Um caso de racismo na USP (Universidade de São Paulo) ganhou um novo desdobramento nesta semana. Após a denúncia feita por Priscila Motta da Rocha Antônio, estudante de Nutrição do campus de Ribeirão Preto, viralizar em dezembro de 2025, a universidade agora alega “falta de tempo” para aplicar medidas protetivas, obrigando a vítima a frequentar o mesmo espaço que sua agressora.
Junto ao Coletivo Negro da USP-RP, a cientista social Jéss Machado expôs a negligência da instituição com o caso. A vítima está afastada das aulas desde o ano passado por não possuir condições psicológicas de frequentar o mesmo ambiente que a aluna que lhe proferiu insultos por ser negra e cotista.
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“Em março a gente tem muita demanda. Quando a gente tiver um tempo, a gente resolve”, seria a resposta enviada pelo Conselho de Direitos Humanos da USP por e-mail. Para Jéss, a falta de agilidade já declara um posicionamento da instituição: “Enquanto vocês demoram, vocês estão sendo coniventes com o racismo”.
“A gente fez a denúncia em setembro, foi ter uma resposta da USP em outubro, com a mediação de conflitos. Depois não teve mais nada, só depois que a gente fez uma denúncia pública. E eu estou vindo aqui novamente para pressionar publicamente a USP, para que eles entendam de uma vez por todas que a gente está falando de racismo, isso é urgente”, ressaltou.
“Não tem aula, não tem demanda de evento, recepção de calouros que seja mais urgente do que a vida de uma pessoa preta. A vida de uma pessoa preta é urgente e é direito dela estar nesse ambiente”, completou.
Relembre o caso
Priscila, de 21 anos, passou a ser alvo de perseguições e piadas racistas assim que a agressora descobriu que a aluna ingressou na universidade pelo sistema de cotas. O caso, que inclui agressão física com uma chave e deboches constantes, foi levado às instâncias oficiais da universidade ainda em 2025. Na época, a USP ofereceu apenas uma “mediação de conflitos”.
“Teve um episódio que a gente foi estudar na biblioteca, ela me acertou no braço com uma chave e tinha machucado muito. Eu reclamei, tive que insistir muito para ela pedir desculpa, ela pediu desculpa de uma forma super debochada. Teve um caso que ela falou que eu ia casar com um artista famoso preto, porque ele também era cotista”, contou a vítima em entrevista à EPTV no ano passado.
Em dezembro do ano passado, Priscila relatou que está fazendo uso de medicação antidepressiva e expressou o desejo de retomar sua vida acadêmica em 2026, mas está sendo forçada a conviver com a agressora.
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