O reality “As Patroas”, criado pela influenciadora Viih Tube e pelo marido, Eliezer Netto, virou alvo de investigação após a estreia do primeiro episódio, publicada na terça-feira (30) e retirada do ar em menos de 24 horas. O Ministério Público do Trabalho (MPT) em São Paulo informou que abriu procedimento para apurar os fatos, enquanto a deputada estadual Ediane Maria Nascimento (PSOL-SP) protocolou representação no MPT pedindo investigação e a suspensão imediata do programa. Ao mesmo tempo, funcionários que participavam do reality reclamam do cancelamento dos patrões.
A repercussão negativa teve como ponto central a exposição da relação entre empregadores e empregados em desafios humilhantes. No episódio divulgado, trabalhadores da casa foram submetidos a provas como o “Desafio do CLT”, que incluiu esconder moedas em locais degradantes — entre eles, o lixo do banheiro e o vaso sanitário — gerando desconforto e acusações de exploração nas redes sociais.
Notícias Relacionadas



O MPT-SP comunicou que tomou conhecimento do reality por meio da imprensa e abriu procedimento para investigar se houve violação de direitos trabalhistas, como coação, não pagamento de horas extras ou utilização comercial indevida da imagem dos empregados sem contrato específico. O Tribunal Superior do Trabalho (TST), sem citar nomes, publicou que expor trabalhadores a situações humilhantes pode caracterizar assédio moral e lembrou que a Constituição protege a dignidade da pessoa humana.
Na representação encaminhada ao MPT, a deputada Ediane Nascimento argumenta que a dinâmica do programa pode configurar “assédio moral organizacional” e violar leis trabalhistas. O documento questiona a voluntariedade da participação — apontando ausência de registros ou provas de consentimento — e sugere que recompensas como redução de jornada ou prêmios estariam sendo usadas para mascarar pagamento por trabalho extraordinário e cessão de imagem em canais monetizados, sem a devida compensação ou recolhimento previdenciário. A parlamentar pede inquérito, notificação dos influenciadores e a suspensão do reality caso se confirmem irregularidades.
Reação dos funcionários
Contrapondo as críticas, funcionárias da casa divulgaram um vídeo de defesa do casal. A governanta, Ediléia Santana (conhecida como Leinha), afirmou que todas aceitaram participar de forma voluntária, que são “bem cuidadas” e que o projeto trouxe oportunidades e prêmios importantes, como dinheiro e uma motocicleta. Elas negaram ter sido obrigadas a realizar as provas e criticaram a onda de cancelamento e as denúncias. Parte dos empregados manifestou insatisfação pelo fato do conteúdo ter sido retirado do ar, alegando que perderam oportunidades de visibilidade e premiações prometidas.
Notícias Recentes


