O sonho de Dr. King na Marcha sobre Washington

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O sonho de Dr. King na Marcha sobre Washington
Foto: Getty Imagens

A Marcha sobre Washington por Emprego e Liberdade completa 63 anos nesta sexta, dia em que Martin Luther King Jr. discursou diante de 260 mil pessoas.

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Por Ricardo Côrrea

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Hoje completam-se 63 anos da histórica Marcha sobre Washington por Emprego e Liberdade. Liderada por Martin Luther King Jr. e outros ativistas dos direitos civis, a mobilização ocorreu no dia 28 de agosto de 1963, nos degraus do Lincoln Memorial, em Washington. O encontro reuniu cerca de 260 mil pessoas e exigia que as condições políticas e sociais da população negra estadunidense tomassem outro rumo. A segregação racial era institucionalizada sem um mínimo de pudor.

Os negros estavam submetidos a altos índices de desemprego, salários baixos e nem sequer tinham o direito ao voto para elegerem representantes comprometidos com a verdadeira emancipação. Ou seja, a marcha buscava a aprovação de reformas estruturais que assegurassem plenos direitos civis. Nesse dia participaram diversas personalidades e lideranças que discursaram para a multidão, mas o ponto alto do encontro ocorreu um pouco antes do encerramento. O Dr. Martin Luther King Jr. proferiu aquele que se tornaria um dos discursos mais marcantes do século XX: “Eu Tenho um Sonho”.

Um sonho íntimo que estava em concordância com os sonhos de milhares de negros. A eloquência do Dr. King acertou em cheio os corações ao projetar uma sociedade sem violência e discriminação em função da cor da pele; ele idealizava sensivelmente a harmonia entre negros e brancos. E foi assim que começou: “Estou feliz por estar hoje com vocês num evento que entrará para a história como a maior demonstração pela liberdade na história de nosso país (…)”. Em outro trecho, pontuou: “Não podemos ficar satisfeitos enquanto o negro for vítima dos horrores inexplicáveis da polícia; não podemos ficar satisfeitos enquanto o negro do Mississippi não puder votar e o negro em Nova York acreditar que não tem motivo para votar (…)”.

Dr. King defendia mobilizações e protestos como instrumento para conquistarem políticas que estancassem ou mitigassem as agruras do povo negro. O boicote ao ônibus em Montgomery (1955 – 1956) foi um exemplo ao mundo da eficácia desse método. Bastou os negros deixarem de utilizar o transporte público, que os segregava em benefício dos brancos (negros eram obrigados a ceder lugar aos brancos e viajar no fundo dos ônibus), que as leis naquele local mudaram; afinal, a receita dos ônibus diminuiu bastante.

A Marcha sobre Washington foi um sucesso e viabilizou a promulgação da Lei dos Direitos Civis (1964) e da Lei do Direito ao Voto (1965). Contudo, o sonho expresso naquele 28 de agosto não se concretizou plenamente. King foi assassinado em 1968 sem presenciar as transformações profundas pelas quais lutou. Seus anseios seguem em constante disputa. Entre avanços e retrocessos, a história provou que nem mesmo a eleição de um homem negro à Presidência dos EUA foi capaz de desmantelar a ideologia da supremacia branca. A permanência do racismo estrutural expõe a profundidade do abismo. Mas a única certeza que permanece é esta: o supremacismo não conseguiu matar o sonho de Dr. King. Ele vive!

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