Surto causado pela cepa Bundibugyo já matou mais de 2,6 mil pessoas; país recebe 70 mil doses da Ervebo para testes e proteção de profissionais, mas imunizante não é aprovado contra a variante responsável pela epidemia.
A epidemia de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) já soma 5.515 casos confirmados e 2.642 mortes, segundo dados divulgados pelas autoridades de saúde nesta segunda-feira (24). Declarado em 15 de maio, o surto é causado pela cepa Bundibugyo e já se tornou o maior e mais letal registrado no país.
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A transmissão, inicialmente concentrada na zona de saúde de Mongbwalu, na província de Ituri, avançou para seis províncias: Ituri, Kivu do Norte, Kivu do Sul, Haut-Uélé, Tshopo e Bas-Uélé. A Organização Mundial da Saúde (OMS) classificou o cenário como uma fase de transmissão intensa e informou que a epidemia está se expandindo mais rapidamente do que os surtos anteriores registrados no país.
O número de casos já supera o registrado no surto de 2018 a 2020, que teve 3.317 casos confirmados. A rápida expansão também elevou a epidemia atual ao segundo maior surto de Ebola em número de casos e mortes, atrás da epidemia que atingiu a África Ocidental entre 2014 e 2016.
Vacina disponível não é específica para a cepa do surto
A resposta internacional ganhou um novo componente com a liberação de 70 mil doses da Ervebo, vacina licenciada contra a cepa Zaire do vírus Ebola. O imunizante, porém, não é aprovado para a cepa Bundibugyo, responsável pelo surto atual.
A distribuição das doses tem dois objetivos: 20 mil serão utilizadas em um ensaio clínico de fase 3, que pretende avaliar se a Ervebo pode oferecer proteção contra a Bundibugyo, enquanto 50 mil serão destinadas a profissionais de saúde e trabalhadores da linha de frente, conforme recomendações do grupo consultivo de especialistas em imunização da OMS (SAGE).
Até o momento, não se sabe se a Ervebo oferece proteção contra a Bundibugyo em seres humanos. Estudos preliminares, incluindo pesquisas em animais, levantaram a possibilidade de alguma proteção cruzada, mas a eficácia ainda precisa ser investigada clinicamente.
A RDC já recebeu mais de 16 mil doses desse lote inicial, enquanto as demais doses previstas seguem no processo de envio. A estratégia representa uma alternativa dentro da resposta ao surto, mas não deve ser confundida com a existência de uma vacina específica e aprovada contra a cepa que circula atualmente.
Resposta enfrenta desafios no território
A expansão da epidemia ocorre em regiões afetadas por conflitos e deslocamentos populacionais, e que apresentam dificuldades de acesso aos serviços de saúde. A OMS também relata ataques a instalações de saúde e obstáculos ao trabalho das equipes responsáveis pela vigilância, identificação de casos e acompanhamento de contatos.
Nesse cenário, autoridades de saúde e organizações internacionais têm reforçado a importância da vigilância, do diagnóstico rápido, do atendimento adequado e de estratégias de resposta construídas com autoridades locais e lideranças comunitárias. Segundo a OMS, o reconhecimento rápido dos casos, a testagem e o cuidado de suporte podem contribuir para reduzir a mortalidade e ampliar a confiança nos serviços de saúde.
O Ebola é uma doença viral transmitida principalmente pelo contato com sangue e outros fluidos corporais de pessoas infectadas. A cepa Bundibugyo é menos estudada do que a Zaire, o que torna os estudos sobre vacinas e tratamentos uma frente importante da resposta científica à atual epidemia.
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