Afrofrancês conecta ensino de idiomas a literatura, memória, colonialismo e ancestralidade, com aulas conduzidas por professores nativos de países africanos francófonos.
Aprender francês a partir de referências culturais negras e das experiências de países africanos francófonos é a proposta do Afrofrancês, projeto idealizado pelas pesquisadoras Gaby Ferraz e Joanna Fernanda. A iniciativa une ensino de idiomas, literatura, memória, colonialismo e ancestralidade em uma experiência que supera o aprendizado convencional da língua.
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O projeto parte do francês falado em mais de 20 países africanos que têm o idioma como uma das heranças do processo de colonização francesa. Nesses territórios, o francês convive com diversas línguas locais, entre elas wolof, lingala, kikongo, swahili, tshiluba e baoulé, formando diferentes experiências linguísticas e culturais.
Pesquisa e educação como ponto de partida
A criação do Afrofrancês nasce do encontro entre as trajetórias de suas idealizadoras. Joanna Fernanda é professora de francês e mestranda em Literaturas Francófonas, com pesquisa voltada ao colonialismo, à cultura e à literatura de países africanos de língua francesa.
Seu repertório acadêmico orienta a construção dos conteúdos, a curadoria literária e cultural e a abordagem crítica utilizada nas aulas. A proposta é apresentar o idioma também a partir das produções culturais e dos contextos históricos dos lugares onde ele é utilizado.
Gaby Ferraz é jornalista, criadora de conteúdo e pesquisadora de memória e narrativas negras na diáspora, atuando na estruturação da experiência cultural do projeto. Sua contribuição inclui a organização de imersões, passeios, o podcast do Afrofrancês e a seleção dos professores africanos que participam das aulas.
A experiência das próprias idealizadoras como estudantes de idiomas também influenciou a metodologia. Gaby, que estudou inglês e espanhol de forma autodidata, identificou na própria trajetória a importância de estabelecer uma relação de identificação com os conteúdos estudados.
Professores como parte da experiência cultural
Atualmente, o Afrofrancês reúne alunos que buscam aprender francês por essa perspectiva. As aulas são conduzidas por professores nativos de diferentes países africanos francófonos.
No projeto, esses profissionais também compartilham referências e experiências relacionadas aos seus próprios contextos culturais. As idealizadoras os definem como “corpo-memória”, destacando a presença de suas vivências na construção das aulas e na ampliação do repertório dos estudantes.
A proposta não se restringe ao ambiente virtual ou à sala de aula. O Afrofrancês já realizou encontros de culinária, atividades relacionadas ao artesanato, cinedebates e clubes de leitura em parceria com empreendedores interessados em aproximar os alunos de diferentes expressões culturais.
Turmas personalizadas
Outro aspecto do método está na formação das turmas. Antes de começar as aulas, os interessados respondem a um formulário que funciona como uma espécie de entrevista inicial. O objetivo é conhecer interesses, gostos pessoais, formas preferidas de aprendizado e experiências multiculturais anteriores.
A partir dessas informações, as turmas são organizadas de maneira personalizada, de acordo com os perfis e interesses dos estudantes.
As novas turmas do Afrofrancês estão abertas e os grupos continuam sendo formados de maneira personalizada. Informações sobre aulas e valores estão disponíveis no Instagram @francesafro.
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