O prato dos brasileiros no dia a dia ainda não contém toda a biodiversidade que temos no nosso país. Há diversas frutas que estão nos quintais, nas calçadas e nas feiras, mas que sumiram dos cardápios de muitas famílias.
O jamelão por exemplo, também conhecido como jambolão, a nutricionista Bruna Crioula (@brunacrioula) destaca que é uma fruta de cor roxa intensa que frequentemente pinta as calçadas das cidades brasileiras, não encontrada nos mercados. Embora seja originário da Índia, ele se adaptou perfeitamente ao clima local. Mais do que uma árvore de sombra, o jamelão carrega uma história de potência e identidade.
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O nutricionista Rafa Bastos (@rafabastos) destaca que o fruto é um símbolo de resistência negra. O apelido do cantor José Bispo Clementino dos Santos, o eterno Jamelão da Mangueira, nasceu de uma tentativa racista de diminuir suas características físicas pela cor da fruta. Ele, contudo, transformou o rótulo em grandeza, tornando-se uma das vozes mais inesquecíveis do samba. Nutricionalmente, a fruta é rica em antocianinas, antioxidantes que auxiliam na proteção cardiovascular e no combate a radicais livres.
No coração da Caatinga, o umbu resiste como um dos símbolos mais fortes do sertão nordestino. Seu nome vem do tupi “y-mbu”, que significa árvore que dá de beber, uma referência à capacidade das suas raízes de armazenar água para enfrentar as secas.
Rafa aponta que o umbu nunca foi apenas uma fruta, mas uma estratégia de sobrevivência e cultura. Historicamente, há relatos de que Lampião e seu bando utilizavam a sombra e a água das raízes dos umbuzeiros para se esconder e resistir no semiárido. Hoje, além de alimentar famílias com sucos e a tradicional umbuzada, a fruta movimenta a economia da agricultura familiar na região.
Sazonalidade e Diversidade no Prato
Bruna Crioula traz o olhar para a inteligência de respeitar a safra. A acerola, por exemplo, quando consumida na época certa, é mais barata, saborosa e nutritiva. Para nutricionista, entender os ciclos da natureza é uma forma de autonomia alimentar. Ela explora a diversidade em preparos criativos, como o uso do jambolão para quebrar narrativas de que frutas “de rua” não pertencem à gastronomia, ou a combinação inusitada de chutney de manga com ora-pro-nóbis, unindo o doce da fruta ao potencial proteico da PANC (Planta Alimentar Não Convencional).
O desaparecimento dessas frutas dos cardápios reflete um distanciamento da nossa própria biodiversidade. Priorizar o que é local e da estação é um ato político e cultural. Quando falamos de comida, não estamos falando apenas de nutrientes, mas de território, memória e identidade.
Esta matéria integra a campanha #IngredientePrincipal #TheMainIngredient, parceria entre TikTok, Mundo Negro e Guia Black Chefs.
Acompanhe os chefs nas redes: @brunacrioula e @rafabastosnutri
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