Pela primeira vez na história, a África do Sul avança ao mata-mata de uma Copa do Mundo após vencer a Coreia do Sul por 1 a 0 em Monterrey, no México.
A seleção da África do Sul derrotou a Coreia do Sul por 1 a 0 na noite desta quarta-feira (24), no Monterrey Stadium, em Guadalupe, no México, e garantiu pela primeira vez na história do país uma vaga no mata-mata de uma Copa do Mundo. Em sua quarta participação no torneio, os Bafana Bafana finalmente superaram a barreira da fase de grupos, um objetivo que havia escapado nas campanhas de 1998, 2002 e 2010. O gol que selou a classificação saiu aos 18 minutos do segundo tempo, quando Thapelo Maseko recebeu cruzamento de Tshepang Moremi, girou sobre a marcação sul-coreana e finalizou de pé esquerdo para vencer o goleiro Kim Seung-gyu.
Notícias Relacionadas



Com o resultado, os sul-africanos terminaram o Grupo A na segunda colocação, com quatro pontos. O México liderou a chave com nove pontos após derrotar a Tchéquia por 3 a 0 na rodada final. A África do Sul havia estreado na Copa com derrota por 2 a 0 para os mexicanos e arrancado um empate por 1 a 1 contra a República Tcheca na rodada seguinte, chegando ao jogo decisivo sabendo que apenas a vitória garantiria a classificação.
O técnico belga Hugo Broos, de 74 anos, respondeu à necessidade do resultado com uma mudança tática significativa: abandonou a formação com três meio-campistas centrais em linha e apostou em dois volantes e um armador, função entregue ao jovem Relebohile Mofokeng, que ganhou sua primeira oportunidade como titular na Copa e teve atuação decisiva na construção ofensiva ao longo de toda a partida. Na coletiva pós-jogo, Broos falou com jornalistas: “É difícil explicar este sentimento. Esperamos cinco anos por isso e o que fizemos nesses cinco anos é impressionante. Estamos na próxima fase, isso é histórico para os garotos e para mim.”
O personagem central da classificação foi Maseko, atacante de 22 anos revelado pelo SuperSport United e atualmente no Mamelodi Sundowns, principal clube do futebol sul-africano. Eleito o melhor jogador jovem da Copa Africana Sub-20 de 2023, ele passou boa parte da partida desperdiçando oportunidades antes de converter a chance definitiva. Sua trajetória recente carregava um peso adicional: uma lesão sofrida durante a Copa Africana de Nações de 2023 havia interrompido sua ascensão, e uma retomada gradual pelo Limassol, do Chipre, onde foi emprestado em janeiro de 2026, precedeu os meses que o trouxeram até Monterrey.
A conquista encerra um ciclo de ausências e eliminações precoces que marcou a história do selecionado africano no futebol mundial. A federação sul-africana só foi oficialmente reconhecida em 1992, após o fim do regime do apartheid, e desde então a seleção disputou apenas três edições do torneio antes de 2026: 1998, 2002 e 2010, todas com eliminação na fase de grupos. A participação de 2010, quando o país sediou o torneio, ficou marcada pela vitória sobre a França por 2 a 1, resultado que não foi suficiente para a classificação e que permaneceu como o ponto mais alto da trajetória dos Bafana Bafana em Copas até esta noite.
Do lado sul-coreano, a derrota deixou a seleção em situação delicada. Com três pontos, uma vitória e duas derrotas e saldo de gols negativo de um, a Coreia do Sul terminou em terceiro lugar no Grupo A e aguarda a definição da fase de grupos para saber se avança como um dos oito melhores terceiros colocados. A decisão de poupar o atacante Son Heung-min, que entrou apenas no segundo tempo, foi alvo de questionamentos após a partida, sobretudo porque a equipe asiática apresentou dificuldade de criação ofensiva durante boa parte do jogo.
A África do Sul enfrentará o Canadá, um dos países anfitriões da Copa, no próximo domingo (28), às 16h no horário de Brasília, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Na mesma coletiva, Broos reconheceu a dificuldade do adversário e deixou aberta a possibilidade de um avanço ainda mais profundo no torneio: “Quem sabe a gente não consegue passar de fase e chegar às oitavas.”
Notícias Recentes


