Caso Nolan Wells: autópsia independente concluiu que a causa da morte é “indeterminada”, mas não descarta suspeita de crime

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Caso Nolan Wells: autópsia independente concluiu que a causa da morte é “indeterminada”, mas não descarta suspeita de crime
Foto: Reprodução

Um novo exame necroscópico, encomendado pela família do jovem Nolan Wells — encontrado morto após seis dias desaparecido, depois de sair com amigos em 4 de julho, nos Estados Unidos — concluiu que a causa e a forma da morte são “indeterminadas”. No entanto, o relatório apontou que partes da região da garganta não foram entregues ao médico quando o corpo chegou para análise, o que levou o patologista forense a afirmar que não pode descartar a possibilidade de crime nem lesões no pescoço como fator contribuinte ou causa do óbito, segundo o advogado da família, Ben Crump.

Crump apresentou as conclusões em coletiva realizada nesta quarta-feira (22), durante a 117ª Convenção Nacional da NAACP, em Chicago, e ressaltou que o laudo também registrou uma descoloração vermelha na parte de trás da cabeça. O advogado afirmou ainda que o documento apresenta lacunas decorrentes de ausência de partes do corpo e de procedimentos não realizados — por exemplo, o exame toxicológico não fazia parte deste laudo independente.

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A autópsia independente foi realizada em 10 de julho, seis dias após o desaparecimento de Wells e quatro dias depois que seu corpo foi encontrado na costa noroeste da Ilha Horn, no Golfo do Mississippi. O exame foi assinado por Dr. Roger Mitchell, presidente da Associação Médica Nacional, o grupo mais antigo e maior de médicos negros nos EUA.

Foto: Reprodução

O legista do Condado de Jackson também realizou uma autópsia no corpo do jovem de 18 anos; seus resultados ainda não foram divulgados, pois o gabinete aguarda o laudo toxicológico do Instituto Médico Legal. Bruce Lynd, legista do condado, disse à imprensa que o relatório oficial do estado permanece incompleto.

Segundo o relatório de Mitchell, não foi possível determinar se Wells estava consciente quando entrou na água nem como ele foi parar lá. A equipe da família afirmou que a autópsia estatal “removeu e dissecou corretamente cada órgão”, o que impediu Mitchell de observar diretamente os pulmões para verificar a presença de água e de examinar o conteúdo do estômago — fatores que poderiam indicar afogamento.

O nível de decomposição do corpo também dificultou a identificação de possíveis hematomas, embora o laudo registre ausência de lacerações ou fraturas aparentes. A família rejeita a versão preliminar das autoridades de que Wells teria se afogado, alegando que ele era nadador competente e que as explicações oficiais não condizem com seu caráter e porte atlético.

Wells foi visto pela última vez em 4 de julho, durante a tarde, quando foi à Ilha Horn com amigos para comemorar o feriado. Testemunhas disseram que, diante de um problema no barco que os levava de volta, Nolan optou por ficar na ilha e combinar de retornar com outras pessoas. Ele não voltou para casa naquela noite; a família registrou o desaparecimento por volta da meia-noite. O corpo foi encontrado em 6 de julho por um guarda florestal.

Pouco foi esclarecido pelas autoridades sobre as circunstâncias da morte, deixando diversas lacunas no caso que ganhou atenção nacional. Questionamentos também surgiram sobre as roupas em que o adolescente foi encontrado: enquanto autoridades afirmaram que ele vestia apenas um sunga, a ligação entre a família e a organização United Cajun Navy indicou que ele teria sido visto com camiseta; representantes da Cajun Navy refutaram essa versão.

Crump apelou para que as autoridades locais compartilhem com Mitchell os resultados da autópsia estadual e que o patologista independente seja incluído nas análises quando o júri do Mississippi examinar o caso. Líderes de peso — incluindo o reverendo Al Sharpton, o ex-jogador de futebol americano Terrell Owens e o ator e cineasta Tyler Perry — ofereceram recompensas que somam US$ 125.000 por informações que levem à prisão e condenação dos responsáveis.

Os pais de Nolan, Christine Wells-Wonsley e Elmore Wonsley, afirmaram na convenção da NAACP que progrediram com a autópsia independente justamente pela demora e pela falta de transparência no relatório estadual. “Há tantas pessoas por aí fazendo todas essas perguntas, mas a única pergunta que temos é o que aconteceu com nosso filho”, disse Wells-Wonsley. “Nós só queremos honestidade.”

Nolan Wells foi sepultado em Ocean Springs, Mississippi, onde familiares, amigos e colegas celebraram sua vida. A família segue buscando respostas enquanto aguarda os resultados toxicológicos do Instituto Médico Legal e maior cooperação das autoridades na investigação.

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