu mais encoberto.
Já o interior do Nordeste, o Centro-Oeste e grande parte do Sudeste, incluindo Minas Gerais, o estado de São Paulo e trechos do Rio de Janeiro, devem ter condições favoráveis para acompanhar o fenômeno, segundo a mesma fonte.
A coloração avermelhada da Lua durante o eclipse acontece porque a atmosfera da Terra absorve parte da luz solar e refrata outra parte em direção ao satélite, no mesmo princípio que deixa o Sol alaranjado perto do horizonte. Segundo o astrônomo Thiago Gonçalves, o efeito ocorre porque a luz atravessa uma camada maior de atmosfera. “Ele deixa de ser amarelado e fica mais avermelhado”, descreveu. A variação de temperatura também é significativa: a face iluminada da Lua pode chegar a 120°C, enquanto a face na sombra despenca para cerca de -120°C durante o eclipse.
Para quem quiser acompanhar o fenômeno em grupo, o Laboratório de Divulgação Científica Ilha da Ciência, a Sociedade de Astronomia do Maranhão e a Agência Espacial Brasileira promovem observação pública e gratuita no Mirante da Litorânea, no bairro do Calhau, em São Luís, das 22h às 2h. Os organizadores recomendam levar cadeira, binóculo, luneta ou telescópio, além de água e lanche.
Quem perder o evento desta semana precisará esperar. Segundo o ON, os próximos eclipses lunares, em 2027, serão do tipo penumbral, com diferença de brilho quase imperceptível a olho nu. Em 2028, o Brasil verá um eclipse parcial com obscurecimento de apenas 2,4%. Um eclipse lunar total visível em todo o país só deve ocorrer na noite entre 25 e 26 de junho de 2029.
O apelido “Lua de Sangue” não é um termo técnico usado pela comunidade científica, mas uma referência popular à tonalidade avermelhada que a Lua assume durante a fase de maior cobertura. A denominação se popularizou nos últimos anos em coberturas de eclipses ao redor do mundo, embora o fenômeno em si, a dispersão da luz solar pela atmosfera terrestre, seja o mesmo que provoca o efeito em qualquer eclipse lunar total ou de grande magnitude, como o desta semana.
A duração total da fase parcial, mais perceptível a olho nu, deve chegar a cerca de três horas e vinte minutos, contando do início ao fim do encobrimento parcial do disco lunar. Câmeras de celular com boa estabilização e um pouco de aproximação óptica costumam captar razoavelmente bem a coloração avermelhada, ainda que sem o mesmo nível de detalhe de equipamentos astronômicos profissionais.
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