Antes de qualquer técnica ou apresentação, existe quem planta, quem colhe e garante que o alimento chegue até a mesa. É com essa frase que o chef Jônatas Bomfim (@chefjonatasbomfim) abre sua participação na campanha #IngredientePrincipal, iniciativa global do TikTok que estreou no Brasil em parceria com o Mundo Negro e o Guia Black Chefs, reunindo 20 profissionais negros da gastronomia e nutrição. Ao lado do nutricionista Saulo Gonçalves (@saulo.nutri) e da pesquisadora Bruna Crioula (@brunacrioula), ele coloca em foco o elo mais invisível da cadeia alimentar brasileira: a agricultura familiar, setor que, segundo o Censo Agropecuário do IBGE de 2017, concentra 77% dos estabelecimentos rurais do país e responde por 87% da produção nacional de mandioca, 70% do feijão e 67% das ocupações no campo.
A origem como ponto de partida
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Jônatas Bomfim cresceu entre duas cozinhas: a da avó Carminha, de Salinas da Margarida, com dendê, frigideiras e moquecas, e a da avó Joana, do interior baiano de Terra Nova, com farofa d’água e carne de sertão frita. Essa dupla formação moldou a forma como ele entende gastronomia muito antes de passar pelo Senac Bahia ou pelo bacharelado em Gastronomia da UFBA, onde se tornou pesquisador e extensionista. Fora da universidade, comanda a brigada de uma cozinha industrial que produz refeições para o Tribunal de Justiça da Bahia e a Maternidade Climério de Oliveira, além de criar o projeto Chefe da Quebrada, voltado para talentos da periferia. É essa visão de gastronomia como ferramenta coletiva que ele leva para a campanha: “A agricultura familiar é o que sustenta a alimentação do povo brasileiro todos os dias. E para mim, sempre foi e será o ingrediente principal. Porque sem origem, não existe gastronomia.”
O que chega à mesa e como escolher
Partindo da mesma base que Jônatas coloca no centro, Saulo Gonçalves responde nos vídeos da campanha uma das perguntas mais frequentes no seu consultório: é obrigatório comer orgânico? Carioca, formado primeiro em Direito e depois em Nutrição, Saulo construiu nas redes sociais uma linguagem que mistura humor e ciência sem abrir mão do contexto real das pessoas, já participou do É de Casa e do Mais Você, ambos da TV Globo, e tem na alimentação natural consciente seu principal campo de atuação. A resposta sobre orgânicos é direta: o alimento orgânico tem composição superior porque o Brasil utiliza volumes altos de pesticidas e aditivos químicos na produção convencional, mas o custo mais alto e o prazo curto de validade tornam a adesão integral inviável para a maior parte da população. A saída, segundo ele, é priorizar o orgânico nos alimentos consumidos com mais frequência e, para todos os outros, apostar nos produtos da estação, que pedem menos agrotóxico na produção e chegam ao mercado mais acessíveis e com mais sabor.
A cidade como despensa
Essa lógica de aproveitar o que a terra oferece no tempo certo é o que Bruna Crioula expande para o ambiente urbano, mostrando que a coleta de alimentos na calçada, como manga e ora-pro-nóbis, não é improviso, mas direito à cidade e conexão com o bioma local. Nutricionista, mestra em ciências sociais e matrigestora da Crioula Curadoria Alimentar, ela prepara chutney de manga com ora-pro-nóbis para mostrar que é possível ir além do suco ou da salada e que fazer compotas no auge das safras garante variedade alimentar o ano todo sem depender de ultraprocessados. “Comer o que a terra dá onde a gente vive é um ato ecológico”, resume Bruna, conectando coleta urbana, sazonalidade e soberania alimentar num mesmo argumento que fecha o que Jônatas e Saulo abriram: o ingrediente principal começa antes da cozinha, na mão de quem produz.
Acompanhe os conteúdos da campanha no TikTok @sitemundonegro e no portal Mundo Negro. #IngredientePrincipal #TheMainIngredient #AgriculturaFamiliar #SoberaniaAlimentar #GuiaBlackChefs #MundoNegro
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